Tudo e Todas as coisas

14/06/2017

Tudo e Todas as coisas || Classificação: ★★ (Regular) || Estreia dia 15 de junho de 2017
Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak

Quando bem executadas, adaptações de livros adolescentes sobre romance e alguma doença que os faz destinados ao trágico podem ser bonitas, interessantes e bem emocionais. Como alguns filmes bem clássicos mostram, apesar do açúcar. Aqui, o caso não é bem esse, chato e muito mais doce que deveria – vão todos sair diabéticos, Tudo e Todas as Coisas demora para engatar, tem um romance pouco tragável e uma reviravolta que mais parece preguiça do roteiro, ainda que um pouco de emoção venha a calhar.

A trama gira em tordo de Maddie (Amandla Stenberg), que está prestes a fazer 18 anos e nunca saiu de casa. Desde a infância, a jovem foi diagnosticada com Síndrome da Imunodeficiência Combinada, de modo que seu corpo não seria capaz de combater os vírus e bactérias presentes no mundo exterior. Ela é cuidada com carinho pela mãe, uma médica que constrói uma casa especialmente para as necessidades da filha. Um dia, uma nova família se muda para a casa ao lado, incluindo Olly (Nick Robinson), que se sente imediatamente atraído pela garota através da janela, e vice versa.


Os problemas no roteiro são muitos, e não relacionados a ponta soltas ou erros. Ele é chato, maçante e aposta no romance pura e unicamente, sem se ater a outros elementos que nos façam realmente se importar com o relacionamento dos jovens. O início deveria ser justamente a parte que faz jus ao título, mostrando a vida de Maddie e tudo o que ela faz. De fato, algumas dicas ao longo do filme – e algumas ilustrações nos créditos finais – nos levam a crer que o intuito era justamente esse, um passeio pelo mundo da garota que não pode sair de casa, antes de entrarmos nas vias amorosas que todos esperam.

O desenrolar do filme não traz nada muito melhor. Não há outros personagens que possam ajudar a levar a trama, há apenas Maddie, Olly e seu amor juvenil que não pode se auto realizar. Mas sem uma visão mais intimista de Maddie ou um melhor olhar sobre os problemas passados por Olly somos expostos a cena após cena de flertes e olhares que nunca levam a lugar algum. O máximo são alguns detalhes como o astronauta que Maddie gosta de colocar em suas maquetes ou seu gosto por gatinhos na internet, mas nenhum desses traços que trariam a tona a personalidade – e nos dariam ao menos boas cenas interpessoais – é realmente desenvolvido.


A espera pelo terceiro ato parece algo sem fim. Quando chega, finalmente somos agraciados com alguns acontecimentos, o filme dá uma leve chacoalhada e chega a dar um último pique para o que esperamos ser o final, mas esse final não chega. E justo quando parecia que o filme terminaria, temos uma reviravolta surpreendente, que muda toda a cara do filme. Essa tal reviravolta deveria ser taxada de resolução preguiçosa, diga-se de passagem, mas dentro de uma trama onde absolutamente nada de instigante acontece, chega de bom grado.

De fato, com essa mudança de tom para as cenas finais, temos inclusive uma moral importante e interessante, e uma mensagem que é bem vinda. Ainda assim, mesmo esse final é tratado de maneira muito mansa, ninguém fica realmente bravo com ninguém, nenhum personagem estoura, não há uma mínima visão de alteração dramática, apenas o mesmo e velho branco monótono. Tudo e Todas as Coisas não é um filme péssimo, na verdade possivelmente agradará seu público alvo. Mas é muito parado, sem cargas dramáticas que alterem o status quo dos personagens – isso num filme sobre uma menina doente que não pode sair de casa, vejam só.

O romance entre Maddie e Olly poderia ser interessante, mas pouco se vê sobre o garoto e nenhum evento faz com que nos interessemos em ver o desenrolar da história. No fim, se você não curte muito filmes melosos, passe longe desse filme. Se curte, ainda assim há um perigo real de você sair bocejando do cinema.



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