Resenha: A Esperança

23/11/2015


Depois de sobreviver duas vezes à crueldade de uma arena projetada para destruí-la, Katniss acreditava que não precisaria mais de lutar. Mas as regras do jogo mudaram: com a chegada dos rebeldes do lendário Distrito 13, enfim é possível organizar uma resistência. Começou a revolução. A coragem de Katniss nos jogos fez nascer a esperança em um país disposto a fazer de tudo para se livrar da opressão. 

E agora, contra a própria vontade, ela precisa assumir seu lugar como símbolo da causa rebelde. Ela precisa virar o Tordo. O sucesso da revolução dependerá de Katniss aceitar ou não essa responsabilidade. Será que vale a pena colocar sua família em risco novamente? Será que as vidas de Peeta e Gale serão os tributos exigidos nessa nova guerra? 


Acompanhe Katniss até o fim do "thriller", numa jornada ao lado mais obscuro da alma humana, em uma luta contra a opressão e a favor da esperança. 


A revolução não pode mais ser contida, é assim que começa A Esperança. Após o final de Em Chamas, Katniss agora se junta aos rebeldes do Distrito 13 para derrubar a Capital. A esperança dela é conseguir acertar as contas com o presidente Snow. Só que não será fácil, a Capital é uma fortaleza e entrar nela e alcançar seu objetivo vai requerer de sua equipe muito mais que força. Em paralelo a isso, tem o problema dela com o Peeta, que a afeta diretamente e parece não ter uma solução. Ser o tordo é um fardo que a Katniss repensa o tempo todo, arriscar seus familiares parece ser algo que ela não consegue evitar, então será que vale a pena? Vale a pena essa revolução, a liberdade que ela trará, se quem você ama morrer?

Sendo os dois primeiros pelos olhos da protagonista, claro que este seria assim, narrado pela Katniss. Eu vou comentar melhor sobre o final mais pra frente da resenha, mas adiantando um pouco existe uma mudança na personalidade dela que não me agradou. Pelo menos eu vi assim. A Katniss não é uma personagem fácil de ler ou amar, ela é crua nos seus sentimentos; indecisa com o que quer e precisa. Isso se reflete na sua relação com Peeta e Gale, que orbitam em volta dela sem saber como seguir suas vidas exatamente por causa disso. Em nenhumas das resenhas passadas eu deixei claro quem era o meu favorito entre os dois, então lá vai, sempre foi o Gale. É um mal que eu tenho, sempre escolher os amigos, acho que já vivi muito essa situação e acabo esperando que nos livros eles tenham mais sorte, enfim.

Eu comecei esse livro empolgada e receosa ao mesmo tempo. Empolgada porque seria a revolução, seria ou a queda do Snow ou da Katniss e receosa pelos comentários. Até onde vai o primeiro filme, que eu vi antes de ler, a leitura foi tranquila; fui só ligando as coisas. Da parte que o segundo filme começa eu já fiquei perdida. Não sei se foi eu lendo rápido ou se foi como a autora organizou as ideias, mas eu não consegui entender algumas partes, principalmente depois do treinamento da Katniss para o que acontece no final. Ela está confusa também, tendo que lidar com Peeta e Gale, a revolução e o seu papel de tordo. A Katniss nunca se sentiu verdadeiramente como a líder da revolução, como a esperança, ela interpretava esse papel e nem sempre sabia fazer isso bem. Não vou mentir, achei que no final ela se renderia e assumiria ser o tordo para sempre.


A autora sempre entrelaçou os livros para que nos três tivéssemos jogos, pessoas matando uma as outros para sobreviver. Sem revelar nada de importante, isso acontece aqui sem toda a pompa e arenas que nos outros, mas acontece. Temos também cenas de guerra, muita luta contra a Capital, bombas e menos cenas românticas. O amor nunca foi o foco da autora, então aqui isso não mudou. O lado perverso da Capital está mais aflorado do que nunca aqui, os mutantes que eles criaram não são muito bem descritos, mas dá para ter uma ideia de como seriam. É provável que no filme tenhamos algo mais visual. As estratégias aqui acabam levando a gente de um lado para outro. Surgem dúvidas a respeito da presidente do Distrito 13 e a Katniss se pergunta, se o tempo todo ela não foi enganada tanto pela Coin quanto pelo Snow.

Sobre o final. 90% das pessoas que me viam lendo esse livro falavam que esse era o pior de todos, por causa do que aconteceu nos capítulos finais e eu concordo com elas. A autora tinha nas mãos a chance de fazer o melhor livro da trilogia e fez o pior. A alma do livro é a personalidade da Katniss e ela pegou isso e mudou tudo no final, ficou uma personagem que eu não consegui ver como a do inicio. O mais interessante nela é a falta de perfeição. Ela sempre pensou mais na razão, sempre viu as coisas com frieza em muitos momentos, o que causava até uma aversão em mim no começo. Só que isso é a personagem, essa pessoa que tem o bem e o mal dentro de si brigando para sair. Mas no fim, ela não está reconhecível, é uma versão piorada de si mesma. Sem contar que as circunstâncias a fazem escolher entre Gale e Peeta, não é uma decisão só dela.

A minha birra inicial com Jogos Vorazes, por causa dos atores escolhidos para a adaptação, me impediram de ler uma trilogia incrível quando ainda existia o boom da série. Se bem que eu acho que ler agora também foi muito bom, menos expectativas e brigas. É uma estória realmente marcante e é engraçado, porque eu não imaginava que gostaria tanto, achava que era fogo de palha dos fãs. Paguei a língua bonito, mas tudo bem. Sobre o filme, eu ainda não vi a segunda parte e todos os outros eu vi antes de ler e gostei assim. Pensei nos livros complementando o que eu tinha visto e não faltando, como acontece ao contrário. Com esse será diferente, então não sei como vai ser a minha reação, espero que melhor que o livro. Não pesquisei muito se a autora tem outras obras, mas espero que sim e leria com certeza.

Uma nova sensação começa a germinar dentro de mim. Mas só consigo defini-la quando estou em pé em cima de uma mesa, acenando para me despedir de todas aquelas pessoas que cantavam meu nome com suas vozes roucas. Poder. Tenho uma espécie de poder que jamais soube que possuía. 

www.seja-cult.comA Esperança - Jogos Vorazes - Livro 3
Suzanne Collins
Editora Rocco: Twitter/Facebook

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