Cine Cult: A garota no trem

27/10/2016


A garota no trem narra a vida de Rachel, uma mulher que não consegue superar o fim do casamento. Todos os dias, quando está a caminho do trabalho, ela observa um casal que vive perto da linha do trem. Esse casal, feliz e apaixonado, passa a ser a obsessão de Rachel, até que ela vê uma cena que mexe muito com ela. Após isso, a moça do casal, que descobrimos se chamar Megan, desaparece. Tendo informações relevantes Rachel decide participar das investigações, mas ninguém leva suas declarações a sério. Rachel é alcoólatra e quando está bêbada, faz coisas que depois não se lembra. No dia do desaparecimento de Megan, ela foi vista perto da casa dela. A residência de Megan fica a poucos passos da casa do ex-marido de Rachel, que agora vive feliz com a nova esposa.

O filme acompanha três mulheres, as principais: Rachel, Megan e Anna, atual mulher do ex-marido de Rachel. O que liga todas elas é a proximidade das casa que moram e Tom, que foi/é marido de duas. O começo do filme é parado por tentar situar quem vê em como o filme vai lidar com as visões de Rachel e Megan. As duas estórias começam em pontos diferentes do tempo, presente e passado. Até que os dois tempos se encontram e a Megan desaparece, que seria o presente. No livro isso não é confuso porque tem marcação de data, mas no filme você tem que prestar atenção para não se perder. Enquanto apresentar a quem vê três pontos de vistas, o filme se saiu bem. São mulheres com personalidades diferentes e a atuação das atrizes, como comentarei a seguir, estão ótimas.


A atuação da Emily Blunt está maravilhosa. Ela sustenta o filme quase inteiro e fez com muita verdade uma alcoólatra. O jeito das mãos tremendo, a expressão vazia, o desespero de peças na memória estarem faltando, são alguns dos trejeitos que ela traz para o papel. Haley Bennett, a Megan, conseguiu me pegar mais do que a Megan do livro. Enquanto a do papel é muito superficial e fútil, a do filme passa a ideia da mulher aprisionada, que quer o tempo fugir para sentir alguma coisa. Luke Evans, Scott, infelizmente está meramente ilustrativo e esse é um ponto ruim. No livro ele é mais participativo, mas no filme ele se destaca mesmo da metade para o fim. Rebecca Ferguson, Anna, e Justin Theroux, Tom, têm atuações apenas ok; até porque, são personagens mais secundários. Mas atenção, um deles se sobressai no final.

Não existe trilha sonora em A garota no trem e a fotografia passa despercebida. O foco total é no suspense e nisso o filme alcançou o objetivo. Depois do parado do começo, o filme deslancha e você fica preso tentando desvendar o que aconteceu com a Megan. O fato da Rachel ter lapsos de memória foi chave no filme, ninguém confia nela, nem ela mesma, então você não sabe se ela é louca ou o tempo todo estava dizendo a verdade. A questão da obsessão pelo casal também é interessante e toca a gente. A sensação de perda da família, casa, emprego, tudo o que define você é passado no filme. Ao mesmo tempo que você sente que a Rachel pode ser perigosa, também sente pena dela e por tudo o que ela passou. No fundo ela é uma mulher que precisa de ajuda, mas até você perceber isso já julgou ela de tudo quanto é jeito.


Eu vou comentar melhor sobre o livro na resenha dele terça que vem, quando pretendo fazer em vídeo e comentando também sobre o filme, mas só para vocês terem uma noção de como está a adaptação. Algumas cenas do filme não estão no livro e vise versa. Isso é ruim? Nesse caso não. Para mim o filme complementou alguns pontos que ficaram vagos no livro. Acho que quem vê o filme sem ter lido o livro pode não gostar tanto assim por ele ser parado no começo, alguns cortes também ficaram estranhos, mas quem leu o livro vai gostar da adaptação. Tudo o que importa está lá e me deu uma noção maior do enredo, do que aconteceu com a Megan e o caso extraconjugal dela. Fora que a ideia de abuso ficou melhor explicada no filme do que no livro.

Com direção de Tate Taylor e um roteiro até bem amarrado de Erin Cressida Wilson, A garota no trem estreia hoje no Brasil. O filme é uma boa pedida para o fim de semana, mas vale ressaltar que o longa, assim como o livro, tem um teor sensual. São cenas de nudez e sexo, então atenção à classificação. O final do filme eu gostei mais do que do livro. Descobrimos o que aconteceu com a Megan, e claro que eu já sabia por ter lido, mas a cena do desfecho ficou com mais sentido no filme. Eles narram sob o ponto de vista da Rachel e depois da Megan, o que coloca quem vê olhando as duas perspectivas. Os dois finais não são diferentes, mas o filme vai mais além. As duas artes se complementam em A garota no trem; sugiro tanto a leitura quanto assistir o filme.



www.sejacult.com.br

Um comentário:

  1. Olá! Ainda não consegui ler o livro, nem sei se vai dar tempo, pq minha ansiedade e curiosidade pra ver o filme tá dmais viu Denise... rsrs
    Qro mto!!!
    Bjs

    ResponderExcluir

Tecnologia do Blogger.