Fragmentado

24/03/2017

Fragmentado || Classificação: ★★★★ (Ótimo) || Estreou em 23 de março de 2017 
Texto: Ana Marta || Revisão: Kamila Wozniak 

“Será o grande retorno de M. Night Shyamalan?”


Depois de uma leva de filmes medianos, M. Night Shyamalan nos presenteia com uma ótima sessão de suspense e terror. Sem mencionar uma narrativa bem elaborada que tinha todas as chances de cair nos clichês comuns. O filme conta de três meninas que foram raptadas por Kevin (James McAvoy), que possui 23 personalidades e consegue trocá-las com a força do pensamento. E durante o cativeiro, elas precisam conhecer cada uma das personalidades para conseguir uma forma de fugirem. Vamos dizer que eu não esperava muito desse longa após as derrapadas feias de Shyamalan.

O que surpreendeu foi como a narrativa de forma simples e com alguns sub-tramas bem fortes, trouxeram com excelência os personagens e seus respectivos atores; e um tom de suspense e terror a história. É difícil dizer algo do filme que não possa revelar muito da história. Afinal a narrativa é rica de detalhes pequenos que depois serão o “grande desfecho” da história. Começando com a parte de apresentação de seus personagens, que vão crescendo durante o desenrolar da trama. E momento nenhum, o tom narrativo te traz uma expectativa que possa se tornar um “final feliz”. Apenas finalizando de uma forma aterrorizante e até mesmo com “fã-service” para aqueles que admiram os filmes do diretor.


Um ponto alto seria o debate de pessoas com síndrome de transtorno de personalidade, trazido pelo personagem Kevin. O diretor consegue construir bem o lado psicológico do personagem na história sem transformar tornar algo romanceado. Apenas mostrando uma parte – mesmo que ficcional – de como seria uma transformação do personagem convivendo com as suas personalidades múltiplas e o que afetaria no convívio na sociedade – que seria a doutora Dra. Karen Fletcher (Betty Buckley) e as três meninas que raptou.

Outra peça que se encaixa e que tem uma elevação harmônica, sem decair na história, é o personagem Kevin interpretado por James McAvoy. O ator trouxe de forma distinta os jeitos, comportamentos e perfis de cada personalidades, te fazendo acreditar em cada uma delas, nas suas convicções e os seus desejos. McAvoy trouxe com excelência cada perfil de uma forma suave e graduável, assim o espectador – sem precisar de explicações na trama – saberá “quem é quem” em cada situação proposto pela história. O ator não é o único a brilhar, a atriz Anya Taylor-Joy traz a personagem Casey Cooke que em poucos diálogos na história traz uma interpretação mais corporal e convincente.


Através da narrativa do passado ao contar um pouco da personagem e conectando com o presente – durante o cativeiro – soube equilibrar bem o perfil da personagem. Teremos os outros personagens que são peças essenciais para a história, mas os atores McAvoy e Taylor-Joy são os que se destacam nos personagens e nas suas interpretações. Outro ponto interessante é como o cenário e a trilha sonora conseguem captar; e trabalhar em conjunto com a trama para trazer um tom de suspense e terror.

Terão os momentos de sustos como qualquer outro filme do gênero, mas o foco narrativo é como surpreender o espectadores nos pontos de viradas até a chegada do clímax principal – sem dar muitos detalhes, abordando de forma dramática o trauma de infância vivida pela personagem de Taylor-Joy. Tudo com um pouco de desconforto por ver tentativas das três meninas tentarem escapar do cativeiro e as reações de Kevin que vão se transformando ao decorrer da história.

Enfim, Shyamalan consegue retornar as suas raízes e trazer bem um assunto simples com outros temas reais, sem cair no clichê básico dos filmes do gêneros. Super recomendado!




2 comentários:

  1. Olá, Denise.
    Acredita que não assisto muitos filmes e quando assisto nunca sei quando é o diretor? hehe. Por isso nem sei quem ele é hehe. E não sei se assistiria esse filme especificamente, não gosto muito do gênero e acho que ficaria meio perdida com esse monte de personalidades hehe.

    Prefácio

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    Respostas
    1. Olá Sil! Esse um dos melhores diretores atualmente, com certeza você não vai ficar pedida e muito menos "não gostar" da história. O filme consegue explicar visualmente e nos próprios diálogos as 23 personalidades. Não tem como se perder.

      Super recomendo!

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