Resenha: Enquanto Bela Dormia

30/04/2016


Nos salões de um castelo, uma confidente leal guardou por muitos anos os segredos de uma rainha linda e melancólica, uma princesa que só queria ser livre e uma mulher que sonhava com a coroa. Esta é sua história. Ambientada em meio ao luxo e às agruras de um reino medieval, esta releitura de A Bela Adormecida consegue ser fiel ao clássico ao mesmo tempo que constrói uma narrativa recheada de elementos contemporâneos. Nessa mescla, os dramas de seus personagens um casal infértil, uma jovem que não aceita viver em uma redoma e uma família despedaçada pela inveja tornam-se atemporais. 

Quando a rainha Lenore não consegue engravidar, recorre aos supostos poderes mágicos da tia do rei, Millicent. Com sua ajuda, nasce Rosa, uma menina linda e saudável. No entanto, a alegria logo dá lugar às sombras: o rei expulsa de suas terras a tia arrogante, que então jura se vingar. Seu ódio se torna a maldição que ameaça a vida de Rosa. Assim, a menina cresce presa entre os muros do castelo, cercada dos cuidados dos pais e de Flora, a tia bondosa e dedicada do rei que encarna a fada boa do conto original. Mas quando todas as tentativas de proteger Rosa falham, é Elise, a dama de companhia e confidente da princesa, sua única chance de se manter viva. 

E é pelos olhos dessa narradora improvável que conhecemos todos os personagens, nos surpreendemos com o destino de cada um e descobrimos que, quando se guia pelo amor a magia mais poderosa do mundo , qualquer pessoa é capaz de criar o próprio final feliz.

Enquanto Bela Dormia, é uma releitura de A Bela Adormecida e se passa na era Medieval. A história é narrada em primeira pessoa por Elise que conta à sua bisneta o que as lendas escondem, voltando com ela há muitos anos atrás, quando ainda era apenas uma jovenzinha. Elise é uma garota simples do campo que vive com o pai que não a ama, sua mãe e seus irmãos.

Todavia, um belo dia quando vai à feira com a mãe, Elise esbarra acidentalmente em um garoto que a chama de bastarda. Intrigada por ter sido chamada assim, ela faz perguntas à sua mãe, que acaba lhe contando que ela é filha de um homem que a rejeitou, enquanto ela vivia no palácio e, dessa forma, ao engravidar e ser deixada, ela precisou seguir outros rumos.

Alguns anos se passam e Elisa acaba esquecendo-se do assunto. Todavia, por infortúnio do destino, ela e sua família contraem uma grave doença e, apenas ela, o pai e um dos irmãos conseguem se salvar. Em seus últimos momentos, a mãe de Elise lhe dá algum dinheiro e diz a ela palavras que fazem com que a garota procure sua sorte longe dos campos, em busca de algo maior.

Assim, Elise a jovem procura a ajuda de uma tia que acaba acolhendo-a em sua casa e ensinando-a como se comportar de modo mais adequado para que ela esteja preparada ao pedir um emprego no palácio. Sem muita dificuldade, Elise acaba conseguindo um serviço de camareira. Lá, ela conhece Millicent, tia do rei, uma mulher afetada que tenta exercer influencia sobre Lenore, uma rainha estéril. Depois de algum tempo servindo a todos no palácio, Elise consegue a posição de dama de companhia da rainha, ficando mais perto das intrigas e tramas.

A partir daí muitas coisas vão acontecendo, Lenore acaba gerando uma herdeira a que dão o nome de Rosa e Millicent é expulsa do palácio, pelo sobrinho. Quando Rosa recebe o batizado e uma comemoração por seu nascimento, eis que Millicent aparece que lhes roga uma maldição. E assim cresce a princesa Rosa, sob a constante ameaça de que a qualquer momento pode perder sua vida, e Elisa acaba se tornando a única que pode ajudá-la verdadeiramente a manter-se viva.


Uma boa parte da história gira em torno da Elise e de seus conflitos amarrados aos conflitos das pessoas que a cercam. Todos os capítulos sempre terminam com uma divagação que te levam a querer saber os motivos de Elise se sentir tão aflita pelas coisas que a aguardam no “futuro”. Eu particularmente amei a narrativa e achei a releitura muito melhor que o conto original (considerando que eu na verdade não gosto do conto A Bela Adormecida).

Entretanto, a autora trabalhou a história de forma tão única, que só posso dizer que eu amei. Elise, embora seja apenas uma dama de companhia, se mostra uma personagem perspicaz e, ao mesmo tempo em que deseja algo maior para si, ela também está sempre se importando verdadeiramente com aqueles que são seus amigos.

Como sempre, a Arqueiro arrasa nas capas, as letras são padrão como todas as outras publicações da editora e a diagramação está um primor. O livro, como dito anteriormente, embora busque um conto bastante conhecido, é muito único, e a maneira como a autora descreve os detalhes no texto é simplesmente fantástica.

Enquanto Bela Dormia é uma leitura encantadora e deliciosa, com um quê de romance histórico, com seus costumes e comportamentos. Para quem gosta de todos esses elementos eu digo que vale muito a pena dar uma chance ao livro. A quem não gosta, indico também, porque é impossível não se apaixonar por essa história.

https://www.facebook.com/literaturadeepoca/?fref=tsEnquanto Bela Dormia
Elizabeth Blackwell
Editora Arqueiro: Twitter/Facebook

2 comentários:

  1. Oi Naiara!
    Eu já li o livro e também gostei! Foi totalmente diferente do que eu imaginava e eu ficava sempre torcendo pela Elise.

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

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  2. Oi, Naiara!
    Eu li esse livro. Não dava nada pela história, mas acabei amando!
    Elise, tadinha... Passou longe da fila da sorte quando nasceu...
    Beijos
    Balaio de Babados

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