Resenha Nacional: Capão Pecado

01/04/2016


Capão é um lugar abandonado por Deus e batizado pelo Diabo. É miséria, violência, droga e morte. É o retrato dos "mano", das "treta" que a moçada faz para se virar - e cada um se vira como pode. É o fim da linha. 

Usando a linguagem do gueto, alimentando-se daqueles personagens tão reais e sem futuro, Ferréz construiu uma narrativa original. Capão Pecado, seu livro de estreia, provocou o leitor ao revelar o cotidiano da periferia. Como o próprio autor disse há cinco anos atrás: Capão é um livro de mano para mano. É ácido e violento. É um grito. 

Ao contar a história de Rael - um garoto cujo sonho era ser escritor, mas o grande pecado foi ter se apaixonado pela namorada do melhor amigo - Ferréz expõe os códigos de uma das favelas mais violentas de São Paulo. E com este romance emocionante, ganhou visibilidade. Tornou-se um dos nomes mais importantes da literatura marginal, investiu na carreira de rapper e passou a colaborar para a revista Caros Amigos.

Capão Pecado é narrado em terceira pessoa e conta a história de várias personagens, tendo seus destinos entrelaçados, embora se tenha um foco maior no personagem Rael. A história começa quando Rael é pequeno, num dia de natal. Diferente de outras famílias, ele e seus pais, que vivem na periferia, não comemoram com uma bela árvore ou com presentes, por serem muito pobres. Tudo que recebem é um cartão de natal da empresa onde o pai dele trabalha. À noite, sem conseguir dormir por causa da curiosidade, Rael se levanta e vai e descobre o verdadeiro significado do cartão. Conforme o tempo passa, Rael vai vivendo sua vida e vai crescendo, buscando novas perspectivas e tentando não se envolver com as coisas ilícitas em que seus amigos estão metidos.

Começa a trabalhar de pintor numa metalúrgica e se apaixona por Paula, namorada de seu melhor amigo, Matcherros. Mesmo não querendo se envolver com ela por respeito ao amigo, Rael acaba não resistindo ao amor que sente e um sentimento perigoso vai crescendo entre eles. Como eu disse anteriormente, Rael não é o único personagem que tem sua história contada. Há muito mais personagens interessantes no enredo e todos eles têm algo que se entrelaça com a vida do outro, mas ele é aquele que nos causa um impacto maior, pois vemos sua vida e seus valores se moldarem conforme os acontecimentos de sua vida, mesmo que eu tenha achado que ele poderia ter sido melhor explorado e sua desconstrução ter sido melhor trabalhada.

As armadilhas estão armadas há tempos, algumas já utilizadas, nós a enxergamos e podemos desativá-las. Basta acreditar que a revolução começa a princípio em cada um de nós. Se eu quero, eu posso, eu sou. Abrace essa ideia de um modo positivo.

Li Capão Pecado, pois estou tendo Literatura de Resistência na Faculdade e esse é um dos livros da bibliografia que estamos estudando. O gênero é encaixado como Literatura Marginal, pois o que encontramos aqui são personagens que estão à margem da sociedade, do sistema. São pessoas que se encontram num ambiente esquecido, onde a lei é dominar para não ser dominado. O livro apesar da temática, no quesito violência não chega a ser tão pesado como eu imaginei. Ainda assim te faz refletir sobre como as coisas realmente são e como a mídia, ou até mesmo nós por não fazermos ou termos contato com pessoas que vivem uma realidade mais cruel, maquiam ou sequer percebem a gravidade dessa situação.

Embora eu não possa dizer que eu tenha amado o livro, porque esse estilo realista não é algo do qual eu goste muito, eu preciso dizer que admiro muito o autor porque ele realmente morou ou mora no Capão Redondo (para quem não conhece é/era um dos bairros mais violentos de São Paulo) e conseguiu chegar longe se fazendo conhecido, chegando mesmo a escrever para o seriado Cidade dos Homens. Então não vou dizer que indico ou que não indico, mas deixo a critério da curiosidade de cada um.

https://www.facebook.com/literaturadeepoca/?fref=tsCapão Pecado
Ferréz
Editora Planeta: Twitter/Facebook

 

3 comentários:

  1. Eu adoro esse tipo de leitura recententemente li um bem parecido que se passava em Salvador, gostei da resenha vou procurar mais sobre o livro.

    Visite: http://carpediemmica.blogspot.com.br/

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  2. Oi Naiara
    Também prefiro a fantasia, pois gosto de ler para me desligar do mundo, por isso são tão apaixonada por romance de época. Mas ler esse tipo de livro também é bom, pois precisamos entender que o mundo é muito mais que essa redoma onde nós, da classe média/alta vivemos. Este choque de realizada nos leva a reflexão e a pensar se estamos fazendo alguma coisa para mudar esta realidade.
    Gostei da resenha e dos seus pontos de vista.
    Abraços,
    Gisela
    Ler para Divertir
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  3. Gostei da resenha Naiara. Confesso que não é o tipo de livro que faz o meu estilo, mas não deixa de ser uma leitura interessante. Beijo!

    www.newsnessa.com

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