Cine Cult: Aliança do Crime

15/11/2015

Aliança do Crime | Nota ★★★★★ (Excelente) | Estreou em 12 de novembro de 2015
Texto: Lucas Simões | Revisão: Kamila Wozniak


O filme se passa em Boston, nas décadas de 70 a 80, e narra a história real da derrubada da máfia italiana e a ascensão da máfia irlandesa chefiada por James “Whitey” Bulger (Johnny Depp), que só foi possível porque ele possuía um amigo de infância trabalhando no FBI, John Connolly (Joel Edgerton), que acobertava seus negócios e controlava os seus colegas para fazerem vista grossa. O roteiro narra a história em ordem cronológica, indo em flashforward apenas para mostrar o destino dos capangas de Whitey na cadeia forçados a contar o que aconteceu para reduzirem suas penas.

De 75 até meados dos anos oitenta transcorre esse breve reinado de Whitey onde ele se tornou um dos chefes mais influentes e poderosos da máfia de Boston, que se encerrou apenas porque ele perdeu os privilégios adquiridos com seu amigo do FBI. É tocante observar a trajetória de Whitey enquanto ele, pouco a pouco se abriga na fuga da sua atividade ilegal, após sua família ir se perdendo dele. A atmosfera do filme é sensacional, a maneira como o filme é sombrio, a sobriedade da imagem, o silêncio da trilha sonora, instaurando um suspense real, uma cidade que aguarda o próximo assassinato, o próximo tiro ecoar pelas ruas.


A atmosfera de morte ao redor de Whitey, de medo, uma palavra errada pode significar a morte, e ao mesmo tempo uma atmosfera aconchegante pela relação de lealdade que Whitey tem com todos que moram na parte sul de Boston, Southie. Pouco a pouco o aspecto da morte vai tomando conta da lealdade de Whitey até que ele só consegue ser leal a si mesmo. O ritmo do filme é muito bem compassado, alternando entre elementos humanos dos bandidos de Southie e suas ações escusas. O filme se projeta de um universo rico em boas relações ao redor de Whitey para um universo onde a violência que ele carrega e extravasa por conta de coisas mínimas afasta a todos até ele ficar só.

Em paralelo Connolly também vai se isolando por se contagiar dessa atmosfera negativa de Whitey, perdendo tudo assim como ele, a diferença é que Whitey escolhe abandonar tudo e Connolly é forçado a fazer isso. Todos os papéis estão bons, até mesmo os menores como o de Billy Bulger (Benedict Cumberbatch), Charles McGuire (Kevin Bacon), Lindsey Cyr (Dakota Johnson), Kevin Weeks (Jesse Plemons), Debora Hussey (Juno Temple), Steve Flemmi (Rory Cochrane), Marianne Connolly (Julianne Nicholson) e Brian Halloran (Peter Sarsgaard).

Menores no sentido que possuem pouco espaço de filme, sendo o mais relevante e profundo o de Steve Flemmi, que testemunha a crueldade de Whitey de uma forma que o marca para sempre, ficando uma marca em sua expressão de algo que ele não consegue encarar por ser difícil demais. Todas as atuações contribuem para carregar a atmosfera do filme que revolve em torno de Whitey e se somam a ela ou são destruídas por ela. Um filme incrível e digno de um Oscar, ou vários.



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