A Lei da Noite

26/02/2017

A Lei da Noite || Classificação: ★★★★ (Ótimo) || Estreou em 23 de fevereiro de 2017
Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak


Ben Affleck é definitivamente melhor diretor do que ator, e isso fica claro nesse drama de gângsters. Toda a direção, da fotografia ao figurino, é linda e segue um filme que tem uma boa história. É uma pena que Affleck tenha resolvido colocar a si mesmo como o protagonista num filme completamente baseado na transformação e nos reveses privados do personagem, o que pede um nível de atuação que o diretor e roteirista definitivamente não tem. O filme segue a vida de Joe Coughlin (Ben Affleck), um irlandês que depois de voltar da primeira guerra mundial, resolve que nunca mais seguirá ordens de outros.

Ao chegar em Boston, se torna um ladrão – de bancos, clubes de apostas e qualquer coisa que renda dinheiro. Um revés o força então a trabalhar com Maso Pescatore (Remo Girone), que o envia para Tampa a fim de assegurar o monopólio das rotas de rum. Um aspecto que pode ser visto tanto como algo bom como ruim é a forma com a qual a narrativa se desenvolve. Seguindo a mudança de perspectivas de Coughlin, o filme se inicia como uma trama de ladrões envolvidos com a máfia, se torna vingança e ganha ares de Scarface, se desenrolando ao fim num tema de redenção.


De uma certa forma, a trama não convencional pode parecer bagunçada e com dificuldade de encontrar o tom correto a uma primeira vista, porém é justamente a ligação contínua do tom do filme com a mudança do protagonista que torna tudo mais interessante. O problema em vista da forma com que o filme se desenrola, é com o próprio Affleck. Ainda que faça um ótimo trabalho com o roteiro e a direção do filme, ambos espetaculares, sua atuação não sustenta o drama interior e as nuances na alteração do personagem. Assim, se torna mais difícil perceber como o filme vai se mudando junto com Coughlin, o que certamente causa estranheza no espectador.

A atuação de Ben Affleck está longe de ruim, e seu porte enorme confere a presença que o personagem necessita, mas ainda assim não está a altura do que o filme precisava. Quanto a todo o resto do longa, tudo é ótimo. A trilha sonora se incorpora perfeitamente ao filme, a fotografia e os planos do filme estão belíssimos; e seguem o ritmo e a estética do filme de maneira excepcional. Todo o elenco está inspirado e mesmo com uma quantidade enorme de personagens, nenhum fica pouco desenvolvido e nenhuma ponta solta é largada.


Detalhe especial para as cenas de perseguição em Boston com os carros de época, se foi gravado em computação gráfica é impossível notar, se foi gravado com carros reais que torna tudo ainda mais mágico. Voltando ao enredo, um detalhe é a forma com que o filme se fecha perfeitamente. Todo o tema, tal qual é explicitado por Thomas Coughlin – pai do protagonista, que tudo que um homem faz retorna para si, é introduzido e concluído de maneira incrível.

Como já dito antes, absolutamente nenhuma ponta é deixada solta, todos os temas e personagens introduzidos recebem seu fechamento apropriado, o que é um feito e tanto para o roteiro de Affleck, onde ao adaptar um livro conseguiu manter a coesão. A Lei da Noite é um filme de gângster sensacional que merece ser visto. Não entrará para o hall dos grandes clássicos do gênero – que não é pequeno, mas realmente não faz feio perante outras obras e vem como uma boa adição para os que curtem dramas de criminalidade e máfia.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Tecnologia do Blogger.