Cine Cult: A Bruxa e Um homem entre Gigantes

03/03/2016

A Bruxa | Nota: ★★★★ | Estreia em 03 de março de 2016
Texto: Diego Barreto | Revisão: Jonathan Humberto


A Bruxa conta a história de uma família de colonizadores no ano de 1630 que são expulsos de sua colônia e acabam tendo que viver isolados em uma fazenda próxima à uma floresta amaldiçoada. Diferente da atual safra de filmes de terror, em A Bruxa, o diretor (Robert Eggers, que também é o roteirista) não se utiliza de sustos para criar a tensão sempre presente no decorrer do filme. A fotografia do filme é de extrema importância para a narrativa. Ela ajuda a criar a tensão utilizando de uma iluminação mais natural e criando nas cenas noturnas um ar mais sombrio.

Esses elementos, acompanhados da trilha sonora, deram forma a todo o ar de mistério e tensão necessários para o filme. Um destaque especial para as atuações de Anya Taylor-Joy (Thomasin) e Harvey Scrimshaw (Caleb) que transmitem maravilhosamente bem a sensação de terror e urgência nos momentos necessários. Tem uma cena que eu considero completamente não condizente com o filme de um modo geral, mas, por ser uma cena curta, ela não chega a prejudicar todo o decorrer do filme até ali. Foi ótimo que eles não tenham insistido na ideia pois, uma vez que tentassem se manter naquilo, o clima instalado pelo filme poderia se desfazer.

Enfim, A Bruxa é um filme para se assistir com total atenção. É um filme que vai fazer você sentir medo, porém não vai te assustar. Fiquei muito feliz de a cabine ter acontecido pela parte da manhã, por motivos de não conseguir ir dormir com medo d’A Bruxa vir deitar comigo.



***

Um homem entre Gigantes | Nota: ★★★ | Estreia em 03 de março de 2016
Texto: Murilo Maximiano | Revisão: Jonathan Humberto


O herói solitário e virtuoso que luta contra um tirânico poder que tenta manter uma farsa enquanto esconde uma verdade terrível e inconveniente. Essa é a premissa básica por trás da história de Dr. Bennet Omalu (Will Smith), o médico neuropatologista forense (além de outros 7 diplomas, todos bem listados em uma cena logo no início do filme) que pioneiramente diagnosticou em Mike Webster (ex-jogador de futebol americano) uma ligação entre sua demência aparentemente sem explicação, as várias concussões que sofreu como jogador e as várias mortes por suicídio e aparentemente Alzheimer precoce em outros jogadores, a doença chamada pelo doutor de ECT, encefalopatia traumática crônica.

Dirigido por Peter Landesman (O Mensageiro, 2013), Um Homem Entre Gigantes nos traz a luta entre a gigante liga de futebol americano NFL e Dr. Omalu, mas o faz com pouco entusiasmo, ainda que com muita competência pelas atuações e pelo bom uso da ciência. A ciência, aqui, é um bom ponto. O filme não chega a ser explicativo demais, ou cientifico demais, para se tornar um filme médico ou algo assim, mantendo a atenção no drama. Ainda assim, as explicações são claras e pontuais o bastante para que o espectador consiga entender a doença, os riscos do futebol americano e o drama dos jogadores.

A atuação de Will Smith também é um ponto alto do filme, nos mostrando um personagem com maneirismo e um sotaque crível que fazem Dr. Omalu parecer real, ainda que excessivamente virtuoso. Isso inclusive conta como vitória do ator, apesar de o roteiro construir um personagem unidimensional, um herói incorruptível, inocente à “maldade corporativa” dos membros da NFL e sem falhas, Smith consegue dar dimensionalidade na sua atuação como geral, uma das melhores de sua carreira. Alec Baldwin e Albert Brooks também se mostram muito competentes em superar o estereótipo construído para seus personagens, mas fica claro o papel de redimido e de chefe suporte que fazem respectivamente. Gugu Mbatha-Raw é subaproveitada como a mulher do Dr. Omalu que, de tão rasa a personagem, não consegue fazer mais do que ser o interesse romântico e pilar do protagonista em alguns momentos.


A maior falha do filme é acabar sendo morno demais. A NFL nunca é apresentada como um antagonista realmente presente e falta um rosto para associarmos aos recorrentes empecilhos sofridos pelo doutor. Também não conseguimos entrar na vida pessoal e no romance, ficando toda essa parte muito rasa e simplista. Ainda que hajam vários obstáculos, o filme não dá a emoção e a comoção necessárias para a história, ainda que ela valha por si própria.

Um Homem entre Gigantes nos apresenta um história fantástica (imagino que ainda mais emocionante para americanos ou outros que acompanham futebol americano) e poderosa, nos mostrando um lado podre do esporte favorito dos americanos e a luta de um médico nigeriano para expor e salvar futuros jogadores. Nos apresenta ótimas atuações e um ponto altíssimo da carreira de Will Smith. Porém, é mal orquestrada, infelizmente não fazendo o necessário para se tornar um filme memorável, apenas um filme sobre uma história memorável.




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