Resenha: Passarinho

08/07/2016


O avô de Joia parou de falar no dia em que matou o irmão dela. O menino se chamava John, e achava que tinha asas. Subia e saltava do alto de qualquer coisa, até ganhar do avô o apelido de Passarinho. Joia não teve a chance de conhecê-lo, pois Passarinho se jogou do penhasco bem no dia em que ela nasceu. Ainda assim, por muito tempo ela viveu à sombra de suas asas. Agora, aos doze anos, Joia mora em uma casa tomada por silêncio e segredos. Os pais culpam o avô pela tragédia do passado, atribuem a ele a má sorte da família. 

Joia tem certeza de que nunca será tão amada quanto o irmão, até que ela conhece um garoto misterioso no alto de uma árvore. Um garoto que também se chama John. O avô está convencido de que esse novo amigo é um duppy — um espírito maldoso —, mas Joia sabe que isso não é verdade. E talvez em John esteja a chave para quebrar a maldição que recaiu sobre sua família desde que Passarinho morreu. 

O livro é narrado em primeira pessoa pela personagem Joia e o início da história se dá junto com seu aniversário. Aquele era para ser um dia especial, no entanto, um acontecimento funesto do passado mancha aquela data. John ou Passarinho, como foi apelidado pelo avô, cai de um penhasco aos cinco anos de idade, no dia do nascimento de sua irmã. A partir daí surge uma ruptura na família. Por crerem muito em superstições, todos acreditam que o apelido foi o que trouxe a John a tragédia.

Joia é uma menina doce e amável, mas que sente falta da alegria e atenção dos pais. Na noite do seu aniversário, Joia sai de casa e vai para um lugar que considera especial. Lá ela encontra um garoto que diz se chamar John. De início, a garota fica impressionada, porém ambos acabam ficando amigos e compartilhando seus sentimentos com relação a família, desejos para o futuro e gostos.

A maioria das pessoas não vê o que está bem à sua frente porque não sabe o que procurar. E quando passam a saber, ficam se perguntando como não viram aquilo antes.

O tema abordado no livro é algo bastante delicado que é a morte e como isso afeta toda uma família e tudo isso pelo ponto de vista de uma jovenzinha de doze anos. Joia, uma menina boa que está sempre pensando na felicidade dos pais, mas que não consegue se ver livre da sombra desse desastre que está presente nas ações da família, na mudez de seu avô e na maneira aquilo o afetou. Ele está sempre tentando afastar os duppies (espíritos maus) com atitudes estranhas como jogar alecrim nas portas e janelas para proteger a família, como se se sentisse culpado.

Encontrei esse livro por acaso, bem baratinho no mercado e fiquei bastante curiosa com ele. Demorei muito tempo para ler essa história, não porque ela fosse chata ou arrastada, mas pelo fato de a faculdade, estágio etc. terem tomado bastante do meu tempo. Então foi maravilhoso ter podido finalizar essa obra incrível, dessa autora maravilhosa. A mensagem de amor, amizade e família que o livro passa é simplesmente tocante e não há como não se emocionar com essa narrativa. Tudo é abordado de forma delicada e sutil. Ler essa história é uma experiência que vale a pena.

Se você entrega muito de si a alguém, rápido demais, essa pessoa pode simplesmente ir embora e levar tudo.

https://www.facebook.com/literaturadeepoca/?fref=tsPassarinho
Crystal Chan
Editora Intrínseca: Twitter/Facebook

Um comentário:

  1. Oi Naiara! Tenho marcador desse livro e acho a capa linda <3 Mas ainda não li, o tema morte mexe muito comigo, preciso me preparar antes pra ler!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

    ResponderExcluir

Tecnologia do Blogger.