Cine Cult: O Lar das Crianças Peculiares

29/09/2016

O Lar das Crianças Peculiares | Classificação: ★★★ (Bom) | Estreia em 29 de setembro de 2016
Texto: Murilo Maximiano | Revisão: Kamila Wozniak


Com uma amenizada em sua estética, que há tempos já parecia repetitiva, Tim Burton adapta o livro de Ransom Riggs “O Lar da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares” que agrada e diverte, mas não passa muito disso. Após ver seu avô ser assassinado, Jake (Asa Butterfield) viaja até o País de Gales em busca do orfanato para crianças peculiares da Srta. Peregrine em busca de mais sobre o misterioso passado do homem. Lá, descobre um mundo de pessoas com “peculiaridades” e terá que enfrentar monstros terríveis que caçam há tempos as crianças com poderes.

O primeiro erro do filme é a falta de atenção ao relacionamento de Jake e seu avô Abe. Com poucas cenas durante o filme, não entendemos realmente essa ligação dos dois e, em alguns momentos, certas decisões baseadas nesse amor parecem forçadas e desnecessárias. Falando em forçadas, há uma tentativa de relacionamento amoroso entre Jake e Emma que logo no primeiro encontro de ambos fica óbvio. Ainda assim, sofrendo com uma falta de desenvolvimento de ambos personagens, o sentimento dos dois parece forçado, como algo que está ali por obrigatoriedade.


Na verdade, as relações de vários personagens parece forçada e é possível perceber que a condensação da história do livro não fez muito bem para o desenvolvimento de alguns personagens sem precisar ter lido antes. Pontos altos nas atuações são a interpretação de Eva Green como Srta. Peregrine, que mantém o olhar e trejeitos de alguém que é, grande parte da vida, um falcão, e o canastríssimo Baron de Samuel L. Jackson, com trejeitos e falas inesperados para um grande vilão, deixando o personagem divertido e interessante de se ter em meio à tantos personagens que acabamos por não nos importar tanto quanto deveríamos.

Outro ponto bom é a forma com que as habilidades das crianças são mostradas. De fato, não parecem incríveis poderes como nos filmes de super-heróis, mas peculiaridades, como o título propõe. Interessante que o orfanato passe longe de uma Mansão Xavier para Superdotados e se aproxime mais de realmente um orfanato para crianças com necessidades especiais. Os “poderes” não são controlados e parecem de fato parte de quem elas são, as crianças, características estranhas e diferentes que carregam. Inegável algumas imagens sinistras ainda que fofas produzidas com esmero, como os gêmeos e seu traje perturbador ou Enoch fazendo valer sua habilidade. É bem infeliz que o final do filme pareça extremamente apressado, sem timing.


As coisas acontecem de maneira estranha e antes que possamos ver uma interação legítima entre os personagens, que gere um sentimento de importância e real urgência para a situação. Nada parece tão sério quanto é mostrado e as consequências das atitudes dos personagens são irrisórias. Ainda que os Etérios pareçam assustadores, quando chega a parte de fazerem algo, não parecem tudo aquilo que prometeram, e o filme acaba com uma sensação de “era só isso?”.

O Lar das Crianças Peculiares tem alguns pontos fortes e com certeza é uma ótima escolha para crianças e pré-adolescentes. Infelizmente Tim Burton não consegue desenvolver tão bem quanto deveria a história e entrega um filme que um diretor qualquer poderia ter feito, salvo a estética óbvia e linda empregada com louvor. Um filme divertido, mas apenas isso. Menção honrosa para a luta com caveiras na cena do parque, simplesmente hilária e genial.




Um comentário:

  1. Huuuuuum
    Agora fiquei na dúvida se qro ou n ver o filme
    Hehehehehehehehe
    Vou pensar direitinho

    Bjooos
    muitospedacinhosdemim.blogspot.com.br

    ResponderExcluir

Tecnologia do Blogger.