A Cabana

03/04/2017

A Cabana || Classificação: ★★★ (Bom) || Estreia em 6 de abril de 2017
Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak


O filme baseado na obra best-seller e que não deixa a dever nada. Captura bem a sensação de ódio e impotência do protagonista diante de sua tragédia; e constrói seus personagens (incluindo a divina trindade) de maneira que o espectador entre no filme e acredite. Porém, se você já não tem uma espiritualidade assídua ou não acredita em Deus, A Cabana pode não convencer. É um filme sobre fé, mas não é “evangelizador” por assim dizer.

Um homem vive atormentado após perder a sua filha mais nova, cujo corpo nunca foi encontrado, mas sinais de que ela teria sido violentada e assassinada são encontrados em uma cabana nas montanhas. Anos depois da tragédia, ele recebe um chamado misterioso para retornar a esse local, onde ele vai receber uma lição de vida. Sam Worthington chega a surpreender com sua atuação, se passando por um pai em depressão sem apelos ao melodramático. É enxuto e convence não com choros espalhafatosos, mas pela falta de expressão e vida nos olhos, que era visível a existência no início. Isso além da forma com que explode nas situações que deve.


Octavia Spencer é sem dúvidas a melhor das três personificações de Deus, sendo ela o Pai e tendo ainda o Filho (Avraham Aviv Alush) e o Espírito Santo, ou Sarayu (Sumire Matsubara). O único problema visível nessa representação não tradicional da santíssima trindade é como é dito – e possivelmente o filme deveria refletir isso – que Mack (Sam worthington) se sente mais a vontade perto do Filho (Jesus), mas isso é aparente apenas pelas falas, sendo que o Pai se demonstra bem mais casual e despojado que os outros dois – possivelmente pela atuação de Octavia.

Perdendo o sentido na situação em que o personagem de Avraham diz que ele é mais fácil de se relacionar, por ser humano. De mais, o filme é visualmente lindo. A câmera não ousa muito, mas todo o visual da arte e da fotografia é competente em construir uma cabana ao mesmo tempo fantástica e realista, além da alteração de cores que revela um local bem mais pacífico que o mundo externo. De fato, todas as áreas mostradas pelo filme servem bem a narrativa e causam os impactos devidos, mas – talvez devido à câmera muito tradicional – ainda assim o desenrolar parece um pouco genérico.

A Cabana é um filme redondo, que consegue falar sobre o tema que se dispõe e possivelmente faz jus a sua contrapartida literária. Dito isso, o filme carece de algo que o torne mais que um longa sobre fé, parecendo fraco pra quem não tem aflorado esse lado espiritual. É uma obra competente, mas não é nada além de bom.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Tecnologia do Blogger.