Power Rangers

24/03/2017

Power Rangers || Classificação: ★★★ (Bom) || Estreou em 23 de março de 2017 
Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak

“Go, go, Power Rangers!”, um verso de uma música que para sempre marcou uma geração. 


Nesse novo filme, que refaz a história da primeira temporada da lendária série infantil, temos um respeito enorme pelos fãs ao mesmo tempo um respeito pelo próprio cinema. Redondo, fluído e divertido, é um alívio saber que Power Rangers é bom. A jornada de cinco adolescentes que devem buscar algo extraordinário quando eles tomam consciência que a sua pequena cidade Alameda dos Anjos – e o mundo – estão à beira de sofrer um ataque alienígena. Escolhidos pelo destino, eles irão descobrir que são os únicos que poderão salvar o planeta. Mas para isso, eles devem superar seus problemas pessoais e juntarem sua forças como os Power Rangers, antes que seja tarde demais.

O filme começa com uma pequena história – um pouco forçada – sobre os Rangers anteriores, que lutaram contra Rita há 65 milhões de anos – um pouco mais que os 10 mil da série original. Uma boa introdução que explica um pouco melhor, mas ainda fanfarronamente, como os morfadores estão na Terra, assim como Zordon e Rita. Mais precisamente, explica porque todo o enredo se passa numa pequena cidade como Alameda dos Anjos, algo que nem ao menos era pincelado na série original, que começava com Zordon pedindo a Alpha para “recrutar cinco jovens com garra”. Uma melhoria esperada ao se passar para o cinema mas que ainda não se rende a uma seriedade tão comum, ao longo do filme esse acerto é repetido.


O que se desenrola então é uma longa introdução de personagem, que vai durar, basicamente, todos os dois primeiros atos. Com um tempo tão longo de tela para desenvolvimento, os cinco atores conseguem fazer com que todos os personagens se tornem relevantes, tridimensionais e extremamente carismáticos, além de construir de maneira incrível – algo muito raro em filmes do tipo – o relacionamento entre eles. Ao final, não só conhecemos profundamente todos os anseios e medos dos rangers, conhecemos também o que fundamentou a amizade do grupo, algo importantíssimo para o desenrolar do filme. A capacidade de morfar e trabalhar em equipe está profundamente ligada à amizade dentro da equipe, e isso é muito bem desenvolvido, de maneira que quando os frutos de estarem bem integrados surgem na tela, não parece forçado.

É interessante ressaltar que a atuação dos cinco protagonistas está ótima. Seus personagens, bem mais profundos que o esperado, são carismáticos e muito diferentes entre si, o espectador se importa com todos. Além disso, ponto para a diversidade apresentada em tela: temos pessoas de várias etnias, temos pessoa autista, homossexual… A variedade de problemas diferentes que os cinco passam é parte do que os torna interessantes e isso é um ponto muito grande não apenas para o diretor ou roteirista, mas também dos atores que passam isso em tela de maneira ótima.


O ponto fraco talvez seja justamente a demora na introdução. Não parece ser algo que estraga plenamente a experiência do filme, mas todos queríamos ver mais lutas dos rangers de uniformes e lutas de robôs. Infelizmente, esse é o carma de praticamente todo filme de origem de equipe, não há tempo em tela o bastante para desenvolver todos os personagens e também por cenas de ação o bastante. Aqui, escolheu-se desenvolvimento de personagem e, mesmo com uma criança interna querendo ver mais e mais lutas, parece uma escolha acertada dentro do tema do filme.

Mas mesmo que demore, os Power Rangers com seus trajes lutando e a luta com os zords é incrível. A forma que eles surgem, lutam, e falam entre si é um deleite aos olhos dos fãs. Os trajes fazem jus aos originais, sendo diferentes mas mantendo a essência dos originais. Toda coreografia é montada de maneira que lembre as bregas lutas da série, e é um ponto acertadíssimo. Quanto aos zords, nem se fala.


Sem medo de ser cartunesco e brega, os robôs são claramente um t-rex, um triceratops, um pterodáctilo, um tigre dentes de sabre e um mamute. Ainda que com algumas modernidades e design que mostre levemente, os animais estão ali, robôs animais lutando com um monstro gigante, isso é Power Rangers, e é ótimo – detalhe para o tema original sendo tocado enquanto as máquinas correm pela pedreira. Não esquecer que o surgimento do Megazord é incrível e de se fazer brilhar os olhos, o final do filme de fato homenageia a franquia em todos os pontos necessários, de fato.

Power Rangers é um filme muito bom, acerta tanto no desenvolvimento dos personagens e na construção da narrativa quanto nas homenagens e nas cenas de ação. Peca apenas no balanço entre as duas coisas, tendo pouquíssimas batalhas e uma visão rápida demais dos zords ou dos trajes. É, entretanto, um filme que vale a pena ser visto e vai bem utilizando uma fórmula já esgotada com um estilo próprio e interessante. Aliás, Power Rangers tem cena pós créditos, e é bem legal para quem acompanhava a série.



Um comentário:

  1. Oie, tudo bem? Eu tb gostei muito do filme, acho que eles acertaram bem na escolha do elenco e o enredo vai além da série. Agora é esperar a continuação!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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