Armas na Mesa

02/02/2017

Armas na Mesa || Classificação: ★★★ (Bom) || Estreia em 02 de fevereiro de 2017 
Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak

Até que ponto você iria para vencer?

 Essa é a pergunta que Elizabeth Sloane (Jessica Chastain) responderia facilmente como qualquer bom personagem protagonista de thriller político. A pergunta realmente interessante – dirigido por John Madden (O Exótico Hotel Marigold 1 e 2) – levanta uma questão: “Até que ponto você iria para fazer o que acha certo?” “Ou talvez, os fins justificam os meios?” Isso é um ponto que o filme lida bem, trabalhado em um roteiro rápido que joga o espectador direto no mundo do lobby político. Elizabeth Sloane é uma das lobistas mais poderosas dos Estados Unidos, conhecida por usar uma série de estratégias ilegais para atingir os seus objetivos.

Um dia, é abordada para apoiar a bancada mais poderosa do congresso americano: os senadores pró-armas. Contrária à ideia, ela pede demissão e passa a trabalhar para o lado oposto, na intenção de conseguir leis mais rígidas para o porte de armas. Sloane começa a sofrer um série de ameaças pessoais e profissionais, e começa a questionar os seus limites dentro desta profissão. O longa começa com uma série de diálogos rápidos acerca de política e aprovações de leis. Aqui parece não haver uma tentativa de dar ao espectador uma explicação mastigada sobre o assunto que a história vai se tratar.


Somos jogados direto na dinamicidade que é o mundo do lobby e nossos cérebros são obrigados a se acostumarem rapidamente com a velocidade dos diálogos e os vários termos existentes no meio. Impressionantemente, depois do primeiro ato somos capazes de compreender completamente as situações que o filme apresentará, ponto por não tratar o espectador como um idiota, manter a velocidade necessária para gerar tensão e não deixar o longa confuso. Apesar de todo o elenco estar ótimo, é claramente Jessica Chastain que rouba a cena. Fazendo uma personagem aparentemente sem coração, preocupada mais em vencer que em qualquer coisa – e que renega uma vida particular, trocando isso por drogas para se manter acordada e prostitutos, Chastain dá nuances à personagem de maneira incrível.

Sem apelar para atuações exageradas, temos flashes dos problemas e sentimentos de Sloane, o que dá uma humanidade incrível à protagonista e ajuda a simpatizarmos com ela, mesmo sabendo do quão canalha e sem escrúpulos é. O filme apresenta uma série de plot twists, demonstrando sempre uma carta na manga de Sloane, alguns previsíveis, a maioria ótimos. O filme é rápido e confuso – como devia ser – no primeiro ato, se desenvolve de maneira ótima, diminuindo o ritmo mas aumentando a tensão e se aprofundando nos personagens. Finaliza com um terceiro ato novamente acelerado que culmina em um fim ótimo – falar mais que isso certamente estragaria a experiência.


Armas na Mesa é um ótimo suspense político como não se fazia há alguns anos, com certeza não detém uma grande profundidade, mesmo abordando um tema tão complexo como a regularização das armas – o que o longa apresenta no ponto certo, dialogando sobre, mas se alongado mais no lobby em si. Ainda assim, um momento em que Sloane pergunta à outra personagem (Esme, vivida por Gugu Mbatha-Raw) porque todos apoiam causas quando têm algo pessoal envolvido, dizendo como ela é a favor da lei que regulariza armas apenas por achar que é o correto. O filme se adentra num caráter interessante e inusitado da personagem, que além de vencer, quer tentar fazer o que acha correto.

Um filme não incrível, mas que merece ser visto, com certeza.




Um comentário:

  1. Oi, como vai? Fiquei sabendo sobre esse filme ontem e achei muito legal a premissa dele. Mesmo não entendo bem o que um lobista faz, acho que o filme retrata muito bem a política e a personagem principal que acaba tendo a determinação como sua característica predominante. Quero muito assistir!
    Beijo, Leitora Encantada
    Promoção 4 anos de blog Minhas Escrituras

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