Quando a Bela domou a Fera || Eloisa James

17/04/2017


Como resistir a um romance histórico baseado em A Bela e a Fera? Não tem como né gente. Quando a Arqueiro divulgou as informações desse lançamento eu fiquei doida para ler. Depois de ir no evento dos romances históricos aqui em Brasília, não pude adiar mais e li. Ele conta a estória da engraçadíssima  e bela Linnet, uma jovem debutante em Londres que se envolve em um escândalo. Sua reputação fica em ruínas ao se envolver com um príncipe e agora suas chances de se casar se resumiram a nenhuma.

A solução para esse problema está no conde de Marchant, um médico recluso que todos chamam de Fera. Ele tem um temperamento instável e um defeito na perna que acabou deixando ele impotente, pelo menos é o que todos dizem. Para Linnet seria perfeito, pois ela não precisaria se preocupar com um casamento ruim já que ele nunca seria consumado e Piers, ou Fera, teria uma companhia. Só que tudo o que Piers menos quer é um casamento. Ele está feliz na sua reclusão e sendo rabugento com tudo mundo, além do que, sua instabilidade também está ligado a dor na perna.

A Linnet é uma personagem ótima. Calma e sarcástica, engraçada e inteligente. Ela é submissa em relação ao pai, mas nos momentos certos se revela dona do seu caminho. A ideia de se casar com Piers só lhe agrada porque ela pensa que ele é impotente, e por isso ela não terá que ser uma esposa no termo íntimo da palavra. Se não fosse por isso, talvez ela nem fosse conhecer Piers. Quando chega no castelo dele, ela se encanta por sua inteligência e físico, mas o temperamento de Piers é difícil de suportar. Mas, com jeito, o que é que nós mulheres não conseguimos?

Dessa vez, ela passou os dedos por baixo do braço dele. Ela até que gostava de todos aqueles músculos sob sua mão. Parecia que estava domando a fera selvagem.


A construção do personagem Piers é baseada no personagem House, do seriado médico americano. Para quem não está familiarizado com o nome, ele é um médico com problema na perna, usa bengala assim como Piers, e é brilhante ao mesmo tempo que é intragável. Eu não acompanhei House, mas sei como é o personagem e os dois são parecidos até certo ponto, depois cada um desenvolve a sua própria personalidade.

O que me encantou no Piers é que ele tem uma carapaça dura, mas por baixo disso tem um homem louco para se apaixonar, para deixar que o amor o transforme numa pessoa melhor. Até chegar na parte boa, a Linnet enfrenta muito sarcasmo, gritos, respostas na cara e mau-humor. Ele é inteligente, sabe disso, e usa esse fato contra todo mundo. Mas também é o tipo de homem que está com você até o fim e a gente percebe o bom coração dele ao longo do seu amadurecimento emocional, com o primo, pai, mãe e pacientes.

A leitura desse livro é tão gostosa, porque ele é engraçado quando tem que ser, mas também tem cenas de romance e drama. As brigas entre a Linnet e Piers e dele com todo mundo basicamente é a parte cômica. Quando eles se acertam, o romance floresce. Isso acontece relativamente rápido, mas em questões praticas, sexo. Depois as cenas começam a ter mais romance, serem bonitinhas por assim dizer. Os dois crescem ao longo do livro e percebem que são melhores juntos. As cenas sensuais não são tão descritivas e foram pensadas para complementarem o enredo e não para serem o foco.

A sua maneira, Linnet era a versão feminina dele próprio: detestável, bonita demais, inteligente demais, mordaz demais.
Não que ele fosse bonito.


Vale ressaltar que a autora trouxe todo esse contexto médico para o livro com bastante coerência. O Piers não é médico só para ser parecido com o Hause. O castelo dele também é um hospital e a autora insere o leitor no que seria tratar pessoas no séc. 18. Tudo era na base da percepção, em juntar sintomas e ir meio que na sorte. Na estória terá um surto de uma febre e Piers e seus alunos demoram a saber o que é e as pessoas precisam ser levadas para longe... tenso e bem ambientado com a proposta do livro.

Acho que eu nunca tinha favoritado um romance histórico até ler Quando a Bela domou a fera. E eu nunca tinha chorado lendo um livro desse gênero também. Foi uma surpresa tão grande que um romance histórico me emocionasse e envolvesse, que eu ainda estou meio chocada. Não estou tirando os méritos do gênero, longe disso. Esses são os romances que eu mais leio e certeiros, aqueles que eu sei que vou gostar, mas eu não esperava gostar tanto. A cena que me emocionou é a do Piers tratando um paciente e colocando toda a sua alma de médico e de ser humano nisso, chorei.

A leitura foi deliciosa, engraçada, emocionante e rápida. Em menos de três dias eu já tinha finalizado o livro e estava órfã de Eloisa James. Claro que o fato dele ser uma releitura do meu conto de fadas favorito contribuiu para isso, mas só um pouco. Os méritos mesmo são da autora que construiu um romance engraçado, bem escrito e envolvente. Agora as minhas expectativas para os próximos estão lá em cima, não vejo a hora de ler. Já me contaram que são melhores do que esse. Será que eu aguento esperar ou morro antes da editora lançar? A dramática em mim manda lembranças.

Estou apenas sentindo pena de mim mesma. Eu me apaixonei pelo seu filho impossível. Me apaixonei perdidamente. E, agora, preciso traçar uma vida sem ele. O que eu farei.
 
www.sejacult.com.brQuando a Bela Domou a Fera
Eloisa James
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Um comentário:

  1. Oi Denise.

    Amei sua resenha, estou louca por esse livro.
    Espero poder ler logo.

    Beijos
    Alana Marques
    colecionadoresdelivross.blogspot.com.br

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