Resenha: A última Fugitiva

13/01/2016


A autora best-seller de Moça com Brinco de Pérola, Tracy Chevalier, realiza sua primeira incursão ficcional na história norte-americana em A Última Fugitiva, trazendo à vida a Ferrovia Subterrânea e iluminando os princípios, as paixões e as realidades que alimentaram esse extraordinário movimento pela liberdade.

Quando a recatada Honor Bright embarca com a irmã em um navio partindo de Bristol, na Inglaterra, em direção ao Novo Mundo, está fugindo de uma frustração amorosa. Mas, ao se aclimatar à Ohio de 1850, dá de encontro com uma vida precária e sem graça, em uma cidade repleta de ruas enlameadas e florestas que servem de esconderijo para escravos que fogem para a liberdade no norte do país.

Deveria Honor esconder os fugitivos dos impiedosos homens que os perseguem? Ao mesmo tempo em que luta para encontrar seu lugar e sua voz, Honor precisa decidir o que aceita arriscar em prol daquilo em que acredita.

O livro é narrado em terceira pessoa acompanhando a protagonista Honor, uma jovem inglesa que após ter seu noivado desfeito decide deixar a Inglaterra e partir para a América do Norte com a irmã. Ao chegar, ela logo fica sozinha e encontra nos Amigos, como as pessoas que fazem parte da religião quaker são chamados, um pequeno consolo para enfrentar a situação de estar num país desconhecido. Os Estados Unidos de 1850 ainda está se formando e a escravidão é um assunto que diverge opiniões. A religião e a consciência de Honor não permitem que ela apoie tal coisa, mas as autoridades tem leis duras para quem ajuda escravos fugitivos. Honor não sabe se fica calada e não coloca a sua nova família em risco ou se luta contra algo errado e assume o risco de perder o que conquistou.

A Honor é uma personagem que pode causar sentimentos diferentes. No começo da narrativa ela é pacifica e aceita as coisas como são impostas a ela. Acredito que por estar num país diferente e sozinha, essa seja a estratégia, passar despercebida. Quando ela vira amiga da chapeleira da cidade e começa a ter noção da escravidão e de como isso interfere na sua vida, ela assume alguns riscos. Se no começo eu a achei um pouco subjugada demais, mais para o fim eu a entendi e passei a gostar dela, considerá-la forte. É preciso ler a personagem na sua época e com todas as suas adversidades, que dai sim você vai entendê-la. Outros personagens chamam a atenção no livro como o caçador de escravos, a própria chapeleira, uma mulher sozinha que tem o próprio negócio, e a família nova de Honor.


Quando eu postei a foto desse livro no instagram do site, comentei que tinha curiosidade em conhecer a autora por causa de Moça com brinco de pérola, um livro dela que eu quero muito ler. Porém, eu já li um livro da autora, o Seres Incríveis. Na época que eu li achei um livro ótimo. Foi um romance histórico, não iguais os da Arqueiro que fique claro, com personagens femininas fortes que me agradaram. Neste também temos uma personagem feminina forte e é um romance histórico, se passa em 1850. Percebi semelhanças apenas nisso, no resto são livros diferentes, mas que me inspiraram o mesmo sentimento, de livros que além de proporcionarem bom entretenimento passam informações. Você aprende sobre uma nova religião e como as mulheres daquela época conseguiam fazer a diferença arriscando a própria vida.

O tema central do livro é a escravidão, mas atrelada a isso temos a colonização americana e a religião quaker, muito forte na América do Norte. Nesse livro a gente entende um pouco de como se deu essa divisão dos que apoiavam a escravidão no sul e dos que não apoiavam no norte; uma divisão entre negros e brancos que acontece até hoje. Dá para ter uma ideia do impacto de acabar com a escravidão num país que estava começando a andar com as suas próprias pernas. A Honor imigra para os Estados Unidos, um país onde as regras ainda não estão bem claras, então o livro também narra como foi para ela vir de um país diferente e se adaptar em uma cultura ainda em formação. E por fim, tem a religião quaker, uma da primeiras implantadas nos Estados Unidos, que contou com a imigração de alguns ingleses levando essas crenças. Eles tem características bem diferentes e que são explicadas para que o leitor tenha uma noção.

Eu já procurei no skoob todos os livros dessa autora que foram lançados por aqui e marquei como desejados. É a segunda vez que me surpreendo com um enredo tão simples, mas comovente. Com mulheres a frente do seu tempo e que lutam pelo direito de ter a sua vontade realizada. Fora isso, temos estórias que instigam a pesquisa. Assim como aconteceu com Seres Incríveis, quando terminei de ler A última Fugitiva corri no google para pesquisar mais sobre os quakers e o incio da colonização americana. Já tinha trabalhado esse tema no curso de literatura inglesa, já que a religião influenciou as primeiras narrativas produzidas na América do Norte, mas não me lembrava de todos os detalhes. O livro é singelo, fluido e você torce pela protagonista, para que ela encontre o seu lugar no Novo Mundo. Gostei muito e recomendo.

A Última Fugitiva
Tracy Chevalier
Bertrand Brasil: Twitter/Facebook


Um comentário:

  1. Dessa autora eu li "Moça com brinco de pérola" e gostei bastante. Esse parece ser ainda melhor e a sua resenha só me deixou mais ansiosa. Ele está na minha meta de leitura desse ano (aliás, primeiro ano que faço meta; espero que não seja um big fail).

    Sobre o assunto da escravidão nos Estados Unidos e também sobre os quakers recomendo muitíssimo"A invenção das asas", de Sue Monk Kidd. É muito muito muito bom! É narrado sob o ponto de vista de Sarah Grimke, uma figura histórica real - uma filha de família rica sulista, que se torna abolicionista - e Encrenca, uma escrava. No livro nós percebemos a posição dos quakers contra a escravidão, mas também notamos que muitas alas da igreja preferiam o discurso à prática. "A última fugitiva" parece que vai ser um bom complemento a essas informações (é um assunto que me interessa).

    Beijos e até mais!

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