Cine Cult: A luz entre Oceanos

04/11/2016

A Luz Entre Oceanos | Classificação: ★★★★ (Ótimo) | Estreou em 2 de outubro de 2016
Texto: Murilo Maximiano | Revisão: Kamila Wozniak


Com uma fotografia espetacular e ótimas atuações de Michael Fassbender e Alicia Vikander, o diretor Derek Cianfrance (Namorados para Sempre, O Lugar onde Tudo Termina) traz um drama lento e contemplativo que se desenrola em uma plot interessante e humana.

Austrália, após a Primeira Guerra Mundial. Tom Sherbourne (Michael Fassbender) é um veterano da guerra contratado para trabalhar em um farol, que orienta os navios exatamente na divisão entre os oceanos Pacífico e Índico. Trata-se de uma vida solitária, já que não há outras casas na ilha. Logo ao chegar, Tom é apresentado a Isabel Graysmark (Alicia Vikander), com quem logo se casa. O jovem casal rapidamente tenta engravidar, mas Isabel enfrenta problemas e perde dois bebês – o que, inevitavelmente, provoca traumas. Até que, um dia, surge na ilha em que vivem um barco à deriva, contendo o corpo de um homem e um bebê. Tom deseja avisar as autoridades do ocorrido, mas é convencido por Isabel para que enterrem o falecido e passem a cuidar da criança como se fosse sua filha, já que ninguém sabia que ela tinha tido um aborto. Mesmo reticente, Tom concorda com a proposta.


O início do filme, onde Tom e Isabel são apresentados e têm seu relacionamento gerado parece um pouco corrido e a identificação com o casal ocorrerá muito mais depois, quando mostrados já em sua vida casados que no desenrolar do romance. Isso é compreensível quando se nota a lentidão e o esmero com o qual o diretor quis construir a vida de ambos antes e depois do acontecimento – o achado do bebê – criando assim uma visão clara da degradação de ambos em cima da culpa. Ainda assim, o primeiro ato do filme se mostra corrido e gera um certo desconforto.

O desenrolar da vida do casal no farol é extremamente parado, mostrando as tentativas sucessivas e falhas de Isabel de ter um filho e como essa falta começa a gerar um incômodo claro na relação que ambos constroem. Aos poucos vemos a personagem de Vikander saindo da garota apaixonada e irradiante para alguém depressiva e sem vontade na vida – uma interpretação incrível, aliás. Ao mesmo tempo vemos Tom se tornar cada vez mais confuso sobre os sentimentos da esposa e tentar fazer de tudo para trazer de volta sua alegria, algo que é chave para os acontecimentos seguintes.


A plot do filme parece realmente começar quando o casal encontra o bebê com um homem morto num bote e Isabel convence Tom a não reportar o acontecimento – Sherbourne é apresentado como um homem muito fixado em seus deveres – para que ficasse com o filho. A partir daí vemos o oposto dos acontecimentos anteriores, Graysmark retoma parte de seu brilho enquanto Fassbender constrói a culpa e degradação moral que seu personagem sofre. Ao encontrar Hannah Roennfeldt (Rachel Waltz), mãe da criança que acha que a mesma morreu, seu desespero sobre aquilo que tinha feito se torna completo e vemos o total da interpretação de Michael no personagem. Numa construção muito bem feita de um homem sério que acredita em fazer o correto acima de tudo, se deparar com seus próprios erros, talvez imperdoáveis.

O filme no geral é muito lento e pode desagradar quem espera dramas com a plot acontecendo logo e sendo o âmago da história, aqui tudo começa a se desenrolar no meio e até então somos apenas apresentados a personagens e suas vidas. A fotografia é simplesmente linda, com um contínuo tom amarelado que lembra o pôr do sol e planos magníficos que sempre buscam incorporar o mar. Lidando mais com a moral dos personagens que com suas paixões, A Luz Entre Oceanos resgata um tema de filmes antigos americanos e talvez não se encaixe bem na visão de cinema de todos – mesmo porque o filme não traz nada de novo ao estilo – mas é muito elegante e bem filmado, demonstrando a maestria do diretor e a capacidade incrível de seus atores.




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