SC Entrevista: Tradutora de Ônix - Saga Lux

09/06/2016

Quem já leu a barra lateral do site, onde estão as informações de blogueira, sabe que eu faço faculdade de Tradução. Aproveitando o lançamento de Ônix, segundo livro da Saga Lux, e a minha faculdade, pedi a editora Valentina, que gentilmente atendeu meu pedido, para entrevistar a tradutora do livro.


Bruna Harstsein respondeu perguntas sobre o trabalho de um tradutor, suas competências, e claro, sobre como foi o processo de traduzir o livro Ônix. Muito obrigada pelas respostas Bruna e espero que vocês gostem de ficar por dentro dessa profissão tão importante para os leitores.

1. Começando do começo Bruna. Poderia contar um pouco da sua trajetória para quem, assim como eu, se interessa pela profissão de tradutor. 

Bom, eu estava meio perdida sobre o que fazer da vida. Estudava jornalismo, mas não estava gostando muito. Até que uma amiga que trabalha como intérprete em congressos comentou sobre o trabalho. Ela me enviou um texto técnico para traduzir para o inglês e, ao final, disse que achava que eu tinha jeito pra coisa, mas que seria bom fazer um curso. Procurei me informar e descobri que a PUC oferecia um curso de formação de tradutores, ligado ao departamento de Letras. Como sou louca por livros desde criança, me apaixonei de cara pela tradução literária e percebi que essa era minha verdadeira vocação.

2. Muitos leitores confundem o trabalho que você faz com o de outros profissionais dentro de uma editora, como o de um revisor, por exemplo. Até onde vai o trabalho de um tradutor? É você que escolhe o título do livro? Sugere chamadas...?

Acho que em primeiro lugar é um trabalho de interpretação, realizado com o conhecimento da língua e da cultura do autor. Demanda, também, muita pesquisa. Na saga Lux, por exemplo, pesquisei sobre as Seneca Rocks, órgãos do governo americano, composição de minerais como quartzo-beta, diferença entre refração e reflexão da luz, entre outras coisas. A gente costuma brincar que quanto melhor o trabalho, mais invisível é o tradutor. O leitor não pode sentir que o texto é uma tradução, ele tem que fluir como se o autor tivesse escrito em português. Já o revisor não tem a mesma obrigação que o tradutor de conhecer tão a fundo a língua que está sendo traduzida. O que ele precisa é verificar a ortografia e gramática, assim como analisar a fluência e coesão textual e, é claro, checar se o tradutor cometeu algum salto, ou seja, se pulou alguma parte. 

Quanto ao título, os tradutores fazem uma sugestão, mas, em última instância, a decisão fica a cargo da editora. Em relação aos textos de orelha e quarta capa, eles podem ser apenas uma tradução, dependendo do exemplar original, ou o editor pode te pedir para redigir algo. Mas a decisão final do que vai entrar também é da editora. 

3. Como é o seu processo de trabalho? Você procura saber sobre o autor e o livro antes de traduzi-lo? Já conhecia a série Lux? 

Procuro sempre ler o livro antes e me inteirar sobre o autor. Dessa forma você já identifica as possíveis saias justas e define corretamente termos que possam vir a ser recorrentes. Nada pior do que escolher um termo no início e, lá no final do livro descobrir que ele não se adequa. Dá um trabalhão voltar para verificar e substituir tudo. 

Não, não conhecia a saga, mas mesmo antes de terminar a tradução do Ônix, já tinha lido todos os outros.


4. Você sentiu dificuldade em traduzir alguma coisa de Ônix? Teve alguma parte, palavra ou frase, que foi difícil? 

Todo e qualquer livro tem sempre saias justas, seja por causa de trocadilhos, descrições de lugares que você não conhece, palavras inventadas, formas de estruturação diferente entre a língua que está sendo traduzida e a nossa, etc. No caso de Ônix, tiveram alguns momentos um pouco mais complicados, mas nada que viesse a me fazer querer arrancar os cabelos. 

5. Manter o estilo de escrever de um autor é complicado? A Jennifer tem um jeito despojado e jovem de escrever, envolvente.

Dependendo do caso, pode ser sim, bastante complicado. Alguns autores são muito herméticos, com um estilo demasiadamente rebuscado. Mas como você mesma disse, a Jennifer tem um jeito simples, informal e jovem de escrever. Assim sendo, é só tentar manter o português bem próximo ao que você utiliza no dia a dia.

6. Para finalizar, a parte mais importante. Poderia adiantar alguma coisa do que acontece no livro, já que você teve acesso em primeira mão!! 

Infelizmente não, afinal de contas, a graça é a surpresa. Só posso dizer que ainda vem muita ação, romance e reviravoltas pela frente.

*Pergunta off: Se apaixonou pelo Daemon no processo de tradução??

Quem é que não se apaixona? Qual é a garota que não quer um cara lindo, com um charme diabolicamente perigoso, mas que é ao mesmo tempo apaixonado, fiel, inteligente e que, ainda por cima, tem poderes sobrenaturais? 
 
Ônix já está à venda nas livrarias de todo país.

Um comentário:

  1. amooo essa série!! já li Ônix e OMG!! que livro é esse??!! AMEI <3

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