Cine Cult: A grande Aposta

15/01/2016

A grande Aposta | Nota ★★★★ | Lançamento em 14 de janeiro de 2015
Texto: Lucas Simões | Revisão: Jonathan Humberto


O filme abre e se apresenta como todo filme clichê que fala de Wall Street, com um monólogo de alguém, um homem, metidão, todo galã, aquela coisa, dando uma de que entende como o negócio funciona e tudo isso enquanto imagens da cidade vão passando.

Ele zomba as imagens que aparecem e nos inclui em seu clubinho particular, “você e eu etc”, “eles não entendem nada”, imediatamente nos sentimos confortáveis diante daquela voz e as mulheres ficam tristes de a tal voz não estar sem camisa. Sim, estamos falando da voz de Ryan Gosling. O filme felizmente tem pouco de exposição preguiçosa cheia de diálogo e imagens aleatórias e tem muito trabalho de ator.

A trama gira em torno da crise imobiliária de 2008 que ocorreu nos Estados Unidos e que quebrou Wall Street, em particular fala sobre os poucos homens que puderam prever que essa crise estava chegando e que não fizeram nada para impedir isso pois era algo impossível de impedir.


O roteiro é excepcional, se não levarmos em consideração os clichês de filme de Wall Street que acabam não sendo tão frequentes e se transformam em algo mais direto com o ator falando diretamente com a câmera, ao contrário de imagens de arquivo de Nova Iorque com um monólogo pretensioso rolando ao fundo, coisa que tem mas pouco. Os diálogos são excelentes, a forma como a câmera e edição se coordenam entre as trocas dos atores mostra uma ótima direção tanto de técnica como de atores, parabéns Adam McKay.

Em particular as atuações de Christian Bale e Steve Carell são de tirar o fôlego. Christian Bale é um ator que literalmente se transforma em certos papéis, e esse é um deles, onde ele encarna um gênio analista de riscos, antissocial, desajeitado com palavras, calado, do tipo esquisitão, e te conquista com sua personalidade tão crível. Carell encarna um tubarão de Wall Street, gênio em encontrar furadas financeiras, que tem um problema de controle de raiva e emoções contidas. Sua atuação merece destaque porque no meio de tantos outros gigantes ele é o que mais nos carrega e mais nos emociona, sendo a história apresentada a nós mais por intermédio dele e seu estresse hilariante do que pelos outros personagens.


Agora uma coisa que incomodou este crítico de uma maneira gritante foi a total falta de diversidade no elenco. Só tem homens brancos no elenco, no núcleo que investiga o furo da questão imobiliária. Tem a lindinha da Marisa Tomei que faz a esposa que apoia o homem, mas não tem ninguém ali na ação. “Ah, mas não faz sentido ter negros ou latinos ou asiáticos, homens ou mulheres, em Wall Street, no topo da Big Apple.”. Então a gente pode ter carros que voam, espadas feitas de luz, animais falantes, super heróis, mas não pode ter uma mulher latina bem-sucedida mandando e desmandando em Wall Street? Que magia incrível que o cinema tem! Nossa, estou estupefato!

O Ryan Gosling não fica sem camisa, então pronto. Sua namorada não quer mais assistir. Excelente roteiro, terrível seleção de elenco pseudo realista, Bale e Carell destruindo e um tema muito real e relevante para ser pensado nos dias de hoje e nos momentos atuais inclusive. Recomendado.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Tecnologia do Blogger.