Cine Cult: A 5ª Onda

22/01/2016

A 5ª Onda | Nota: ★ | Estreou em 21 de janeiro de 2016
Texto: Lucas Simões | Revisão: Jonathan Humberto


O roteiro inicia mal, nos joga dentro de uma situação com a protagonista Cassie (Chloe Grace Moretz) e mal estamos na situação já entra um flashback pra explicar o que está acontecendo, coisa que se já começasse explicando tinha nos poupado alguns minutos desnecessários. O recurso do flashback aqui não funciona porque não é um recurso padrão, ou seja, não vamos pouco a pouco acompanhando a protagonista e ela, através de breves lapsos de memória, (flashbacks) ir nos apresentando novos elementos da história. Fosse assim tudo bem, mas o flashback entra uma vez só, não é um recurso necessário, não faz parte da linguagem, então é irrelevante.

Cassie é uma linda aluna do ensino médio, está obviamente afim do capitão do time de futebol, Ben Parish (Nick Robinson, o Macaulay Culkin moreno), porque o roteiro já começou ótimo né. Ela tem uma família e uma melhor amiga, Lizbeth (Gabriela Lopez) que a gente vê pouco então nem lembra que existe depois de vinte minutos de filme. O filme é baseado no livro homônimo escrito por Rick Yansey e a estrutura dramática segue o formato já batido de filmes de sobrevivência adolescente, onde tem uma conspiração, um triângulo amoroso, muita porrada e etc.


No quesito gênero, o roteiro podia ter assumido uma roupagem um pouco mais sóbria e menos forçadamente dramática, coisa que no produto final explorou bem o potencial de interpretação de Chloe Grace Moretz, porque ela é boa, mas as situações dramáticas não se justificam. Surge muito drama por uma situação que não precisa daquele drama todo, Cassie mergulha no drama e traz o drama, mas a situação não pede tanto assim. Fica forçado; não pela atriz, mas pelo roteiro. Talvez o fato do filme ser tão colorido e brilhante destoe da intenção do roteiro nas ações dos personagens. Um erro de comunicação de departamentos, vai saber!

Chegamos a um outro problema do roteiro, chamado Evan Walker (Alex Roe). Primeiro o seguinte: Cassie é uma adolescente que se vê diante de uma situação impossível, de sobrevivência, de medo, de solidão, confusão, e ela tem zero ferramentas pra lidar com isso. Daí em determinado momento ela é ferida e convenientemente salva por alguém. Aqui seria o momento em que entraria um mentor, certo? Uma pessoa pra preencher esse vazio que Cassie necessita, mais ainda agora que perdeu os pais, então uma figura paterna ou materna seria ideal. Ao invés disso, quem surge? Um cara bonitão dos olhos verdes, noções de medicina, futuro engenheiro, caçador, barba por fazer, musculoso do peitoral depilado que toma banhos nus em lagos desertos e que acredita no amor verdadeiro. Evan Walker.


Primeiro erro do roteiro é esse cara existir, segundo erro é esse cara ser um deus ex-machina ambulante. Deus ex-machina é toda solução de conflito não previamente justificada. Como assim? Por exemplo, aquela cena clássica de final de filme do “foi tudo um sonho”, é uma solução que surge, não é construída através da narrativa pra ter lógica, pra te convencer enquanto expectador. Então, o Evan é o Batman! Para ficar mais fácil, bate em todo mundo, invade, hackeia e explode tudo. Ele é o cara, entendeu? Outro personagem mal aproveitado é Sam, irmão caçula de Cassie que cai de paraquedas numa situação impossível e em momento algum mostra qualquer amadurecimento, o que é triste, principalmente em uma narrativa que busca passar essa mensagem de sobrevivência e de esperança.

Muitos “ass shots”, planos de enquadramento do quadril visto de trás, das duas personagens femininas - a esquisita popular Cassie e a Julia (Bailey Anne Borders) - porque afinal se trata de um filme adolescente, então existe uma certa objetificação por causa dos hormônios, entende? Felizmente não há nenhuma menção em diálogos ou em ações de nada machista, nisso o roteiro mandou muito bem, mas só nisso também.


Todos os outros personagens que não foram mencionados: ninguém precisa se preocupar porque eles são bastante irrelevantes e pouco memoráveis. Você aprende um nome ou outro, alguém fala algo bom a respeito de alguém que você sabe o nome e a pessoa morre ou não. Tanto faz, o filme acaba! Acaba com um cliffhanger que nem é muito assim (cliffhanger é uma expressão para aquela cena final que te deixa doido pra assistir o próximo episódio/filme). Vem a cena final depois de tudo que acontece e você enquanto expectador está meio perdido pela falta de informação. O que acontece agora, pra onde os heróis vão, pra onde os vilões foram, por que os vilões fugiram e a pergunta mais importante de todas: por que Evan Walker, o nosso Batman de olhos verdes, não resolveu a parada? 

Esse roteiro é desprezível! Chloe Grace Moretz está bem apesar de tudo e, cara, Evan Walker sem camisa, apenas. Mesmo assim, não recomendado.




Um comentário:

  1. Esse filme parece ser ótimo. Eu tô louca pra ver e já combinei com as amigas de assistir essa semana <3

    www.itszabella.com

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