Resenha: O Pessegueiro

22/11/2016


Willa Jackson vem de uma antiga família que ficou arruinada gerações antes. A mansão Blue Ridge Madam, construída pelo bisavô de Willa durante a época área de Walls of Water, e outrora a mais grandiosa casa da cidade, foi durante anos um monumento solitário à infelicidade e ao escândalo. Mas Willa soube há pouco que uma antiga colega de escola – a elegante Paxton Osgood – da abastada família Osgood, restaurou a Blue Ridge Madam e a devolveu à sua antiga glória, tencionando transformá-la numa elegante pousada. Talvez, por fim, o passado possa ser deixado para trás enquanto algo novo e maravilhoso se ergue das suas cinzas. 

Mas o que se ergue, afinal, é um esqueleto, encontrado sob o solitário pessegueiro da propriedade, que com certeza irá fazer surgir coisas terríveis. Pois os ossos, pertencentes ao carismático vendedor ambulante Tucker Devlin, que exerceu os seus encantos sombrios em Walls of Water setenta e cinco anos antes, não são tudo o que está escondido longe da vista e do coração. Surgem igualmente segredos há muito guardados, aparentemente anunciados por uma súbita onda de estranhos acontecimentos em toda a cidade.

Paxton Osgood e Willa Jackson moram na mesma cidade, estudaram na mesma escola, mas não são amigas. O único fato que liga as duas mulheres é que suas avós fundaram o clube feminino da cidade que completa 75 anos. Willa não participa do clube por não ser abastada financeiramente, ao contrário de Paxton que é a presidente.

Querendo relembrar a fundação do clube, Paxton se aproxima de Willa para que ela compareça ao baile de comemoração. Só que Willa não quer se envolver com o clube, formado por mulheres que ela julga serem esnobes. Porém, o descobrimento de uma ossada no terreno do Madam, que antigamente era da família de Willa e agora é da família de Paxton, aproximará as duas mulheres que descobrirão ter mais em comum do que tinham imaginado.

O livro é narrado em terceira pessoa acompanhando vários personagens, mas principalmente Willa e Paxton. As duas estão na faixa dos 30 anos, possuem anseios em relação à vida amorosa e procuram a aceitação da família. A Paxton é a que mais sofre em relação a isso, a mãe é controladora e quer que a filha siga seus passos na condução do clube feminino fundado a muitos anos.

Paxton que ser libertar dessas amarras, mas é insegura e não tem o apoio de amigos, aliás, ela não tem amigos. Willa quer viver em paz com relação ao pai, falecido. Antes de ir para a faculdade eles não se entendiam bem, e quando o pai morreu Willa não tinha se reconciliado com ele. Então a impressão que a Willa deixa, é a de querer fazer tudo certinho para agradar as memórias do pai.

Não há nada mais satisfatório do que colocar no papel o que você mais quer. Isso dá substancia a algo que antes era tão abstrato quanto o ar. Isso é um passo a mais para o seu desejo se tornar real.


O romance nesse livro é curioso principalmente por causa da relação do Sebastian com a Paxton. Todo mundo acha que ele é gay e ele nunca revelou se isso é verdade ou não, então tanto ela quanto a gente, que lê o livro, só desvenda isso no final. Esse fato não impede a Paxton de ser apaixonada por ele, o que torna tudo complicado para ela.

A Willa começa a se relacionar com o Colin, irmão da Paxton, e também não tem uma vida fácil. O Colin sempre gostou das atitudes impetuosas da Willa, quando eles eram adolescentes, e imaginou que ela tinha a vida mais incrível do mundo, só que não. A Willa tem uma loja de material esportivo e vive sem muitos alardes e aventuras, ou seja, ela agora é bem diferente do que o Colin tinha imaginado. A pressão dele em querer que ela volte a ser a garota que ele conheceu, pode estragar o relacionamento dos dois.

Eu não vou entrar nos detalhes da parte mágica do livro, mas isso é comum nas estórias da Sarah. Não são livros sobrenaturais, só que eles têm essa pitada de algo no ar. O mistério, sobre os ossos encontrados na Madam, é o que vai ligar a Willa com a Paxton. As duas estudaram juntas quando adolescente, mas não são amigas.

Suas avós fundaram o clube feminino para que as mulheres se ajudassem, mas isso se perdeu nos anos. O clube agora é formado pelas mulheres mais ricas de Walls of Water e Paxton é a presidente. Willa e Paxton não se tornariam amigas se não fosse os ossos de Tucker Devlin, que a gente descobre quem é como ele liga as meninas mais para o final. As duas investigam o caso e acabam se encontrando.

Não quero que você seja algo que não é. Você é maravilhoso do jeito que é. E meus sentimentos são inconvenientes, mas não são errados. Eu também não acho que os mudaria, mesmo que pudesse.


Sou suspeita para falar dos livros da Sarah, porque embora esse seja o segundo dela que eu leio, a autora já figura na lista das que eu mais gosto. É uma pena que aqui no Brasil tenhamos dois livros pela Planeta e um com uma capa horrorosa pela Rocco. A minha campanha agora é junto com a Planeta para que a editora lance mais livros dela.

Os livros da Sarah me dão uma sensação boa de que tudo vai ficar bem. É o toque de magia com romance mais realista que me deixam assim, bem com o resto do mundo. É aquela reflexão que fica, no caso de O pessegueiro, que nunca é tarde para se encontrar e fazer aquilo que realmente quer. Nunca é tarde par encontrar o amor ou apenas fazer amigos. Vocês não imaginam como isso é difícil com o passar do tempo, mas não impossível.

A garota que perseguiu a lua ainda é o que gosto mais da autora, mas esse foi muito bom. O tipo de escrita, misturando romance com mistério e magia, é a mesma. A diferença é que eu me envolvi mais com os personagens do outro livro do que desse. Sabe as fotos que a gente vê de pessoas lendo num dia chuvoso? Com absoluta certeza esse seria o livro dessas fotos.

Combina muito com dias tranquilos, uma boa xícara de chá e um entretenimento de qualidade. O livro é gostoso, rápido de ler e eu recomendo muito que quem ainda não conhece a Sarah dê uma chance. Ainda não li uma resenha sobre os livros dela que a pessoa não tenha gostado, então se joga que são estórias tão aconchegantes quanto um abraço num dia complicado.

O destino nunca lhe conta tudo de cara. Nem sempre lhe é mostrado o caminho de vida que você deve seguir. Mas se havia uma coisa que Willa aprendera nas últimas semanas era que, quando você realmente tem sorte, encontra alguém com o mapa.

O Pessegueiro - The Peach Keeper
Sarah Addison Allen
Editora Planeta: Twitter/Facebook

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