Cine Cult: Julieta

07/07/2016

Julieta | Classificação: ★★★★★ | Estreia em 07 de Julho de 2016
Texto: Murilo Maximiano | Revisão: Kamila Wozniak


O novo filme de Almodóvar (A Pele que Habito, Tudo Sobre Minha Mãe), e sua esperada volta às personagens femininas, apresenta Julieta (Emma Suárez/Adriana Ugarte), uma mulher de meia idade que está prestes a se mudar de Madri para Portugal, para acompanhar seu namorado Lorenzo (Dario Grandinetti). Entretanto, um encontro fortuito na rua com Beatriz (Michelle Jenner), uma antiga amiga de sua filha Antía (Blanca Parés), faz com que Julieta repentinamente desista da mudança. Ela resolve voltar para o antigo prédio em que vivia, também em Madri, e lá começa a escrever uma carta para a filha, relembrando o passado entre as duas.

O filme trata do abandono, Antía abandonou a mãe, há anos, aparentemente sem muitas explicações e é através da carta, e suas completas confissões, que Julieta apresenta o que aconteceu para chegar àquele ponto. Apresenta, ao menos, seu ponto de vista, já que mesmo depois de acabada a carta, ainda há o que se descobrir e se surpreender na história de vida de mãe e filha. Na verdade, ao fim do filme nem todos os mistérios serão revelados, e não é assim nas nossas relações? Aliás, a forma com que alguns pontos não são plenamente destrinchados e mostrados ao espectador aumenta a clareza de que estamos diante de personagens muito bem construídos.


Mesmo quando não compreendemos bem as motivações, compreendemos suas atitudes. O inesperado das relações interpessoais é abordado de maneira incrível e nos leva pela vida de Julieta, não explicando aquilo que ela mesma não conheceu, viveu ou descobriu. O drama do filme é no ponto ideal. Sem apelar para o exagerado, várias situações adversas passadas por Julieta nos são apresentados e sentimos a depressão e toda a carga dramática que ela e as personagens num geral passam. Almodóvar acerta a mão na narrativa, nos dando um drama com pitadas de mistério que dão um toque de thriler em alguns momentos, algo que mantém a trama fluida e interessante, além de altamente instigante.

Julieta não é o melhor trabalho do diretor espanhol, mas carrega consigo toda a experiência de seus filmes anteriores e é conduzido com o primor esperado. Cheio de mistérios em relação as personagens e sem revelar mais do que é necessário, o espectador é belamente conduzido pelo drama da vida de Julieta e apenas através de sua ótica. Mesmo quando é revelado o motivo do desaparecimento de Antía e a conhecemos melhor, ainda é pelos olhos já atormentados e presos à memória da garota de 18 anos que Julieta tem. Isso pode parecer frustrante, mas a humanidade por trás da forma com que tudo é revelado (e o que não é) que torna mais interessante a trama. O longa não é tão atraente ou rico como os principais do diretor, mas é fluido e otimamente executado, definitivamente um filme que vale a pena ver.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Tecnologia do Blogger.