Cine Cult: Warcraft - O primeiro encontro de dois mundos

03/06/2016

Warcraft - O primeiro encontro de dois mundos | Classificação: ★★★
Estreou em 02 de junho de 2016
Texto: Murilo Maximiano | Revisão: Kamila Wozniak


É importante pontuar, antes de tudo, que esse filme não é um filho de O Senhor dos Anéis ou de outras produções de fantasia anteriores. A Blizard vêm trabalhando numa produção de seu principal universo de jogos há dez anos e o esmero nisso é observável nos cenários e personagens que vão deixar os fãs deslumbrados. Diferente das fantasias medievais convencionais, Warcraft aposta em efeitos e tamanho exagerados, marca registrada de seus jogos, e nos dá magia e raças diferentes do que estamos acostumados a ver. De fato, a trilogia baseada na obra de Tolkien parece até mesmo realista.

Em se tratando de efeitos, o filme está primoroso. A forma de captação de feições usadas para os atores que fizeram orcs e anões é incrível e o carisma passado por eles é inegável. Todos os ambientes estão também lindos e os planos onde se mostra o horizonte de Azeroth (remetendo ao jogo World of Warcraft) é ótimo. Alguns podem estranhar ou achar o excesso de efeitos algo ruim, mas era o que se esperava do filme, em comparação ao universo construído em 22 anos de jogos da franquia.


Os orcs são realmente um ponto a se fixar. A captura dos atores é tão boa que até mesmo poros podem ser vistos, isso transpassa nas atuações, nos trazendo personagens carismáticos e relacionáveis, não apenas monstros em CGI. Interessante que os orcs são tão bem trabalhados que se tornam mais reais, em questão de imersão, que os próprios humanos, os quais, tirando os personagens principais, parecem bonecos em armaduras sem nenhum tipo de carisma. Os problemas, no entanto, começam logo no início do filme. Com uma longa história para se introduzir, o primeiro ato parece atropelado. Tudo acontece muito rápido, com contínuas trocas de cenário, sem que o espectador tenha chance de se relacionar com o mundo que está sendo apresentado. A fluidez de cenas melhora ao desenvolver do filme, infelizmente a falta de imersão no mundo não.

Ainda que o filme se pese nos personagens, que são interessantes e carismáticos, o mundo parece jogado. Não há uma boa noção espacial e acabamos não sabendo ao certo onde fica Ventobravo ou onde a Horda está construindo o grande portal. Difícil notar qual a distância de cada cenário e onde ficam. Isso acaba por não permitir que se entre nesse mundo, atrapalha a imersão. Possivelmente fãs da franquia vão conseguir compreender plenamente os cenários, mas o espectador comum vai se sentir perdido entre as rápidas trocas de localidades. A falta de imersão acontece também com os humanos. Como já comentado, os orcs são todos extremamente bem feitos e até mesmo os figurantes são relacionáveis. Os humanos por sua vez são figurantes no âmago da palavra. Parecem bonecos e é difícil se emocionar com suas mortes, mais ponto negativo para a imersão no mundo de Azeroth.


As atuações estão todas muito boas com ponto alto em Toby Kebell, que interpreta Durotan. É a partir dele e de Olgrim (Robert Kazinsky) que conseguimos logo de início simpatizar com os orcs e assim vemos rapidamente que o filme não se trata de orcs maus e humanos bons, é uma guerra com dois pontos de vista diferentes, cada lado com seus vilões. Paula Patton também está muito bem com sua Garona, conseguimos ver sua sina de não ser nem humana nem orc logo de início, uma personagem perdida que Patton entrega muito bem. Travis Ammel entrega um Lothar interessante, diferente do herói simplório e altamente carismático que esse tipo de filme costuma construir, ele parece mais sagaz que apenas forte.

Warcraft é um filme que vale a pena ser conferido. Apesar de seus problemas, diferente de um típico filme de jogos, vê-se logo que ali há um mundo interessante a ser mostrado, personagens a serem explorados e uma boa história a ser contada. A forma como nenhum dos lados (Horda e Aliança) é mostrado como vilanesco também é um ponto forte, quando estamos acostumados a ver orcs como monstros sendo massacrados pelos heróis. Fãs vão com certeza adorar e espectadores comuns, apesar da dificuldade de imersão e da confusão causada por isso, com algum esforço podem conseguir entrar no fantástico mundo de Azeroth e se divertir. Um filme problemático, porém bom, e com uma premissa interessante, caso venha a ter sequências.




2 comentários:

  1. Eu quero muito assisti não pelo fato de que conheço o jogo, até porque realmente nunca o joguei, mas sim porque achei os efeitos lindos. Quando assistir ao trailer achei fantástico, embora ultimamente tenho lido alguns comentários negativos. Mesmo assim pretendo assistir.
    Beijos

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  2. Oi Murilo!
    Eu não conheço o jogo, mas quando vi o trailer me interessei pelo filme.
    Só que agora estou com medo de assistir e achar tudo confuso... Ainda não sei se vou ver no cinema ou espero passar na tv.

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

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