O mínimo para viver

27/08/2017

O mínimo para viver é um filme da Netflix que retrata a anorexia. A protagonista Ellen, vivida pela atriz Lily Collins, já passou por vários tratamentos para se curar, mas nada deu certo. Até que a família decide um tratamento alternativo com o Dr. William Beckham, Keanu Reeves, e ela vai para uma casa junto com outras pessoas com distúrbios alimentares. O filme inteiro é a luta de Ellen não só para se curar, como para encontrar uma motivação para viver. Os tratamentos que a Ellen fez não dão certo porque ela não vê razão para continuar vivendo.

Pra mim é sempre muito complicado ver como algo normal no meu dia a dia pode virar uma doença. Comer é uma das coisas que eu mais amo fazer e no caso do filme é o problema da Ellen. O interessante da obra é ele apresentar essa perspectiva diferente e te fazer refletir sobre isso. A sensibilidade com que ele retrata esse tema é um detalhe para se ficar de olho. O filme não é contado pelo ponto de vista médico, mas da pessoa doente. É mostrado como é para ela lidar com a comida todos os dias, os exercícios, a família, os comentários das pessoas e com ela própria.


Achei muito boa a atuação da Lily Collins. Não sei se ela emagreceu mesmo para o papel ou se foi feito no CG, mas a aparência com a atuação foram ótimas. Ela soube retratar a falta de vontade de uma pessoa com anorexia, seja de comer seja de não conseguir parar. Os trejeitos, o olhar perdido, a introspecção. Pode parecer que o papel do personagem do Keanu Reeves é irrelevante, mas ele é o cara que guia todas as pessoas do tratamento para o caminho certo. E ele é só isso mesmo um guia, não o cara milagroso que cura as pessoas. Ele chega na Ellen e mostra que viver é uma droga e que você precisa encontrar motivação todos os dias para seguir sua vida; superar os obstáculos e apenas continuar. Viver não é fácil pra ninguém.

Um dos pontos que eu mais gostei no filme e me emocionaram, foi como o roteiro deu atenção à família. Em qualquer doença, todo mundo que está perto do doente sofre e muitas vezes isso é deixado de lado. A atenção sempre, claro, é no doente e na doença. O que O mínimo para viver faz é mostrar como a vida da família da Ellen é alterada pela anorexia. Os eventos familiares passam a ser ligados à doença. Não é o dia do baile, é o dia que a Ellen desmaiou. Não é o dia da apresentação de dança, é o dia que a Ellen foi entubada. A identidade familiar passa a girar todo em função da anorexia.


O filme têm cenas fortes, eu pelo menos achei, e são as cenas clássicas: a magreza excessiva, afinamento de rosto, ossos à mostra, além de situações que marcam a doença como apertar o braço para conferir a circunferência e forçar o vômito. Elas são necessárias para mostrar a gravidade da anorexia, que muitas vezes é escondida pelas roupas. Se você não reparar no comportamento da pessoa, você só percebe a anorexia quando ela está bem avançada. E o que o filme retrata também, é que a anorexia não atinge só meninas adolescentes. na casa onde é feito o tratamento, a Ellen se depara com uma mulher grávida e um garoto.

O mínimo para viver é um filme mais parado, que não tem uma trilha sonora marcante, mas as atuações, fotografia e a proposta de um olhar mais sensível e não documental, no sentido de ensinar sobre o que é a doença, me fizeram gostar do filme. Vendo o trailer, eu não me senti com vontade de ver para conhecer mais sobre o assunto, a anorexia no caso. Eu quis ver para saber se essa menina sairia disso e como isso iria acontecer. Não esperem também um final muito "nossa, ela se curou e tudo ficou bem". A anorexia é uma doença que você trata a vida inteira e o final não vai fugir muito dessa mensagem.


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