Cine Cult: Capitão Fantástico

13/12/2016

Capitão Fantástico | Classificação: ★★★★ (Ótimo) | Estreia em 22 de dezembro de 2016
Texto: Murilo Maximiano | Revisão: Kamila Wozniak


Existem filmes que desafiam nossa noção de certo e errado e, mesmo mostrando personagens e visões ideologicamente diferentes das nossas, ainda consegue cativar e nos manter pensativos sobre muito do que temos como certo. Capitão Fantástico é um desses tipos de filmes e entrega tudo que o trailer nos promete, e até um pouco mais. Em meio à floresta do Noroste Pacífico, isolado da sociedade, um devoto pai dedica sua vida a transformar seus seis jovens filhos em adultos extraordinários. Mas, quando uma tragédia atinge a família, eles são forçados a deixar seu paraíso e iniciar uma jornada pelo mundo exterior – um mundo que desafia a ideia do que realmente é ser pai e traz à tona tudo o que ele os ensinou. E também o que não ensinou…

Capitão Fantástico é sobre o amor de um pai, sobre a função da família na criação dos filhos e, principalmente, até onde os pais podem deter o que é realmente importante se ensinar para as crianças. Bem, personagem interpretado brilhantemente por Viggo Mortensen, começa o filme com a ideia plena de que afastar os filhos da sociedade os transformará em algo incrível, mas essa noção é desafiada ao longo da viagem que os personagens fazem, trazendo a tona a falta de experiências interpessoais e de conhecimentos banais que moldam toda a cultura. O filme tem momentos brilhantes, com uma fotografia impecável e uma trilha sonora que encaixa plenamente na proposta, todo o enredo se desenrola perfeitamente e os questionamentos de todos são passados ao espectador de forma sublime e intensa.


Ao final, temos uma cena emblemática que ilumina de maneira magnífica todo o desafio que o filme propõe: o choque entre a moral advinda de nossos costumes pré-moldados e uma visão completamente diferente sobre o que é a vida. Interessante a mudança de visão que Ben sofre ao longo do filme. Com várias revelações, ele vai percebendo que ao fugir do que é imposto às crianças escapando do mundo moderno, ele próprio impõe suas próprias visões. É um personagem falho, mas inegavelmente um pai fantástico, um capitão fantástico como já acusa o título. Interessante que mais do que revoltados, os personagens parecem apenas diferentes (em alguns casos ideologicamente também), isso faz o foco de tudo estar no aprendizado, no choque com o diferente e no amor existente dentro de uma família.

Capitão Fantástico é um filme lindo, daquele tipo que gera reflexões e nos tira do nosso mundo confortável para nos confrontar com o diferente. O último suspiro do filme pode ser um pouco falho, com algumas resoluções que parecem forçadas e isso estraga parte da mágica, um final feliz que poderia ter sido construído melhor, mas parece jogado de maneira desleixada. Ainda assim, é um filme inesquecível e, sem sombra de dúvidas, contando com uma das melhores performances de Mortensen. Vale a pena ser visto no cinema e ter seus temas discutidos.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Tecnologia do Blogger.