Cine Cult: Animais fantásticos e onde habitam

17/11/2016

Animais fantásticos e onde habitam | Classificação: ★★★★ (Ótimo) | Estreia em 17 de novembro de 2016    Texto: Murilo Maximiano | Revisão: Kamila Wozniak


Harry Potter foi um fenômeno mundial incrível. Tanto os livros quanto a série de filmes faturaram milhões e marcaram toda uma geração – estou incluído aí – que cresceu lendo as fantásticas aventuras do bruxo num mundo mágico paralelo ao nosso, existindo sob os narizes daqueles intitulados trouxas, os que não sabiam magia. De certa forma, ao analisar os temas e a maturidade de cada obra, é fácil perceber como cada um ia crescendo em complexidade e profundidade, junto com seus leitores – e depois espectadores. Nesse spin-off roteirizado diretamente por J. K. Rowling, a escritora e criadora de toda a obra, vemos uma maturidade ainda maior.

Dissociado da série original, com sua própria cara mas ainda tão mágico quanto, os fãs podem respirar aliviados, o universo de Harry Potter continuará a crescer em boas mãos. Aqui, acompanhamos o excêntrico magizoologista Newt Scamander (Eddie Redmayne), que chega à cidade de Nova York levando com muito zelo sua preciosa maleta, um objeto mágico onde ele carrega fantásticos animais do mundo da magia que coletou durante as suas viagens. Em meio à comunidade bruxa norte-america, que teme muito mais a exposição aos trouxas do que os ingleses, Newt precisará usar todas suas habilidades e conhecimentos para capturar uma variedade de criaturas que acabam fugindo.

Rowling aqui cria uma experiência completamente nova. Ao se situar em uma grande cidade existente, e não em um castelo mágico escondido, o filme torna o universo mágico mais palpável, mundano. Os personagens, todos adultos, trazem uma nova visão sobre os conflitos do mundo bruxo e inevitavelmente torna a trama mais madura. Além disso, toda a ambientação no final dos anos 20 é muito bem trabalhada e as tensões existentes são interpretadas sob o olhar bruxo com louvor. Os personagens são um trunfo a parte. Com um ótimo elenco, temos um Scamander divertido e cativante, que faz com que realmente nos importemos com os animais fantásticos – ponto para a mensagem sobre preservação ambiental – e um elenco de apoio ótimo que cobre todas as partes necessárias para fazer a trama fluir como deveria.


O olhar fascinado do novato no mundo dos bruxos com Jacob Kowaski (Dan Flogler) funciona bem para introduzir aos que ainda não conhecem Harry Potter, e Scamander guia o olhar dos veteranos que estão conhecendo uma nova faceta de tudo. Aliás, a aparição de Johnny Depp é muito boa e pode gerar bons frutos para as continuações. No mais, todo o filme segue em um tom ótimo. A trilha sonora é afinada – uma boa introdução com um novo tema e uma série de músicas que remetem ao jazz da época retratada – e toda a fotografia traz um tom antigo interessante, David Yates se mostra ainda mais a vontade em dirigir a imaginação de Rowling nas telas, algo que se realiza em todos os pontos, desde a trilha aos animais em si e todos os efeitos.

Interessante os pequenos detalhes, como algumas cicatrizes de Scamander que quase passam despercebidas ou a forma natural com a qual os personagens utilizam a magia no dia a dia, quase como que nós usando tecnologia. Algo bem diferente da forma mais classuda vista na Inglaterra. Animais Fantásticos e Onde Habitam é uma ótima expansão do universo que J. K. Rowling criou. Amadurecendo junto com os fãs as tramas e apontando para um futuro proeminente – Grindelwald e a Segunda Guerra Mundial são os melhores chutes – e trazendo com ainda mais enfoque a discussão sobre preconceito, opressão, totalitarismo e respeito a grupos diferentes, esse é um filme que com certeza vale a pena ser conferido e traz a esperança de um novo ar para a franquia.




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