Cine Cult: Ave, César

13/04/2016

Ave, César | Classificação: ★★★★★ | Estreia em 15 de abril de 2016
Texto: Murilo Maximiano | Revisão: Kamlia Wozniak


Dos irmãos Coen (Ponte dos Espiões, Fargo), Ave, César! acompanha um dia na vida de Eddie Mannix (Josh Brolin), o administrador responsável por fazer os filmes andando na Capitol Pictures enquanto estrelas de cinema excêntricas estão a todo momento a ponto de causar polêmicas e escândalos. Durante a gravação de uma das maiores apostas do estúdio Baird Whitlock (George Clooney), o astro do filme, é raptado por um grupo que se autodenomina O Futuro. Mannix então deve lidar com isso sem que o caso caia na imprensa enquanto administra toda a loucura a ponto de ebulição no estúdio e pondera uma oferta de emprego irrecusável. Bem vindo à Hollywood dos anos 50.

Uma bem humorada homenagem e crítica aos estúdios do final da era de ouro do cinema americano, Ave, César! nos traz uma imagem caricata – ou nem tanto – dos interiores dos estúdios, protagonizado por uma versão cinematográfica de Eddie Mannix, apresentado como alguém que parece o tempo todo prezar pela eficiência acima da arte e buscando as mais simples formas de resolver os problemas, mas revelado como um amante do cinema e do trabalho que realiza.


O filme acerta ao ser uma comédia inteligente, com piadas críticas pontuais e situações hilárias que, ainda assim, parecem verossímeis e não apelam para o exagero tão comum no gênero. Todo o elenco nos apresenta os personagens de maneira fluida e irreverente, tirando ótimas risadas enquanto contemplamos o desenvolvimento de filmes fictícios que vai lembrar a qualquer amante de cinema das homenagens e referências.

As referências são um ótimo ponto, sets de filmagem que nos trazem musicais com sapateado, dramas e comédias de quarto e faroestes, todo o rico cenário de filmes da Hollywood da década. As referências estão ainda na própria cinematografia, situações onde o filme parece se tornar um film noir ou comédias burlescas e a trilha sonora que acompanha perfeitamente as pequenas mudanças no tom mas nos mantém na leveza da comédia.


As críticas tanto a Hollywood quanto ao pensamento da época estão presentes, mas tratadas de maneira cômica, o que acaba por não comprometer o tom divertido do filme. Desde o pensamento paranoico da infiltração de comunistas para destruir o american way of life, ao controle abusivo que os estúdios tinham sobre suas estrelas e as procuras por fofocas e polêmicas – ainda presentes –, tudo é parte da miscelânea que forma a obra.

Ave, César! termina sem um grande clímax, sem realmente chegar em algum lugar – característica até comum nos filmes dos Coen –, mas isso não atrapalha, por outro lado, torna o filme ainda mais exuberante. Não se trata de uma grande plot sobre sequestro ou um drama da vida de Mannix, é apenas um dia na louca fábrica de sonhos dos anos 50. Engraçado, divertido e crítico, o filme sobre a indústria de cinema acerta em cada ponto e é tão bom quanto o elenco ou os trailers fizeram parecer.




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