Resenha: À Sombra da Figueira

30/12/2015


Para a menina Raami, de sete anos de idade, o fim abrupto e trágico da infância começa com os passos de seu pai voltando para casa na madrugada, trazendo detalhes da guerra civil que invadiu as ruas de Phnom Pehn, a capital do Cambódia. Logo o mundo privilegiado da família real é misturado ao caos da revolução e ao êxodus forçado. Nos quatro anos seguintes, enquanto o Khmer Rouge tenta tirar da população qualquer traço de sua identidade individual, Raami se apega aos únicos vestígios de sua infância — lendas míticas e poemas contados a ela pelo seu pai. Em um clima de violência sistemática em que a lembrança é uma doença e a justificativa para execução sumária, Raami luta pela sua sobrevivência improvável. Apoiada no dom extraordinário da autora pela linguagem, Sombras da Figueira é uma história brilhantemente intricada sobre a resiliência humana. 

Finalista do Prêmio PEN Hemingway este livro vai levá-lo às profundezas do desespero e mostrar horrores abomináveis. Vai revelar uma cultura maravilhosamente rica, lutando para sobreviver através de pequenos gestos,. Vai fazer com que jamais sejam esquecidas as atrocidades cometidas pelo regime Khmer Rouge. Vai lhe encher de esperança e confirmar o poder que há ao se contar uma história de nos elevar e nos ajudar não somente a sobreviver, mas à transcendência do sofrimento, da crueldade e da perda.

À Sombra da Figueira é uma história narrada em primeira pessoa por Raami, uma jovem princesinha que vê sua família se desfazer por conta do novo regime imposto aos habitantes de seu país, o Camboja, liderado pelos soldados do Khmer Vermelho.

No início do ano-novo, Raami, seu pai, o Príncipe Tigre, mãe e irmã, são obrigados a sair de sua casa, pois, com a queda do regime antigo, os soldados da Revolução, ou Khmer Vermelho, ocupam o poder, e levam as famílias para um templo budista, onde todos são obrigados a encontrar e dividir um pequeno espaço.

Durante o tempo em que Raami e sua família estão no templo, são obrigados a tomar decisões que não querem e a fazer trabalhos forçados. Mas mesmo com a dor e a destruição ao redor, seu pai vai lhe mostrando cada pequena beleza e incentivando-a a conservar consigo a esperança.

Talvez seja natural para um pai, para todos os pais, ver em seu filho tudo o que é bom e intocado. Mas se puder, Raami, quero que vejo isso em si mesma. Não importa quanta feiura e destruição testemunhe ao seu redor, quero que sempre acredite que o menor vislumbre de beleza aqui e ali é um reflexo da morada dos deuses. Isso é real, Raami. Existe esse lugar, esse espaço sagrado. Você só precisa imaginar, atrever-se a sonhar. Está dentro de você, está dentro de todos nós.

Por ser uma criança a narrar a história, a sensação de inocência e, ainda assim, de realidade sobre tudo que está acontecendo, é bem forte. Em muitos momentos você sente revolta e tristeza pelo que está acontecendo, ainda mais por saber que, apesar de ser ficção, o regime realmente existiu e apropria autora o vivenciou, dessa forma, além das próprias pesquisas, podemos perceber que Vaddner tem propriedade no que descreve.

O livro é muito lindo, a capa uma graça e a diagramação um primor. As letras têm um tamanho excelente e eu amei as páginas serem amarelas. Apesar de ser um livro bastante profundo e haver muitos momentos de tristeza, a leitura dessa obra é mais que recomendável. É a visão de uma garotinha, uma garotinha inocente que ainda está aprendendo as coisas da vida, sobre o regime comunista que destruiu seu país e desfez muitas famílias.

À Sombra da Figueira
Vaddey Ratner
Geração Editorial: Twitter/Facebook

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Tecnologia do Blogger.