Cine Cult: Águas Rasas

15/08/2016

Águas Rasas | Classificação: ★★ (Regular) | Estreia em 25 de agosto de 2016
Texto: Murilo Maximiano | Revisão: Kamila Wozniak 


E lá vem mais um filme onde o tubarão é um monstro preparado para caçar e matar toda e qualquer pessoa que ver na frente, com uma fome aparentemente insaciável. Nancy (Blake Lively) é uma estudante de medicina e surfista que resolve fugir de tudo. Chega então ao México e encontra a praia secreta que sua recém falecida mãe havia ido quando soube que estava grávida dela e entra no mar para surfar. Acaba encontrando uma baleia morta, um tubarão ensandecido e uma única ilhota que surge na maré baixa.

Começa então sua luta para sobreviver ao predador faminto. E põe faminto nisso, o tubarão é digno dos filmes de suspense com animais “endemonizados” tão comuns no gênero. Não importa quantos desavisados sejam devorados, o tubarão continua a perseguir a protagonista. É hilária a sede de sangue dele, mas também é um dos pontos fortes, não há medo de entrar nos clichês ótimos dos filmes de tubarão.

 Lively também está ótima, sua atuação consegue passar de maneira bem sucedida o desespero de uma garota encurralada por um tubarão gigante, constantemente faminto e entrega as nuances entre o drama pessoal da personagem e o horror das situações que passa. É possível acreditar em Nancy. O medo e o suspense são construídos com decência e mais de uma vez sentimos aquela agonia para a personagem tirar a perna da água enquanto uma câmera no melhor estilo “Tubarão” – o ponto de vista do predador se aproximando submerso – chega com velocidade à garota. É triste que os trunfos de Jaume Collet-Serra (A Orfã, A Casa de Cera) na direção parem por aí.


Logo no início é possível ver a falta de tato que o diretor demonstrou no filme. Os planos da praia são cortados de maneira excessiva quando ainda queremos admirar a paisagem, quando a personagem finalmente chega à cena, temos câmeras lentas desagradáveis e closes no rosto de dublês enquanto surfam. Os dramas e o passado da personagem são jogados em momentos pouco convenientes na cara do espectador, quase de uma maneira preguiçosa, dizendo “está aqui, esta é Nancy e esta é sua história, agora vamos para o Tubarão”.

Não é possível deixar de notar alguns furos de roteiro e algumas conveniências forçadas que acontecem ao longo do filme que podem até mesmo fazer rir. Ao menos nada disso estraga a tensão que é construída, mas sim a história e o clima do filme em si. Como conclusão, Águas Rasas se apresenta como um filme que sabe jogar a tensão e o suspense necessários para o gênero, Blake entrega uma atuação muito boa e o filme é até bem bonito. Falha porém em ir além dos clichês do gênero e na falta de habilidade em se construir bem os planos e manter o bom timing na apresentação da personagem, o que estraga o filme como um todo. Um bom suspense em um filme ruim.




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