Resenha Nacional: Dois Irmãos

27/11/2015

Dois Irmãos" é a história de como se constroem as relações de identidade e diferença numa família em crise. É a história de dois irmãos gêmeos - Yaqub e Omar - e suas relações com a mãe, o pai e a irmã. Moram na mesma casa Domingas, empregada da família, e seu filho.

Esse menino - o filho da empregada - narra, trinta anos depois, os dramas que testemunhou calado. Buscando a identidade de seu pai entre os homens da casa, ele tenta reconstruir os cacos do passado, ora como testemunha, ora como quem ouviu e guardou, mudo, as histórias dos outros.


Do seu canto, ele vê personagens que se entregam ao incesto, à vingança, à paixão desmesurada. O lugar da família se estende ao espaço de Manaus, o porto à margem do rio Negro: a cidade e o rio, metáforas das ruínas e da passagem do tempo, acompanham o andamento do drama familiar.

Prêmio Jabuti 2001 de Melhor Romance.

Dois irmãos é uma obra de Milton Hatoum e foi eleita pelos críticos o melhor romance brasileiro dos últimos quinze anos. A história é ambientada no Amazonas, mas também tem elementos libaneses, já que seus personagens, assim como o próprio autor, têm origem no Líbano.

Narrado em primeira pessoa por Nael, filho da empregada Domingas, a obra nos apresenta a trama de dois irmãos gêmeos que, porém, são completamente diferentes um do outro no quesito personalidade. Yaqub é o irmão sério e mais racional, enquanto Omar é mais festivo e emotivo. Ainda na infância, ambos se encantam por Lívia, uma moça linda, de uma família conceituada. A garota sente uma inclinação maior pelo irmão mais sério e, com ciúmes, o Caçula corta o rosto do irmão com um pedaço de vidro, deixando-lhe uma cicatriz em uma das bochechas.

Para evitar que a discórdia entre os irmãos aumente, Halim e Zana, pais dos gêmeos, decidem mandar um deles para o Líbano. Yaqub acaba sendo o escolhido e, depois de anos, ao retornar ao Brasil, em vez de ter sua raiva aplacada, o ódio pelo irmão e o desprezo pela família voltam com ainda mais força. Yaqub decide deixar a família e ir morar em São Paulo, e acaba formando-se e tornando-se engenheiro. Enquanto isso, Omar permanece com os pais, sendo mimado por Zana, e vivendo uma vida desregrada de festas, bares e bebedeiras, causando grande transtorno para o pai.

Ele me encarou. Eu Esperei. Queria que ele confessasse a desonra, a humilhação. Uma palavra bastava, uma só. Perdão.

A narrativa não segue uma ordem cronológica, em alguns momentos nos vemos na infância dos irmãos, noutros temos a vida de Halim e Zana antes do nascimento dos filhos e por ai vai. Cada personagem tem suas particularidades: Zana, a mãe, é uma mulher possessiva, que protege demais o filho desregrado, deixando mesmo de dar atenção aos filhos Yaqub, Rânia e ao esposo. Já Halim demonstra sempre insatisfação com o comportamento do filho Omar, vendo-o mesmo como um estorvo para o relacionamento dele com a esposa.

Sobre os irmãos, confesso que Omar, o Caçulo, não me cativou em nenhum momento, e eu detestei o comportamento dele do início ao fim. Para não culpar o Omar de tudo, entendo que muito do jeito dele também se devia a superproteção de Zana, que também chegou a ser uma situação que muito me incomodou. Já com Yaqub foi diferente. Achei extremamente injusto ele ter sido o filho a ser mandado para o Líbano, já que ele é que havia sido ferido, mas fiquei feliz por ele ter se superado, estudado e construído uma boa carreira, ainda que no final ele tome algumas atitudes extremas.

O livro contém poucas falas, porém é relativamente pequeno e o modo como Milton nos traz toda a trama, como nos prende, fazendo com que a gente queira desvendar os segredos e tudo mais, torna a narrativa bem fácil e leve, além de nos levar a uma cultura totalmente diferente. Há também uma crítica social e vamos vendo os avanços e as mudanças que vão ocorrendo no ambiente conforme o tempo vai passando.

Eu sinceramente gostei bastante do livro, li por causa da faculdade sem muitas expectativas e, apesar de ter estranhado um pouco no início porque nunca tinha tido contato com uma história que se passasse em uma cultura diferente dentro do Brasil, já que a maioria dos romances atuais se passa no Rio de Janeiro, em São Paulo ou no Sul. Mas posso dizer que vale muito a pena, e me parece que uma série foi gravada para a televisão e em 2016 teremos os personagens de Milton Hatoum criando vida nas telinhas. O jeito é aguardar, por isso corram com as leituras!

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Milton Hatoum
Editora Companhia de Bolso

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