A Bailarina

25/01/2017

A Bailarina || Classificação: ★★ (Regular) || Estreia em 26 de janeiro de 2017
Texto: Murilo Maximiano || Revisão: Kamila Wozniak


Numa animação tecnicamente linda, mas de péssima dublagem, roteiro e direção. Temos uma mensagem genérica de superação e um filme que não pode ser tomado por infantil como desculpa para suas terríveis falhas. Crianças não são estúpidas e temos várias incríveis animações infantis para provar isso. No longa, Féllice – uma garota órfã que sonha em ser bailarina – foge de um orfanato em uma zona rural na Bretanha com seu melhor amigo, Victor – aspirante a inventor – para Paris.

Lá, se passa por outra pessoa e consegue uma vaga no Grand Opera. O primeiro problema do filme é como o roteiro subutiliza seu mote inicial tão tocante. Ao apresentar uma garota bretã apaixonada por dança tentando entrar numa casa de balé, tínhamos ali uma grande chance de vislumbrar um ótimo filme sobre aceitação. No entanto, o roteiro se perde em milhares de subtramas onde nada é realmente aprofundado. No fim, nenhum dos pontos iniciados é bem aproveitado, não criamos empatia pelas colegas do balé, não nos interessamos pelo passado do instrutor e vemos muito menos do que queríamos do carismático Victor. A animação em geral é ótima.


O design dos personagens e toda a movimentação não perde em nada para as maiores produções do gênero e o início do filme nos empolga. Mas no final, sem personagens bem construídos, uma trama bem desenvolvida e um timing decente, nada ali se desenrola propriamente. Alguns personagens inclusive mudam de motivação da água pro vinho, tornando cenas que almejavam o drama em comédia. O ponto de maior problema, no entanto, reside na trilha sonora. Em praticamente todos os momentos em que as personagens vão começar a dançar, uma música pop é tocada por cima, emudecendo os clássicos de balé e quebrando de maneira plena a imersão no mundo.

O mais irritante é ao final, quando se preparam para dançar O Quebra-Nozes, sobem no palco e ao invés de ouvirmos o clássico de Tchaikovsky, elas rodopiam ao som de uma música pop. Beira ao absurdo. Ao final, A Bailarina tem boa animação e alguns personagens carismáticos, como a própria protagonista. Porém tudo subutilizado e mantido num enredo fraco, sem paixão ou criatividade. Um filme que prova – novamente – que apenas desenhos bonitos não fazem uma animação digna. E mais uma vez, crianças não são estúpidas e ser infantil nunca será desculpa para ser um filme ruim.



2 comentários:

  1. Oi,
    eu estava morrendo de curiosidade para ver essa animação. Mas depois que li sua postagem, já não tenho tanta certeza se ele será bom. Vou assistir para ver, também.

    Beijos,
    Jéssica

    https://snowhitejt.blogspot.com.br/

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  2. AI MEU DEUS COMO AMO ESSAS CRÍTICAS BEM FEITAS
    Enfim, não sou muito ligada nisso de estúdio e tal mas os traços me lembram a menina do DivertidaMente (que eu amei)
    A premissa de A bailarina de cara já não me encantou e depois de ler a resenha e ver que tentaram criar várias tramas sem se aprofundar em nenhuma desanimei de vez.

    Beijos,
    Kemmy - Duas Leitoras

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