A Grande Muralha

26/02/2017

A Grande Muralha || Classificação: ★★★ (Bom) || Estreou em 23 de fevereiro de 2017
Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak


Um filme de guerra chinês protagonizado por um americano e feito em Hollywood, essa é a melhor forma de descrever esse longa. Que pode não ser uma enorme proeza em termos de roteiro, mas é feito com um estilo e esmero muito incomuns nas fantasias americanas. No século XV, um grupo de soldados europeus está à caminho da China, tentando adquirir um lendário pó negro capaz de explodir exércitos inteiros. Acabam então se deparando com a Grande Muralha. Aos poucos eles percebem que o intuito não é apenas proteger a população do inimigo mongol e que a construção esconde na verdade um grande segredo.

Yimou Zhang (Lanternas Vermelhas, O Clã das Adagas Voadoras) nos monta um filme redondo. Com uma trama extremamente batida, o filme se desenvolve fugindo de vários clichês que pareceriam óbvios, e conseguindo com poucos diálogos bem expositivos e uma ação bem construída, a criar um bom ritmo e andamento. Na arte é interessante pontuar a clara influência de filmes chineses. As cores são extravagantes, com personagens de armadura azuis e vermelhas. Isso tem um motivo dentro da história (separando infantaria de arquearia e assim em diante), mas claramente têm um significado maior dentro do filme, onde a cor é ainda ligada a um animal específico.


Isso pode soar brega para os desavisados, mas torna o visual do filme diferenciado e bem impressionante. Matt Damon mostra mais uma vez, que sua especialidade são filmes de ação. Sem exagerar muito ou dar tons que não deveriam ao personagem, Damon interpreta um protagonista no melhor estilo redenção – onde fez coisas horríveis e conseguirá se tornar um herói. Interessante pontuar que, fugindo do que se costuma fazer em outras obras do gênero, em A Grande Muralha o protagonista não fala quase nada – além de algumas frases vagas – de seu passado. Sabemos que já lutou como mercenário em várias guerras por diferentes bandeiras, mas isso basta para apresentá-lo.

No mais, o filme tem um ritmo bom. O segundo ato parece um pouco parado e o roteiro parece raso demais para ter incluso em si muita enrolação, ponto para Zhang que preenche muito bem o vazio da história. Com uma boa trilha sonora e fotografia linda, A Grande Muralha é uma surpresa boa já que pelos trailers parecia ser apenas uma fantasia de época ruim, como tantas que vemos sair. Divertido, diferente e bem desenvolvido são os adjetivos certos para esse longa.



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