4 razões para assistir Repórteres de Guerra

02/12/2016

Vi o filme Repórteres de Guerra tem um tempinho, mas como ele é bem interessante, especifico e fala sobre um assunto que a maioria das pessoas gosta, resolvi vim comentar sobre ele. O filme aborda o trabalho dos fotógrafos durante uma guerra.


É difícil pensar nisso quando vemos uma foto de guerra, mas por trás dela tem uma pessoa fazendo o seu trabalho. Num primeiro momento a gente só fica impactado com a imagem e muitas vezes nem se pergunta que profissional é aquele que registrou uma situação tão triste. O filme é baseado no livro biográfico The Bang-Bang Club: Snapshots from a Hidden War e segue de perto o trabalho de 4 fotógrafos durante o aperthaide, no começo da década de 90.

1. Refletir sobre o papel do fotógrafo

A intenção do meu professor era que refletíssemos sobre o papel dos fotógrafos seja na guerra ou em qualquer outro lugar. O peso que você carrega quando faz uma foto que marca uma determinada época ou situação não é fácil. Também é difícil pensar em fotografia como um retrato tão triste, porque a tendência é a de pensar nessa arte como a lembrança de momentos felizes, casamento ou formatura, por exemplo. Porém, existe esse outro lado tão importante do que só festa e flores.


A questão é entender que a fotografia passa uma mensagem dependendo do veiculo ou da intenção do fotógrafo. No caso de fotojornalismo, a intenção do fotografo e do veiculo é a de informar. Associada com o texto isso se completa, mas a foto sozinha já deve ser capaz de fazer isso. No filme, as fotografias passam a imagem da crueldade da guerra. Além de mostrar a dificuldade que esses fotógrafos passavam para mostrar isso para as pessoas. Eles ficavam no meio dos conflitos, arriscando suas vidas, tanto que um deles falece no exercício da atividade.

2. Aprender sobre o trabalho dos repórteres de guerra 

Fotografar uma guerra é estar no meio dela. Como comentei com vocês acima, os fotógrafos desse ramo precisam estar no meio dos conflitos. Quando a gente vê a imprensa na televisão cobrindo um tiroteio, vemos eles com coletes, sendo muitas vezes protegidos pelos policias. O filme traz um retrato bem diferente. Primeiro que naquela época as coisas não eram tão avançadas como agora, então a imprensa ia sem segurança nenhuma. Segundo, que os governantes da África do Sul não estava interessada em intervir nessa guerra. As pessoas morrerem não fazia diferença para eles, sendo elas africanas ou de outros países.


Imaginem a hostilidade que deve ser, você trabalhar em uma país enfrentando questões raciais e que não se esforça para dar o mínimo de apoio para os profissionais da imprensa? As situações do filme mostram que os cidadãos, em muitos momentos, não queriam que a guerra fosse retratada e por isso agrediam os fotógrafos. Às vezes, no meio dos confrontos, ele eram machucados e um deles acabou morto. Tomar a decisão de retratar uma situação que você não tem a confiança de estar seguro envolve muita paixão. 

3. Kevin Carter

Antes de ter aulas de fotografia eu não conhecia o Kevin, nem a história dele, mas eu acredito que qualquer um já tenha visto a foto do menino com o urubu. A foto da pessoa sendo queimada viva durante o aperthaide não é dele, é do fotógrafo Greg Marinovich, que participa do filme. Os dois se tornam amigos logo que o Greg chega na África do Sul para retratar a guerra. O que é interessante no Kevin é que ele tirou uma foto que levanta muitas questões, mas não soube lidar com ela.


Não é spoiler já que é baseado em fatos reais e qualquer um que pesquisar sobre o fotógrafo vai saber isso, mas o Kevin se suicidou por causa desse retrato. A foto impactou o mundo todo e muitos questionaram o que tinha acontecido com a criança. Só que o Kevin não sabia quem era ela e muito menos o que aconteceu depois que ele fez o retrato. O fato é que os questionamentos sobre que tipo de pessoa tira uma foto dessas e não ajuda de alguma forma, transbordaram um copo que já estava quase cheio.

A cabeça de uma pessoa que lida com situações tão extremas tem que estar no lugar para aguentar a pressão de acompanhar tudo e não interferir de alguma forma. O Greg Marinovich passa por isso no filme, quando vê o homem da foto pegando fogo e não faz nada para ajudar. Ele simplesmente tira a foto do momento e ganha um Pulitzer com esse retrato.

4. O que faz uma boa foto?

Essa é uma grande questão. O que faz uma foto melhor do que a outra? Isso é mais complicado ainda quando as questões básicas, iluminação, nitidez, etc, estão boas. O Kevin é questionado sobre o assunto no começo do filme, sobre como escolher boas fotos e acredito que cada pessoa tenha a sua opinião sobre isso. Para mim, uma boa foto mexe comigo de alguma forma. Seja de um jeito bom ou ruim. Se eu ficar pensando nela por dias, melhor ainda.

Eu já vi imagens que não estavam com o quadro perfeito, nem uma boa iluminação, mas que tinham tanta emoção que me marcaram de alguma forma. As fotos que retratam o aperthaid, se vocês derem uma olhada, vão perceber problemas estruturais nela, tremidos e cortes, cores não tão vivas, só que o significado delas é tão grande, assim como a emoção, que são fotos que você não consegue esquecer. Isso para mim define uma boa foto, mas como disse, cada um tem uma ideia diferente sobre o que faz uma foto melhor do que outra.


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