Cine Cult: A Visita

25/11/2015

A Visita | Nota: ★★ (Regular) | Estreia em 26 de novembro de 2015
Texto: Lucas Simões | Revisão: Lucas Silva


O filme se apresenta bem, possui um lettering, uma tipografia tenebrosa e dramática que ajuda a nos inserir no ambiente do filme, que juntamente com a trilha sonora sugere ser um terror. Ou seja, o que podemos esperar? Várias pessoas numa casa, de vez em quando tem visita, uma delas vai obviamente morrer de uma maneira nada violenta porque o filme é PG-13 (treze anos pode assistir, totalmente sem graça isso), de dia as pessoas vão conversar e de noite vai ser o clássico que nada acontece. Surpresas? Nope! Sobre o gênero. Esse filme tem um problema sério, que todos os filmes de terror atuais tem que não necessariamente é culpa dos realizadores.

Os filmes não tem culhão, não tem ousadia e eles não querem te assustar de verdade. Ser um daqueles filmes que colocam uma imagem na sua cabeça que fica lá te atormentando porque ISSO É TERROR. Entendeu? Vivemos numa era dos jumpscares, que estão com terror de explosões e ação, tornam-se verborragias imagéticas sem sentido. O diretor M. Night Shyamalan, que cria um personagem que usa uma fralda geriátrica que quando fica suja é um negócio nojento. Também cria o personagem Tyler (Ed Oxenbould) que é germofóbico, ou seja, não consegue nem abrir uma porta sem se incomodar, certo? O diretor decide colocar os dois juntos, faz o senhor tirar a fralda e esfregar no rosto do menino. Ótimo, estou inicialmente aterrorizado. Acaba, o menino está de costas para câmera, não dá pra ver essa pintura (a obra sendo feita) e nem sentir a agonia que seja.


Apenas dá um zoom, faz o Tyler comer a fralda, faz o chorar e gritar com os dentes sujos. Coloca uma imagem na minha cabeça que irei ficar três dias sem conseguir esquecer. A outra cena onde Becca (Olivia DeJonge) esfaqueia uma senhora (que está a atacando com um pedaço de vidro) e simplesmente a menina não fica encharcada de sangue. Só espirra três gotinha na bochecha da menina. Decepcionante! Não há uma coisa clássica, sabe? A velha não abre a boca e cospe sangue dentro da boca da menina, não tem uma imagem que incomoda de uma maneira que eu possa sentir aterrorizado. Então, o filme é decepcionante! Um brinde ao PG-13!

Ainda sobre o gênero. Esse filme também é um documentário, mas apenas na escolha estética porque se trata de uma ficção onde a personagem da filha, Becca (Olivia DeJonge), está fazendo um documentário sobre o desentendimento entre a sua Mãe (Kathryn Hahn) e seus avós. Que resultou na fuga dela de sua cidade natal e em 15 anos de silêncio. A filha vai fazendo o documentário, pouco a pouco a história que ela está buscando a contar se revela não ser nem um pouco próxima da verdadeira trama. Mesmo assim continua a captar as imagens. O documentário sobre um tema familiar sensível se torna uma outra coisa muito mais sombria e horrível, mas irei finalizar o vídeo mesmo assim porque o roteiro é muito louco, descolado e sem sentido. Yeah! Enquanto ao roteiro: um lixo!


Os personagens são bons? Sim. Os personagens são muito bem criados, tem boas motivações, boas justificativas e são críveis. A protagonista Becca e seu irmão caçula Tyler (Ed Oxenbould) nos conquistam com suas personalidades genuínas e humanas, mas o roteiro é ruim. Colocar esses personagens nesse roteiro é como colocar dois action figures de valor inestimável dentro de um carrinho de supermercado todo arrebentado e empurrar ladeira abaixo. Sabe qual o triste? O triste é que o carrinho desmonta antes de andar trinta centímetros. Por quê? Porque o roteiro é um lixo! Os avós dos dois protagonistas mirins vão se revelando pouco a pouco e as pessoas que visitam, sequer colocam uma pulga atrás da sua orelha sobre quem os avós realmente são. O plot twist pula na sua cara com a mesma falta de habilidade e você não entende mais nada.

Depois que se revela quem os avós são de fato, deles estarem do jeito que estão e nada ter sido feito em relação a eles; acaba não tendo justificativa nenhuma! O roteiro tenta se amarrar, mas o nó arrebenta e o negócio desaba pateticamente. Praticamente uma versão de terror de O Último Mestre do Ar, só que com zero efeitos especiais, zero sentido, zero sustos, zero vírgula sete suspense e cem porcento de decepção.


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