O chamado 3

02/02/2017

O Chamado 3 || Classificação: ★ (Ruim) || Estreia em 02 de fevereiro de 2017
Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak


Direção perdida, roteiro ruim e elenco medíocre; essa é a melhor maneira de descrever a continuação desse clássico de terror. Como muitos outros, sofre nas mãos de continuações fracas, incapazes de entender o conceito da ideia original e muito menos de compreender o que realmente tornou o original o fenômeno que é. No longa, Holt (Alex Roe) vai para a faculdade. Depois de dias sem responder nenhuma ligação/mensagem, recebe uma suspeita ligação pelo seu número de uma suposta colega de faculdade perguntando o que fez com ele.

Sua namorada Julia (Matilda Anna Ingrid Lutz) resolve ir atrás do garoto e descobre uma sinistra experiência em curso utilizando o vídeo de Samara Morgan. A primeira coisa a se destacar nesse filme é a incapacidade da produção quanto do diretor de compreender o conceito por trás de Samara em O Chamado. O remake do original japonês de 98 Ringu, o original conseguia seguir a lógica oriental de terror, onde o ambiente propicia o medo e a figura sinistra de Samara (no original Sadako). Que surge lentamente, causando angústia no espectador.

Apenas de imaginar a fantasma do filme, qualquer um que conheça já é capaz de imaginar ela lentamente saindo da tela de uma TV e, em meio a cliques de existência e aparentes interferências, andar até sua vítima e matá-la a deixando com um rosto distorcido de pânico. Mas esse filme, por pura falta de vontade ou desconhecimento, aposta em cortes rápidos e sustos baratos – clássico em terrores americanos. A consequência é uma Samara que aparece apenas duas vezes em todo o filme. Além disso, o filme de alguma forma tenta transformá-la em heroína em determinado momento.


Cria um sentido para a existência da vídeo (um suposto chamado de ajuda) e transforma toda a história em um episódio pouco inspirado da série Sobrenatural. A verdade é que o filme falha em tentar renovar a figura de Samara e falha em servir como terror, quando o maior susto que passa é o de um guarda-chuvas repentinamente se abrindo na frente da tela depois de um corte de cena. O elenco fica todo refém da mediocridade do roteiro e direção, os dois protagonistas porém tem clara incapacidade de passar o desespero que alguém deveria sentir nas situações que se metem e rapidamente sentimos falta da presença de Naomi Watts.

Vincent D’Onofrio, sempre excelente, não consegue salvar nem mesmo as cenas em que está presente, tão fracos os diálogos e situações escritas para que esteja. Johnny Galecki, no início, parecia ser a ponta que poderia dar um pouco de luz, mas seu personagem é extremamente mal utilizado e no fim, acaba caindo na mesmice de outros personagens suporte em filmes ruins do gênero. O Chamado 3 é um insulto tanto à franquia quanto ao gênero que pertence. Ao tentar dar uma nova cara ao mito de Samara – e os produtores tinham aqui uma oportunidade de ouro, com tantos supostos vídeos amaldiçoados da deep web e os contos da creepypasta fazendo tanto sucesso como sempre – simplesmente transformaram tudo em uma comédia de mal gosto, uma história ruim que ao invés de assustar, faz rir.

É triste ver quando aqueles em comando de nomes tão fortes para o terror, ao tentar trazê-los com nova roupagem e uma nova era, falham tão miseravelmente pelos simples fato de não se importarem em fazer um bom filme.




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