As Irmãs Brontë (2016) || To Walk Invisible

27/06/2017

Quem acompanha o site a mais tempo, ou quem entra por aqui e dá uma olhada na barra lateral, sabe que sou uma grande fã das Irmãs Brontë desde os tempos de faculdade. De lá pra cá, assisti muitos filmes e séries baseados nos livros delas, mas essa foi a primeira vez que vi uma cinebiografia. To walk Invisible: The Brontë Sisters ganhou a tradução de As Irmãs Brontë e conta a história da relação das irmãs com o irmão Branwell. Quando eram crianças, os quatro escreviam e tinham ambições de serem publicados. Porém, o irmão se envolveu com uma mulher casada e não conseguiu superar a rejeição. 

O filme caminha por dois paralelos, o sofrimento do irmão com álcool e a luta das três irmãs para serem publicadas. Enquanto o Branwell não se recupera da rejeição, as irmãs começam a mandar manuscritos de seus romances para editoras. No séc. 19 somente os homens publicavam, então ela decidiram publicar com pseudônimos masculinos. O sucesso dos livros, com pseudônimo, deixou Londres querendo conhecer esses autores, mas elas temiam que ao descobrirem suas identidades os livros parassem de vender e como mulher, elas sofressem retaliações.


Achei a caracterização das personagens muito boas, o físico e a personalidade. A Emily (Chloe Pirrie) era taciturna, brusca e uma amante de animais e desenho, além de cozinhar. Ela sempre está rodeada de cachorros no filme e eu achei tocante eles terem colocado esse detalhe. A Charlotte (Finn Atkins) era a mais ambiciosa das irmãs; queria viver de sua escrita e já tinha em si a revolta de ser considerada inferior por ser mulher. A Anne (Charlie Murphy) era a irmã reconciliadora. Charlotte e Emily não se davam bem e a Anne era a pessoa que ligava as duas. Ela era a mais amorosa e dócil.

A fotografia do filme também é linda. A família Brontë morava no interior da Inglaterra e as famosas charnecas, frias e isoladas, aparecem iguais aos livros biográficos. As roupas e costumes da época mostram como era dura a vida nessas cidades no meio do séc. 19. A trilha sonora não tem relevância, mas um efeito especial interessante associado aos irmãos quando criança dá um toque diferente a toda essa antiguidade. A paleta de cores é melancólica e reflete o tom da vida dos Brontës: sofrimento. São muitas vontade não realizadas, anseios por parte das irmãs que se concretizaram tardiamente e o filme traz essa tristeza de querer e não conseguir.


Especula-se que os seis filhos de Patrick Brontë tenham morrido de tuberculose. Branwell, dos quatro, foi o primeiro e o filme termina ai, pois a ideia, como disse, não era retratar as irmãs, mas a relação dela com o irmão e como isso influenciou seus livros. Eu não sabia em qual personagem o irmão serviu de inspiração e isso é contando. A próxima a morrer foi a Emily, pouco tempo depois do irmão. Vale ressaltar que a Emily escreveu apenas O morro dos ventos Uivantes. Depois foi a Anne, que escreveu A Inquilina de Wildfell Hall e Agnes Grey. Por fim foi a Charlotte, a única que experimentou em vida o sucesso de ser uma escritora. Ela escreveu os livros Jane Eyre, Shirley, O professor e Villette.

As irmãs Brontë foi um filme que eu amei ter visto. É uma história triste, mas também muito emocionante. Como fã, eu me emociono sempre quando leio ou vejo algo delas e essa versão me emocionou particularmente na cena do museu. Tem uma parte do filme que mostra o museu dedicado às irmãs na Inglaterra, que tem suas roupas e a famosa mesa que elas sentavam para escrever. Quando eu vi fiquei me imaginando visitando esse lugar e chorei. Espero poder realizar esse sonho um dia e visitar a cidade delas, assim como esse lugar dedicado a essas escritoras incríveis.


O filme foi produzido para televisão e exibido no fim do ano passado. A BBC está por traz do projeto e quem vê o que a BBC produz sabe que qualidade e conteúdo são aspectos fundamentais em seus trabalhos. As Irmãs Brontë não foge disso. O cuidado deles com os detalhes e as semelhanças com a vida das autoras tornou o filme ótimo. Quem conhece os detalhes da vida delas se emociona, e quem não conhece no mínimo fica curioso. Como que três mulheres, do interior da Inglaterra, tinham uma escrita tão poderosa e tanta imaginação?

Assisti esse filme pelo Looke, um serviço de streaming brasileiro onde você aluga filmes e faz assinatura. Não conhecia, mas achei bom. Ele tem suporte ao Chromecast o que é ótimo.

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