Resenha: Delírio #1

25/10/2016


Muito tempo atrás, não se sabia que o amor é a pior de todas as doenças. Uma vez instalado na corrente sanguínea, não há como contê-lo. Agora a realidade é outra. A ciência já é capaz de erradicá-lo, e o governo obriga que todos os cidadãos sejam curados ao completar dezoito anos. 

Lena Haloway está entre os jovens que esperam ansiosamente esse dia. Viver sem a doença é viver sem dor: sem arrebatamento, sem euforia, com tranquilidade e segurança. Depois de curada, ela será encaminhada pelo governo para uma faculdade e um marido lhe será designado. Ela nunca mais precisará se preocupar com o passado que assombra sua família. 

Lena tem plena confiança de que as imposições das autoridades, como a intervenção cirúrgica, o toque de recolher e as patrulhas-surpresa pela cidade, existem para proteger as pessoas. Faltando apenas algumas semanas para o tratamento, porém, o impensado acontece: Lena se apaixona. Os sintomas são bastante conhecidos, não há como se enganar — mas, depois de experimentá-los, ela ainda escolheria a cura?

No mundo de Lena o amor é uma doença que precisa ser combatida aos 18 anos, quando os jovens passam por uma intervenção cirúrgica e são curados da deliria nervosa. Eles não amam mais, e acabam não sentindo mais nada também. A vida é tranquila sem emoções e era tudo que a Lena queria até conhecer Alex, o cara que vai mudar o mundo de Lena. Ela logo percebe que está tendo os sintomas da doença, mas não se importa. A sensação de viver é mais interessante do que casar com alguém que o governo determina. Nesse relacionamento com o Alex, Lena vai descobrir que muitas pessoas não querem curar o amor e que um mundo fora do que ela vive existe sentindo exatamente o que ela sente agora.

A Lena é quem narra o livro e essa personagem é dividida em duas partes, antes de se apaixonar e depois que isso acontece. No começa a Lena quer ser certinha, não andar fora da linha. Ela carrega o estigma de ser uma possível detentora da deliria nervosa, já que a sua mãe tinha. Então ela é meio excluída da sociedade, sendo assim, a Lena é na dela e tenta passar despercebida. Quando ela conhece o Alex isso muda, é inevitável para ela não se apaixonar por ele. Dai ela se joga, vira uma jovem mais ativa, perspicaz e que quer mudar o sistema. O Alex a gente vê pelos olhos dela, mas ele é um amor. Protetor, engajado, apaixonado e no fim do livro parte nosso coração.

É a mais mortal entre todos os males: você pode morrer de amor ou da falta dele.


A narrativa desse livro é curiosa. O intuito da autora, e isso é uma analise minha, era que o livro mostrasse o marasmo que seria uma vida sem amor. E amor aqui não só no sentido romântico, embora seja uma estória de amor, mas a motivação que ele traz. A vontade que você sente de fazer as coisas e as consequências que ele pode trazer: sorrisos, afeto, demonstrações de carinho, alegria. Então isso não tem muito no livro. Ele tem partes mais paradas, só de conversa, bem tranquilo. Dai a Lena começa a "adoecer" e a narrativa muda. As cenas vão ficando mais agitadas, com mais ação, mais vontade. Como se agora que a Lena sente, vive de verdade, o livro ganhasse vida também. Se isso foi proposital é genial.

O que eu achei mais sensacional nesse livro é que a autora conseguiu passar que o amor é uma doença. Ela descreve os sintomas, faz com que a população veja isso como algo a ser temido. O que normalmente a gente sente quando gosta de alguém, são os sintomas da deliria nervosa. Suar, ficar aérea, não ter fome, pensar o tempo todo no cara e coração acelerado, já são indícios de que você deve passar pela intervenção e ser curada. O amor não é visto como algo bom, mas algo que traz consequências graves, como guerras, morte e destruição. Para o mundo de Lena o que está dando errado na nossa sociedade atual, que seria o passado deles, é culpa do amor.

Todo mundo em quem confiamos, todos aqueles com os quais pensamos que podemos contar, com o tempo acabam nos decepcionando. Quando se veem livres para fazer o que querem, as pessoas mentem, guardam segredos, mudam, desaparecem... 


O romance no livro é bem fofo, devagar e ingênuo. Não dá para você propor uma estória em que o amor é algo a ser excluído da vida das pessoas e colocar um relacionamento tórrido e arrebatador. É a Lena descobrindo tudo de bom que o amor pode trazer para a vida dela, bem primeiro amor mesmo. Para o Alex é diferente por uma explicação que a autora dá durante a narrativa. Foi escrito de uma forma bem delicada como ela beija ele pela primeira vez ou quando eles dormem juntos e isso combinou com o livro. O fim tem uma reviravolta envolvendo o casal e uma parente da Lena, então as possibilidades da continuação são imensas e como eu disse, é um final triste.

Acho que eu ter esperado tanto tempo para ler esse livro foi bom e ruim. Bom porque a trilogia está completa e eu não preciso esperar um ano para saber o que vai acontecer. E ruim porque eu consigo ver outras distopias aqui, então não sei quem bebeu de quem. Delírio foi lançado no boom das distopias e fez muito sucesso, na época eu fiquei empolgada para ler, mas resolvi esperar um pouco e isso durou anos. Não me arrependo de não ter lido antes, só me faz um pouco de falta ter com quem conversar sobre ele, visto que a maioria já leu. O livro é ótimo, com uma ideia interessa e bem escrita. Dá para fazer reflexões sobre a sociedade, o amor, a vida das pessoas movida a isso e muitos outros temas. Pretendo ler Pandemônio em novembro e finalizar com Réquiem em dezembro.

Tenho apenas dezessete anos e já sei algo que ela não sabe: sei que a vida não é vida se você passa batido por ela. Sei que o propósito - o único propósito - é encontrar o que importa e se atear a isso, lutar por isso e se recusar a soltá-lo.

www.sejacult.com.brDelírio - Delírio # 01
Lauren Oliver
Editora Intrínseca: Twitter/Facebook

Um comentário:

  1. Uaaal Denise, gostei mto, sua resenha está excelente, parabéns!
    Não conhecia essa trilogia, o enredo me chamou bastante atenção, vou qrer conferir sim.
    Bjs

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