Cine Cult: Um suburbano Sortudo

04/02/2016

Um Suburbano Sortudo | Nota Final: ★ | Lançamento em 11 de fevereiro de 2016
Texto: Lucas Simões | Revisão: Lucas Silva 


O primeiro problema do filme é o título, essa palavra, “suburbano” que toda vez que surge, parece que as pessoas estão tentando não dizer “favelado”. Por que simplesmente não dizer um brasileiro sortudo? Um cidadão sortudo? Um trabalhador sortudo? Na verdade essa falta de tato com a realidade da periferia se mostra, em alguns pontos, onde o humor do filme ao tentar conquistar o espectador, causa mais incômodo e ofensivo do que agradável.

A história para variar um pouco se constrói nos moldes de comédias americanas, utilizando clichês ultra batidos e já inexistentes até nos filmes americanos; mas que para alguns roteiristas ainda faz sucesso. Ok então! Denilson (Rodrigo Sant’Anna) é um camelô trabalhador, simples e romântico que se descobre herdeiro de uma fortuna após a morte de seu pai Damião (Stepan Nercessian), que nunca o conheceu. Parte do motivo para Denilson tomar interesse pela família do pai é o fato que se apaixonou por Sofie (a sempre lindíssima Carol Castro), enteada de Damião. Os membros da família de Damião são preconceituosos e não gostam de Denilson, querem roubar a fortuna dele já que é o único herdeiro. A comédia de Rodrigo Sant’Anna não é ruim, o ponto não é esse, mas o alivio cômico que ele faz.


Uma comédia de rua e comédia de contato direto com o público, de modo que para o cinema é uma linguagem diferente que não tem tanta força. É possível atestar isso em muitas cenas onde Denilson interage com as pessoas que estão na cena, fazendo graça da aparência delas e etc, coisa que o comediante de rua faz. Quando Sant’Anna busca uma comédia de monólogo, acaba caindo um pouco dentro da mesma coisa, cansa rápido e o jeito que fala engessou muito um dialeto de Zorra Total, por assim dizer. Tipo o que o Paulo Gustavo faz, que não é ruim também, mas cansa rápido porque não é uma comédia que tem tantos recurso. Mesmo assim Denilson é um personagem carismático, apesar da pouca força cômica que tem e consegue criar bons momentos. Infelizmente a construção da família de Denilson é ruim.

O Fábio Rabin faz o namorado de Sofie, um cara que manda tão bem em comédia realmente da Globo, mas aqui acabou decaindo. Carol Castro é tão desnecessariamente objetificada que a personagem dela perde a graça, apesar da atuação e da graciosidade de Carol Castro. O gênero tenta ser comédia, mas sinceramente os filmes da Globo sofrem terrível problema de terem o selo Globo, ou seja, são a referência nacional de boa televisão. Tudo que a Globo faz é brega, porque eles detém o respeito de muitas parcelas da população. Então precisam ter uma censura muito controlada do próprio conteúdo, mas comédia mesmo, nunca vai sair pela Rede Globo. Ou isso ou os cabeças de departamento são os dinossauros de sempre, vai saber. A trilha sonora como sempre é totalmente over e estraga mais ainda momentos dramáticos que os pontuam.


A temática das classes não é abordada de uma maneira que torne a narrativa ou os personagens mais humanos, portanto mais interessantes. Existe um pouco da coisa crua com a qual se possa identificar, que no todo é muito maquiado. Em alguns momentos as piadas que Denilson solta soam mais ofensivas com a própria classe social do que brincalhonas, (SPOILER) como quando ele e alguns amigos entram em uma sala, já avisa que “não é um arrastão” (SPOILER). Sofie é uma garota rica que tem sensibilidade com as pessoas mais humildes, mas nada no filme nos ilustra de onde isso surgiu, o que ou quem a fez achar essa sensibilidade para que se pudesse identificar ou justificar essa característica dela. Isso não é algo essencial, mas certamente é algo que agrega muita força a um personagem e torna ele/ela numa narrativa como um todo mais relevantes.

Damião é apenas o personagem que morre para que alguém se transforme através de sua morte, talvez por ser tão inspirador merecesse ter tido mais presença e talvez ter sido o motivo que despertou a sensibilidade de Sofie. Os outros familiares de Sofie são caricatos e a trama sugere que eles sejam do mal, coisa que eles tentam ser; só apenas enjoados. Um longa que dispensa qualquer atenção e nem a embasbacante beleza de Carol Castro compensam assistir esse desperdício de imagem HD.




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