Cine Cult: Como sobreviver a um ataque Zumbi

13/11/2015

Como sobreviver a um ataque Zumbi | Nota ★ (Ruim) | Estreou em 12 de novembro de 2015
Texto: Lucas Simões | Revisão: Kamila Wozniak


Logo em seu início, o filme já deixa claro o tipo de comédia que pretende explorar, e também o fato que o forte do filme é a comédia e não o terror. Conta a história de três amigos escoteiros, Ben (Tye Sheridan), Carter (Logan Miller) e Augie (Joey Morgan), que prestes a entrar no segundo ano do ensino médio começam a se incomodar com o fato de ainda serem escoteiros, quer dizer, Ben e Carter pelo menos. A premissa dos zumbis é introduzida logo na primeira cena, sem a menor lógica, simplesmente pra inserir logo pro filme poder começar. O filme consiste na atrapalhada dança entre essas duas temáticas, o apocalipse zumbi e o filme adolescente dos três amigos tentando ser descolados/adultos antes do tempo e se ferrando por isso, e as duas temáticas são extremamente pobres, pois apresentam apenas o mais do mesmo.

Ben é o amigo leal e cara tímido, cavalheiro e etc, Carter é o cara obsceno que paga de pegador mas é um virgemzão e Augie é o nerd gordinho que sempre é subestimado mas por várias vezes prova seu valor através da inteligência e ou habilidades que salvam seus amigos. E como se trata de um filme adolescente com zero profundidade, as personagens femininas acabam refletindo esse desejo por zero profundidade e apenas conteúdo, resultando nas personagens Denise (Sarah Dumont), Kendall (Halston Sage) e Chloe (Niki Koss), as mega gatas. Denise é uma garçonete que trabalha num clube de strip-tease e conhece os garotos por acaso, tornando-se a salvadora e companheira deles durante o apocalipse zumbi e a mentora amorosa de Ben.


Kendall é o interesse amoroso de Ben e irmã de Carter, lindinha, donzelinha em periguinho, no finalzinho do filminho ela e o Ben dão um beijinho e pronto. Chloe é o interesse amoroso de Carter mas ela não dá bola pra ele porque ele é moleque demais e o ponto do filme é repetir a velha máxima que apenas os caras legais conquistam a garota e etc. O chefe de escoteiro dos três, o líder de escoteiro Rogers (David Koechner), está lá pra virar zumbi, ser engraçado às vezes e ficar mega estranho de peruca porque David Koechner de peruca, convenhamos né.

O roteiro é uma porcaria, nada se constrói logicamente, tudo se resolve através de conveniências que surgem do nada, problemas que surgem do nada, zumbis que surgem do nada, tanto que esse filme podia ser facilmente renomeado para Zombies in a Town (dos mesmos criadores de Snakes on a Plane), e os diálogos tentam ser engraçados e falham vergonhosamente. A comédia do filme é muito boa mas ela é física (personagens se machucam ou são machucados), situacional (comédia gerada pela situação em que os personagens se encontram), humor de moleque adolescente (genitálias, piadas sexuais e coisas do tipo). O filme visualmente é engraçado e agradável, não força a barra nem para o terror gore nem para o humor escatológico, provavelmente por se tratar de um filme focado em um público mais jovem, talvez PG-13.


O filme busca reforçar o velho clichê do filme adolescente dos grandes amigos que reforçam seus laços de amizade ao se apoiarem durante os eventos do filme mas força demais a barra nesse sentido, ficando muito besta e meloso nesse aspecto. O terror do filme é aquele terror pastelão que não se leva à sério, dando um sustinho aqui e ali mas logo desconstrói a atmosfera e volta para a comédia. Existem elementos clássicos da narrativa de filme de zumbi como o fato de antes de apresentarem os zumbis, jogarem os personagens numa cidade completamente deserta, e aí de repente hordas surgem do nada, infinitas hordas, gerando um desespero generalizado. Eventualmente os militares se manifestam sobre como a única maneira de conter o surto epidêmico é bombardeando a região etc. Aquela velha história de sempre.

Aí chegamos em outro ponto decepcionante do roteiro que são os zumbis, uma hora lentos, outra hora rápidos, uma hora não interagem com o mundo, outra hora abrem portas e usam armas, a depender da conveniência que os roteiristas necessitam. Um filme que não traz nada de novo, nem traz direito as coisas já velhas.




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