Resenha: A sombra do passado - Noites em Florença #2

18/11/2016


Nesta sequência de A transformação de Raven, Sylvain Reynard combina suspense e sensualidade em uma das cidades mais belas do mundo, levando o leitor para um universo de fantasia e romance habitado por criaturas centenárias e poderosas.

A jovem e doce Raven Wood está em Florença trabalhando na restauração de O nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli. Certa noite, ao tentar evitar que um sem-teto seja agredido, ela mesma fica em perigo, mas é salva a tempo pelo belo e poderoso William York. Depois desse encontro, eles se envolvem numa improvável e avassaladora paixão.

O príncipe vampiro jura seu amor por Raven e promete se vingar de todos os que um dia a feriram. Contudo, ela prefere não ceder à violência e, para surpresa de William, busca nele algum traço de humanidade sob a aparente frieza – alguma bondade que lhe permita entregar-se a ele sem receios.

Mas um perigo terrível pode pôr fim à felicidade do casal. Uma sombra se espalha por Florença, colocando em risco a paz que há séculos existe entre seres humanos e sobrenaturais. Enquanto tenta proteger Raven, o príncipe precisa descobrir quem o traiu e evitar uma guerra entre poderes há muito adormecidos.

A sombra do passado começa de onde A transformação de Raven terminou. Ela tem que enfrentar uma situação imposta pelo William e não lida muito bem com isso. O casal se desentende, mas logo tudo volta ao normal. Porém, o roubo de algumas obras do museu que a Raven trabalha, situação do livro anterior, vai se desenrolar nesse segundo e causará problemas a ela. William terá que enfrentar as suspeitas que alguns dos vampiros mais próximos a ele podem estar conspirando contra o seu reinado. O fato de William ser vampiro e Raven humana atinge o casal em cheio; eles acreditavam que poderiam viver juntos sem retaliações, mas isso não ficará barato para os seus inimigos.

O livro continua sendo narrado em terceira pessoa e a personalidade do William mudou. A gente consegue perceber que a convivência com a Raven aflorou nele um lado a muito esquecido, o bom. Ele começa a pensar mais no bem-estar dela do que em qualquer outra coisa. Isso já acontecia no primeiro, mas aqui será mais intenso. É como se ela estivesse trazendo a humanidade dele de volta. Os vampiros gostam de dizer que quando são transformados, deixam o seu lado humano para trás e a Raven não concorda com isso, então ela meio que força o William a ser uma boa pessoa. Isso fica muito claro no final da narrativa, quando ele tem que tomar algumas decisões e deixa de lado o que quer, em prol do que é melhor para a Raven e seu principado.

Era o mais improvável dos casais. No entanto, estava claro para ambos que formavam um par perfeito. 


Esse livro me surpreendeu muito, primeiro pelo tamanho. Ele é bem menor que o anterior e isso me incomodou um pouco, eu esperava mais estória por gostar da escrita do autor e da contextualização que ele faz nos seus livros. Não que tenha faltado algo nele, é só que eu queria mais. Além de mais curto ele é mais direto. O primeiro é uma introdução aos personagens, aos acontecimentos que vão moldar a trilogia, os personagens do livro sobre o Gabriel aparecem com mais destaque e aqui não, ele é totalmente focado nos acontecimentos envolvendo a luta do William contra os traidores e a Cúria. O ritmo de leitura é ótimo porque o autor te prende só no necessário, então se você não gostou do detalhamento do primeiro é capaz de gostar mais desse que vai direto ao assunto.

Aqui o autor respondeu a pergunta que mais me deixou curiosa desde o conto antes do primeiro livro, que era saber como o William tinha sido transformado. Quem leu o anterior sabe que ele é um vampiro diferente e vamos começar a entender a razão disso. Ele narra como foi transformado e no fim dá a ideia de porque é tão diferente. Como comentei no parágrafo anterior, esse livro foca nas traições que o William sofre dentro do principado, de outros vampiros querendo roubar o seu trono, e o autor comenta mais sobre a Cúria, os inimigos dos vampiros. A gente vai saber porquê eles são tão perigosos e o que isso tem a ver com a Raven, uma pincelada ai de curiosidade.

Mesmo agora, nua, com uma miríade de falhas que poucos homens deixavam de notar, ele a abraçou. Ele abraçou suas imperfeições. Ele a amava.


O romance acabou ficando em segundo plano aqui. Ainda é a parte mais importante do livro, mas tem tanta coisa acontecendo envolvendo o principado do William, que às vezes eu queria saber mesmo se ele ia perder tudo e não se ficaria com a Raven. As cenas eróticas estão como no primeiro, sendo parte do enredo e não o foco, e a novidade entre os dois é que a ideia de ser vampira começa a ser discutida entre a Raven e o William. Ela começa a ter a percepção que vai envelhecer e morrer, enquanto ele ficará sem ela. Acredito que o autor vai discutir melhor isso no próximo, mas a Raven está bem resolvida quanto ao que ela quer. Vamos ver se ela muda de ideia ou é forçada a isso.

Sou suspeita em falar desse autor que me conquistou desde a primeira vez que li um livro dele. Eu gosto do modo como ele escreve, sempre indo além do romance puramente erótico. As suas estórias são sensuais, mas também têm um contexto que prende. Tanto que assim que eu terminei de ler, fiquei mais curiosa em saber como que as coisas entre os vampiros e Cúria vão se resolver, do que como vai acabar o relacionamento do William com a Raven. A trilogia Noites em Florença vai além do romance; ela prende pela briga de poder, os roubos e assassinatos que acorrem e o casal tem partes que ficam em segundo plano. Esse autor e os seus livros, pelo menos para mim, é o melhor em romances sensuais. Tem tudo o que eu gosto, então eu adorei esse livro.

-Eu sabia que você viveria mais do que eu.
-É uma das maiores tragédias da vida. (...) A não ser que você se torne uma vampira.

www.sejacult.com.brA Sombra do Passado Noites em Florença # 2
Sylvain Reynard
Editora Arqueiro: Twitter/Facebook

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