Cine Cult: Mais Forte que o Mundo – A História de José Aldo

13/06/2016

Mais Forte que o Mundo – A História de José Aldo | Classificação: ★★★★
Estreia em 16 de junho de 2016
Texto: Murilo Maximiano | Revisão: Kamila Wozniak


A parte inicial do longa, situado em Manaus, é angustiante e gera uma sensação de desespero da situação que vai crescendo até o momento que ele sai. Desde os planos embaraçosamente próximos até as luzes, sempre em cores que mantém a aflição de um José Aldo sem perspectivas no Amazonas, Poyart é muito bem sucedido em construir o psicológico do personagem e dar uma base para o mesmo. Assim que chega no Rio, a mudança no estilo de direção gera um alívio imediato, que combina bem com a sensação do personagem. Conseguimos acompanhar com sucesso todo o processo dramático ao longo do filme.

O filme também é bem sucedido na construção dos personagens, que fogem ao clichê barato que poderia ser esperado. Seu José (Jackson Antunes) – o pai que vive embriagado e bate na mãe – não é um monstro, pelo contrário, é mostrado como alguém que gera uma raiva terrível em Aldo mas também uma fonte de força, ao se lembrar de seus conselhos. Outros personagens também seguem bem construídos, desde a menina que deixou no Amazonas até Vivi (Cléo Pires), nenhum drama desnecessário é jogado, a carga dramática da própria história de Aldo já é o bastante.


Um ponto ótimo do filme é a maneira com que o interior de José Aldo é mostrado, estando sempre em batalha com uma forma fantasiosa antagonista incorporada num personagem aparentemente sem importância, Fernandinho (Rômulo Arantes Neto). Impossível saber exatamente o momento em que o personagem deixa de ser uma pessoa e se torna um fantasma na mente do lutador, mas a forma antagônica criada funciona maravilhosamente bem. As lutas são um espetáculo a parte. Mostrando a competência para ação que já havia demonstrado em suas direções anteriores, Poyart usa de slow motion, cortes rápidos, belas jogadas de câmera e planos em primeira pessoa que nos colocam dentro do octógono – ringue de luta do MMA – e dentro dos próprios lutadores, criando sequências de luta pouco vistas no cinema nacional.

Menção especial a uma certa cena onde Aldo luta contra vários ao mesmo tempo, uma cena de ação digna de Hollywood. O ponto fraco do filme reside, infelizmente, em um de seus pontos fortes. Apesar de demonstrar de maneira extremamente satisfatória a aflição que existe e todo o caos emocional relativo a Manaus, que retorna o tempo todo no filme, essa contraposição constante entre Amazonas ruim e Rio de Janeiro bom gera o próprio dualismo que o filme foge tanto e tão bem com os personagens. Além disso, o início do filme parece confuso, tentando plantar as bases do psicológico e as origens de Aldo mas querendo passar rápido demais para chegar logo ao Rio de Janeiro e onde a história do lutador começa em vias de fato.

De qualquer modo, Mais Forte que o Mundo vale a pena ser conferido. O filme é de um estilo que ainda é raro no Brasil, com boas sequencias de ação e um drama bem construído que foge do piegas. O filme consegue tocar e empolgar, exatamente nos momentos que precisa, e é impossível não torcer e se afligir nas lutas de Aldo. Um drama com ação na medida certa, um bom filme biográfico que humaniza a persona do lutador, ao invés da tão comum romantização barata.



2 comentários:

  1. Olá, Denise!
    Menina eu assisti no programa altas horas o ator conversando e contando da experiência de fazer esse filme. Ele realmente lembra bastante o José Aldo e pelo que vi fez um ótimo trabalho.

    Bjão.
    Blog Vida & Letras
    www.blogvidaeletras.blogspot.com

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  2. Já vi bastante divulgações deste filme, entretanto não tenho vontade de ve-lo por enquanto. Seilah, pra mim ele ainda está muito preso nos clichês de filmes de ação.

    Blog Decidindo-se \o/

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