Cine Cult: Esquadrão Suicida

04/08/2016

Esquadrão Suicida | Classificação: ★★★ (Bom) | Estreia em 04 de agosto de 2016
Texto: Murilo Maximiano | Revisão: Kamila Wozniak


Confusão em se encontrar um tom e cortes secos marcam os principais problemas do filme. Mas os personagens carismáticos e a história simples, funcional, divertida e coesa compensam. Um filme divertido, mas um passo menor que era o necessário para a DC firmar seu universo cinematográfico sem tantas polêmicas. Após os acontecimentos de Batman v Superman: Origem da Justiça, Amanda Waller (Viola Davis) propõe ao governo americano a criação de uma equipe tática de meta-humanos (pessoas com habilidades super-humanas) e outros notáveis agora presos. Segundo suas palavras “pessoas ruins que podem fazer algum bem”. Quando uma ameaça surge e parece insuperável para soldados convencionais, o grupo de vilões e inveterados é chamado para deter a catástrofe.

De fato, Ayer pena em estabelecer um tom para o filme. Na introdução de personagens, vemos um tom cartunesco que parece deslocado de todo o filme, com um tom mais sombrio e pensativo. De certa maneira, por cortes na pós edição ou refilmagens, o filme começa tentando engatar uma cara divertida e se torna mais sisudo em outras cenas. Ainda na montagem, vemos cortes secos e repentinos que tiram parte da coesão das cenas, assim como aconteceu em Batman v Superman. Para alívio, aqui esses cortes não destroem a coesão do filme em si, apenas gera desconforto e confusão momentânea. Em alguns momentos não sabemos exatamente em que momento a cena aconteceu e em outros personagens somem e aparecem de maneira repentina. Com isso, fica clara a tentativa de diminuir o tempo de filme e de mudar o tom inicial da obra (que aparentemente seria mais soturna). Isso prejudica o timing do filme, mas nada que realmente acabe com a diversão do mesmo.


O elenco em geral está ótimo, os personagens estão muito bem construídos e fica a vontade de ter visto um pouco mais de cada um deles. Os detalhes são vários, desde o figurino até a forma de se comportarem, é claro que não estamos diante de seres bidimensionais, e isso é ótimo. Os destaques ficam com Margot Robbie e Viola Davis: a primeira nos trás uma Arlequina incrível, uma personagem trágica ainda que cômica. Seu relacionamento de submissão com o Coringa não é mostrado de maneira romântica, mas doentia, como é a principal ideia da personagem. Dra. Harley Quinzel literalmente parece ter aberto mão de sua sanidade e dignidade pelo maníaco assassino. Já a segunda interpreta Amanda Waller exatamente como deveria ser, uma mulher forte e sem escrúpulos, tudo que a diretora da ARGUS deveria ter.

A história segue simples e até mesmo medíocre, mas isso abre espaço para a ação e a interação entre os personagens (a cena do bar é ótima e demonstra um pouco da profundidade dos vilões). Talvez as introduções sejam demoradas demais, fazendo o filme demorar um pouco para começar a funcionar, mas quando a missão começa a ação não para. Em alguns momentos me lembrei de filmes de ação oitentistas como Duro de Matar, onde o vilão é apresentado logo de cara e todo o filme é o protagonista (os protagonistas, no caso) em uma ação desenfreada para o parar.


O Coringa de Jared Leto aparece da maneira pontual que deveria, servindo apenas como coadjuvante de apoio para Arlequina, o que é ótimo. Em momento algum ele rouba a cena para si e todas as situações onde aparece foram feitas para enaltecer e explicar a personagem de Margot Robbie. Dessa maneira, é um pouco difícil de dar um veredito final a essa nova versão do Palhaço do Crime, Jared Leto parece a vontade com o psicótico vilão, mas parece faltar um pouco de palhaço no Coringa, mas a loucura está lá e está bem assustadora. Esperemos um filme onde o Coringa seja mais central e vilanesco para dar terminar de analisar o trabalho de Leto.

Em suma, Esquadrão Suicida cumpre sua função de ser divertido, porém os problemas e a indecisão na pós produção – que já eram claros pelos trailers com tons diferentes – talvez tenha estragado o filme. Ainda assim, todos os personagens têm tempo de tela e profundidade o bastante, além de a história contribuir para um filme de ação muito bom. Ao final, não é tudo o que se esperava, mas não chega a ser uma bomba. Ainda assim, a DC vai precisar mostrar bem mais que isso se quiser competir no mercado de filmes de heróis.



***

Crítica em Vídeo



Um comentário:

  1. Oi oi,

    eu estou super ansiosa para ver esse filme, mas já sei que não devo esperar a obra prima da minha vida. Com saber que o filme agrada, mesmo não sendo aquela coca cola toda.

    Beijos!
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