Resenha Histórica: Uma semana para se perder - Spindle Cove #2

27/09/2016


O que pode acontecer quando um canalha decide acompanhar uma mulher inteligente em uma viagem? A bela e inteligente geóloga Minerva Highwood, uma das solteiras convictas de Spindle Cove, precisa ir à Escócia para apresentar uma grande descoberta em um importante simpósio. Mas para que isso aconteça, ela precisará encontrar alguém que a leve. Colin Sandhurst Payne, o Lorde Payne, um libertino de primeira, quer estar em qualquer lugar menos em Spindle Cove.

Minerva decide, então, que ele é a pessoa ideal para embarcar com ela em sua aventura. Mas como uma mulher solteira poderia viajar acompanhada por um homem sem reputação? Esses parceiros improváveis têm uma semana para convencer suas famílias de que estão apaixonados, forjar uma fuga, correr de bandidos armados, sobreviver aos seus piores pesadelos e viajar 400 milhas sem se matar. Tudo isso dividindo uma pequena carruagem de dia e compartilhando uma cama menor ainda à noite.

Mas durante essa conturbada convivência, Colin revela um caráter muito mais profundo que seu exterior jovial, e Minerva prova que a concha em que vive esconde uma bela e brilhante alma. Talvez uma semana seja tempo suficiente para encontrarem um mundo de problemas. Ou, quem sabe, um amor eterno.

Como foi bom retornar a Spindle Cove, essa vila de mulheres fortes e determinadas que são consideradas párias da sociedade londrina. A personagem Minerva já tinha aparecido no primeiro livro, assim como Colin, e sabíamos que de todas ela era a que estava mais distante de se casar. Não que isso seja a pretensão das mulheres da vila, mas no intimo de muitas, esse é o desejo. Não se pode esquecer da época do livro, por mais liberdade e determinação que elas tenham, o casamento ainda é considerado uma forma de segurança, além de representar um amor para a vida toda.

Embora longe do casamento, Minerva deseja ter um amor para si e tem uma queda pelo Lorde Payne. Só que ele está meio que envolvido com sua irmã. Isso é algo que Minerva não aceitará, visto que todos da vila sabem das peripécias amorosas de Colin. Para afastá-lo da irmã, Minerva bola um plano para viajar com ele para à Escócia. O desejo dela é participar de um simpósio de Geologia e de quebra ganhar o prêmio e dar para o Colin. O que ele mais quer é ter dinheiro para sair da pequena vila e voltar a Londres, aos bares e a vida fácil que tinha por lá.

Você é um libertino hipócrita, traiçoeiro, que flerta com jovens inocentes de dia e pega mulheres casadas à noite. 


Os dois personagens são conhecidos do primeiro, como comentei, e a Minerva era uma das moças mais interessantes. Ela não liga muito para roupas e chamar a atenção dos homens, o negócio dela são as pedras. Minerva sonha em ser geóloga e vê nessa apresentação no simpósio, a chance disso acontecer. Ela é bastante determinada, meticulosa com o plano que montou e mesmo não se jogando nas situações logo de cara, acaba vivendo e aproveitando todos os momentos com Colin. Já ele é a sinceridade em pessoa, não esconde o que quer das mulheres e se elas se apaixonam por ele é por sua conta e risco. Ele tem uma personalidade muito passiva, de aceitar as coisas como são e não ter metas de vida.

Quando ele começa a se envolver com a Minerva, percebe o quanto ter sonhos é importante e não só levar a vida de boa. Ela ter vontade de aprender sobre Geologia foi bacana para a estória, pois trouxe o olhar da sociedade acadêmica para as mulheres da época. A Minerva contribui regularmente com a revista científica sobre o assunto, mas como homem. Ela possuí um pseudônimo e é bastante aclamada por isso, só que se a revelação de que ela é mulher vir a tona, acabou contribuição. Em Spindle Cove ela faz a descoberta de um fóssil e dai vai ter esse mistério se ela vai conseguir ou não apresentar essa descoberta no simpósio, já que ela terá que relevar que é mulher.

(...) Os homens nunca hesitam em declarar sua presença. A eles é permitido viver ruidosamente, em meio a batidas e estalos, enquanto as mulheres são sempre ensinadas a viver em sussurros abafados. 


Nesse livro acontece tanta coisa que é até difícil narrar tudo aqui na resenha. A autora amarrou o livro para que fosse uma aventura de descobertas para os dois personagens. Ele se passa em uma semana, por isso o título, e nesse tempo que eles estão juntos a Minerva se solta, ela vira uma cigana, assassina, uma mulher da realeza... assume vários papeis e se diverte. Ela, que sempre foi deixada de lado por todos, vira protagonista. Colin percebe que a sua vida é vazia levando tudo em banho-maria e aproveitado os prazeres aonde eles aparecem. Ele percebe que pode ser feliz ao lado de um única mulher se ela for a certa para ele, aquela que não deixa os seus dias serem entediados.

O romance do livro é bastante quente, como foi no primeiro, mas cada cena complementa o relacionamento. Nada está ali por estar, me lembrei até da Minerva avaliando o corpo do Colin por motivos científicos. O enredo tem toques de comédia e drama, isso por parte do Colin. O final já é diferente e combinou com esses dois personagens que apresentam nuances que não tem nos outros livros. A Minerva sendo uma mulher que quer descobrir o mundo, o final coube certinho. Me resta agora dizer que eu adorei esse livro como o primeiro. A escrita da Tessa foi uma surpresa muito boa no meio de tantas autoras incríveis de romances históricos. Seus livros tem se mostrado diferentes dos outros e o próximo, o que eu mais estava empolgada para ler, vai trazer uma protagonista com uma marca de nascença no rosto que assusta as pessoas.

Todas essas noites. Você vai ficar me olhando por cima desses seus óculos recatados, me deixando louco com todas as suas palavras polissílabas.

www.sejacult.com.brUma Semana Para Se Perder Spindle Cove #2
Tessa Dare
Editora Gutenberg: Twitter/Facebook

Um comentário:

  1. Uau, achei interessante. Não conhecia. ótima resenha.

    Visite: http://carpediemmica.blogspot.com.br/

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