Dunkirk

26/07/2017

Dunkirk || Classificação: ★★★★ (Ótimo) || Estreia dia 27 de julho de 2017
Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak


Nolan sendo Nolan no filme de guerra, mas não chega ser sobre o tema, que infelizmente é menos do que poderia ser. Isso é Dunkirk, um filme onde o diretor de The Dark Knight, A Origem e Interestelar mostra tudo o que sabe e todo o seu enorme talento em dirigir/montar um filme, mas esquece o coração de todo bom drama para os seus personagens. Na Operação Dínamo, mais conhecida como a Evacuação de Dunquerque, soldados aliados da Bélgica, do Império Britânico e da França são rodeados pelo exército alemão e devem ser evacuados durante uma feroz batalha no início da Segunda Guerra Mundial.

Não há como negar, o primor na direção de Christopher Nolan atingiu em níveis extremos. Com uma fotografia impecável que não tenta ser mais do que precisa, abrindo planos e fechando nos personagens nos momentos certos. A câmera parece seguir como num documentário mais pessoal, onde acabamos por nos envolver com a desolação da guerra de uma maneira próxima e pungente. Ótima maneira de descrever esse longa: pungente. A trilha sonora aliada à fotografia, cria uma tensão e uma construção de grandiosidade, e o drama para a situação daqueles soldados desolados que poucos cineastas conseguiriam fazer.


Tudo com uma linha do tempo bagunçada – mais uma vez Nolan nos dá um filme não linear – e pouquíssimos diálogos, com reações e expressões que claramente retratam o que pessoas que apenas esperam para fugir ou morrer. Ao retratar soldados e civis – em embarcações resgatando os homens evacuados – o filme se coloca a apresentar de algo bonito e que talvez faça parte do imaginário britânico – quando se pensa em outras obras que abordam a mesma coisa, como O Senhor dos Anéis, o heroísmo do homem comum. Apesar de alguns atos altruístas, os verdadeiros heróis são os ingleses comuns, que foram com suas embarcações civis para resgatarem os seus soldados.

Em uma cena de empolgação vibrante – algo que faz os cabelos dos braços eriçarem, temos o cúmulo de ver apenas o rosto passar de pavor a alívio, para então uma reação de orgulho, enquanto observa as embarcações domésticas chegarem mais perto. Sem dúvidas temos aqui um filme poderoso. O que atrapalha a experiência são os personagens, com falta de diálogos e desenvolvimento de elos que nos façam empatizar com os protagonistas – o filme não conta com apenas um. Todos acabam sendo descartáveis e não nos importamos realmente com nenhum deles, o que evidentemente não auxilia na própria ideia de mostrar a face cruel e brutal de uma evacuação diante de uma das maiores falhas estratégicas do mundo moderno.


Ao final, nem ao menos nos lembramos dos nomes da maioria dos personagens. Um outro ponto negativo é a história não linear, as cenas são quebradas e os núcleos se passam em horários diferentes. Com um bom plot twist que revele algo que estava à vista do espectador e acabe por justificar tal estrutura, teria aí existido algo excepcional. Mas ao contrário, aqui vemos apenas a existência de um capricho estético, algo que apenas confunde o espectador e gera certa decepção ao perceber que não havia valor narrativo algum dos cortes.

 Dunkirk é um filme interessante, incrível e basicamente uma derrota. Tecnicamente impecável e com uma história bem rica e proveitosa, Nolan perdeu aqui sua chance de fazer algo que ninguém fez. Ficou a certeza de que é um diretor ótimo, como já era, mas que vacilou ao escrever e conduzir um arco narrativo plenamente recheado emocionalmente e em manter uma linha narrativa até seu clímax.



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