O Dia do Atentado

11/05/2017

O Dia do Atentado || Classificação: ★★★ (Bom) || Estreou em 11 de maio de 2017 
Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak


No que se propõe, o filme sobre um dos piores atentados acometidos em solo americano e com tremenda reação popular. O Dia do Atentado é não apenas, muito bem sucedido mas, também funciona como uma ótima homenagem. E ainda que não cause o mesmo efeito sobre nós – o resto do mundo – como possivelmente se sucede sobre americanos, e principalmente sobre os residentes de Boston, ainda assim traz um drama documental que apresenta mais as vítimas e aqueles que participaram do terror do que o usual.

Não contendo grandes heróis mas, os cidadãos da cidade que demonstraram uma força inspiradora diante do desespero que caiu sobre a cidade. Um filme não perfeito, mas importante e inspirador. Acompanhando alguns personagens nos momentos pré e pós atentado à Maratona de Boston 2013, temos um retrato próximo e eficiente dos heróis comuns que ajudaram a transformar um momento de terror em algo inspirador, que transformou bombardeios de fanáticos religiosos em um slogan: “Boston Strong” (Boston Forte, tradução livre).



Os problemas desse longa estão mais no roteiro que nas atuações ou na direção. Na apresentação dos personagens as interações interpessoais podem parecer forçadas, numa tentativa exacerbada de humanizar os heróis da trama. Tudo parece levemente superficial demais e algumas linhas de diálogo não refletem situações humanas normais. Talvez o erro esteja em não apostar nas reações ao longo da trama para caracterizar os personagens e sim em suas introduções, mas algo parece estranho no primeiro ato e nas primeiras impressões dos protagonistas.

Ainda assim, Peter Berg acerta ao levar o longa com um estilo documental, trazendo planos e cortes das vidas íntimas daqueles que estiveram envolvidos em toda a situação – mostrando inclusive os realizadores do atentado e mostrando suas hesitações, humanizando aqueles que normalmente seriam mostrados apenas como vilões fanáticos. Ao desenrolar da trama, temos ações heroicas de pessoas comuns, dando apelo ao slogan que ganhou grande comoção devida a reação de grande parte da população aos ataques terroristas.


O filme retrata bem os medos, os dramas e as vidas dos protagonistas da situação, e nos traz uma imagem de vários envolvidos, não apenas da polícia e dos terroristas mas também de vítimas. Ainda assim, o filme parece maniqueísta ao desenvolver a reação da população de Boston como a representação mais pura e simples de amor, e os atentados como um claro ataque de ódio de antagonistas do estilo de vida americano.

Essa dualidade construída parece às vezes forçada, quando todos os americanos aparecem como pessoas amorosas e vítimas de uma situação catastróficas – longe de não serem – e todos os muçulmanos aparecem como fanáticos religiosos, sem citar de maneira enfática os motivos desses realizarem tais atos. Ao final, O Dia do Atentado funciona como homenagem e emociona, mas falha ao vilanizar, ainda que tente humanizar os antagonistas. É como um filme de guerra onde o outro lado é o vilão e os únicos personagens mais humanos são aqueles que, de alguma forma, seguem algo da moral ocidental.

 Longe de construir algum juízo de valor sobre os conjuntos morais, a falta de personagens com visões diferentes de ambos os lados claramente passa uma mensagem. Ainda assim, o longa funciona ao passar o desespero das vítimas e nos sensibiliza para algo que muitas vezes parece longe e nos é mostrado apenas através de noticiários, onde os feridos e mortos são apenas números. Vale a pena ser assistido, apesar dos pesares.




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