Resenha: A Indomável Sofia

06/05/2016


Sofia Stanton-Lacy é alegre, impulsiva e de uma franqueza desconcertante, características que não combinam com o que se espera de uma mulher em sua posição na sociedade londrina do início do século XIX. Educada durante as viagens de seu pai, órfã de mãe, ela chega à casa de sua tia em Berkeley Square para derrubar as convenções e surpreender a todos com seus modos independentes e sua língua afiada. E Sophy parece ter chegado no momento certo: seus primos estão com muitos problemas. O tirânico Charles está noivo de uma jovem tão maçante quanto ele, já Cecilia está apaixonada por um poeta, e Hubert tem sérios problemas financeiros.

A prima recém-chegada decide então ajudar a todos com sua determinação e impetuosidade, e acaba enfrentando agiotas, roubando os cavalos de seu primo e atirando de raspão em um honrado cavalheiro. Embora sejam sempre mirabolantes e arriscados, seus planos sempre dão certo e tudo parece estar sob seu controle. O que ela não espera, porém, é que seu primo Charles, que aparentemente não vê a hora de arrumar um marido para ela, de repente passa a enxergá-la com outros olhos...

Eu tinha uma curiosidade imensa em ler a Georgette Heyer por escrever romances de época, daquele estilo que eu gosto, e por ver tantas pessoas comentando das suas protagonistas. Quando A indomável Sofia foi lançado, é que parei para conferir os livros dela que tinham sido publicados aqui e fiquei louca para ler esse que era o mais recente. Ele conta a estória de Sofia, uma jovem que é deixada aos cuidados da tia enquanto o pai passa um tempo no Brasil, vejam só.

Na casa da tia ela logo descobre que eles vivem sobre o braço forte do primo Charles, que determina como o dinheiro da casa será gasto e o casamento da irmã. Ele próprio escolheu uma noiva insuportável que também ajuda a deixar todos da casa em um clima bem triste. Sofia mexe com a vida de todo mundo. A primeira coisa a fazer é a ajudar uma das primas a casar com quem com deseja, depois a tia a ter novas perspectivas em casa e por fim, o Charles a ver que com sua noiva insossa ele não será feliz nunca. 

O livro acompanha em terceira pessoa a Sofia, o que é comum para livros desse gênero, e ela é uma personagem forte e determinada, como todo mundo comentava, mas muito manipuladora. Não necessariamente isso é ruim, porque ela não usa isso para o mau; é como se ela quisesse que a pessoas vissem o seu ponto de vista, mas pensando que são delas. Fora que para a época ela faz coisas que as mulheres normalmente não fariam. O Charles, que seria o seu par, é um carrasco sim, mas ele tem os seus motivos. O pai gosta o dinheiro da família jogando, então se ele não controlar os gastos ninguém terá nada. É um personagem que não tem muitos atrativos, porém, desperta interesse por ser sério e tentar fazer a coisa certa sempre.

Tenho muitos defeitos, mas não sou indolente nem medrosa, embora isso, sei muito bem, não seja uma virtude; o fato é que nasci totalmente isenta de nervosismo, diz meu pai, e quase sem suscetibilidade.


Acredito que muitos vão estranhar o envolvimento entre o casal desse livro. Eles passam, literalmente, o livro todo sem dar uma ideia de que se interessam um pelo outro. 'Mas Denise, como que eles ficam juntos então?': nas páginas finais. A dinâmica do livro é diferente, a Sofia se empenha em ajudar os primos e amigos e acaba ficando para depois, e esse depois é no final do livro. O Charles tem essa noiva que parecia certa para ele e que só no fim ele vê que é errada. O envolvimento amoroso fica por conta da nossa imaginação, porque é briga o tempo todo, os pensamentos não batem o que faz a gente pensar que os sentimentos sim. A construção desse romance não é fofa ou bonita, é prática como os casamentos daquela época.

A citação de Jane Austen na parte de traz do livro foi infeliz. Ela sugere uma comparação entre as duas e não estou querendo dizer que uma seja melhor do que a outra, só que são autoras com escritas tão diferente que se assemelham apenas por escreverem romances de época. Quem se interessa em ler esse livro por esse motivo pode sentir que não tem nada a ver. É comum compararmos livros, autoras, mas acho que forçar uma barra quando se trata de autores mais conceituados não é necessário. Georgette Heyer é ótima e venderia por si só. Inclusive a Record tem em seu catálogo outros livros da autora e um público fiel que se movimenta nas redes sociais.

Antes de fazer as considerações finais, eu tirei uma estrela do livro exatamente por esperar um romance mais parecido com a escrita de Austen e ver que isso não existe. Onde uma foca mais na construção do romance e no diálogo, a outra foca na convivência dos personagens, nos dramas e alegrias deles deixando o envolvimento em segundo plano. Para primeiro livro foi uma leitura muito boa e rápida, envolvente, que me deu noção do que esperar dessa autora, da sua escrita quero dizer. Já desejo outros livros dela no skoob e quem tiver para troca e quiser fazer negócios comigo, entre em contato por favor.

Quando se está em jogo o bem-estar de pessoas próximas, é impossível dizer que não se é responsável. Deve-se fazer um esforço para ser útil.

*Preciso fazer um comentário sobre a tradução e revisão desse livro. Achei que a tradutora poderia ter feito notas de rodapé para algumas palavras usadas naquela época e que agora a gente não usa ou sabe o significado. Isso não é muito comum em romances, mas se fosse uma tradução minha eu colocaria para que o leitor não tivesse que ficar parando e pesquisando ou até passando batido. E o livro tem palavras com a grafia errada. Elas estão escritas erradas no nosso português, mas me lembrou muito o de Portugal.

www.sejacult.com.brA Indomável Sofia
Georgette Heyer
Editora Record: Twitter/Facebook


3 comentários:

  1. Oi Denise!

    Nossa, eu já achei as autoras muito parecidas! O romance de costume das duas pra mim é semelhante, mas enfim, cada um é cada um rsrsrsr Eu adorei A Indomável Sofia, achei bem interessante e a Georgette realmente pesquisava o século 19, não fez um livro apenas pra romantizar uma história

    Quanto as notas de rodapé, eu super adoro notas, infelizmente os tradutores não usam, porque segundo dizem, os leitores não gostam... vai entender! rs

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  2. Oi, Denise, tudo bem?

    Não tive oportunidade de ler o livro ainda, mas ele com certeza chama a minha atenção. Comecei a ler romances de época em meados do ano passado e fiquei simplesmente apaixonada! <3
    Gostei do altruísmo da Sofia e acho que seria uma leitura bem agradável.
    Eu às vezes também acho que os tradutores pecam em não colocar notas de rodapé...

    Beijo
    - Tamires
    Blog Meu Epílogo | Instagram | Facebook

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  3. Oi, Denise!
    Esse livro gerou algumas opiniões bem diversas. Alguns gostaram, outros nem tanto.
    Eu quero ler por conta da época que ele foi lançado. Com certeza, a linguagem é diferente da atual.
    Beijos
    Balaio de Babados

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