Resenha Histórica: Um amor Escandaloso

04/09/2015


Quando a bela Kate Mayhew é contratada como dama de companhia de Isabel, filha de Burke Traherne, o marquês de Wingate se vê numa situação complicada. Por um lado, tem consciência de que a Srta. Mayhew é exatamente o que a jovem precisa, mas, ao admiti-la em sua casa, o marquês é obrigado a controlar a atração que sente pela moça. O grande inconveniente é que o cargo que ela ocupa a impede de se tornar uma de suas amantes. E Burke vive sobre o juramento de nunca mais se casar, depois de ter flagrado a ex-esposa num ato de traição.

Já a Srta. Mayhew não consegue parar de pensar em um homem pelo qual jurou nunca se apaixonar, e esconde um escândalo do passado. Ousará a bela moça lutar contra seus desejos e os fantasmas que parecem persegui-la? O homem que frequenta seus sonhos mais despudorados e o que habita seus piores pesadelos aproxima-se cada vez mais, e ela não sabe por quanto tempo mais conseguirá suportar.

Burke Traherne tem um problema, um problema de 16 anos que não consegue domar. A filha, que foi criada sem uma mulher por perto, já está mal falada nas rodas de Londres por ser namoradeira. Ele precisa de ajuda, de uma acompanhante para ensinar a filha a como se portar nas festas e arrumar um pretendente decente. A solução de seus problemas seria Kate Mayhew; ela tem berço, sabe se portar nas festas, mas está atraindo tanto o seu desejo que isso pode se tornar outro problema para ele. Kate se vê refém da oferta generosa de Burke para ser acompanhante de sua filha, na posição em que está, não pode se dar ao luxo de perder tanto dinheiro. Ela só se questiona se o dinheiro valerá o esforço que ela faz para não se apaixonar por ele.

A narrativa do livro é em terceira pessoa acompanhando o Burke e a Kate. O Burke tem um perfil um pouco diferente dos mocinhos que eu leio, ele é mais velho, falo sobre isso no próximo parágrafo, e sofre um baque em relação a primeira esposa, o que acabou tornando ele mais durão e um pouco amargo. Já a parte física não deixa, em nada, a desejar em relação aos mocinhos mais jovens, ele pode ter o rosto menos bonito, mas o resto é igual. A Kate é uma personagem forte e batalhadora, que quando se viu em dificuldade foi atrás de ter um emprego, de posição inferior ao que ela era, e se vira como pode. Ela é bem bocuda, fala o que pensa e é mais real e humana do que imaginamos nas personagens de romances históricos.


Um fato relevante no livro é a diferença de idade entre o Burke e a Kate. Eu sei que era comum na época as moças serem bem mais jovens que seus pretendentes, mas já reparam que isso pouco aparece nos romances históricos? Eu pelo menos noto que os mocinhos estão passando um pouco da faixa dos 30 anos e as mocinhas estão quase nessa idade, o que é carimbado como solteirona. Em Um amor escandaloso o Burke já está quase com 47 e a Kate tem menos de 25. Eu digo que isso é relevante porque a graça de alguns diálogos está nessa questão da idade, do Burke não se achar velho, mas algumas pessoas o considerarem assim.  Ele se acha vigoroso, mas já tem uma filha sendo apresentada a sociedade o que faz com que comentários sobre a velhice dele sejam feitos com frequencia e engraçados.

Outra coisa que chama a atenção nesse livro é o fato do Burke ser separado. Naquela época os divorciados também não eram vistos com bons olhos e isso é uma mágoa que o personagem traz, porque alterou o modo como a sociedade o via. Ele não se torna bem-vindo em alguns lugares. Além do romance, um pouco mais quente do que outros romances históricos da Patricia, traz um mistério. A Kate perdeu os pais de uma forma trágica e para ela isso foi intencional, mas como ela não se lembra muito bem da noite em que tudo aconteceu, as pessoas passaram a achar que ela estava enganada. Só que em um determinado momento da narrativa isso será provado, se ela estava enganada ou não. Até lá, o livro é permeado por essa dúvida.

Eu não tenho muito contato com a Meg escrevendo como Meg. Na verdade eu li poucos livros dela assim e não me surpreenderam tanto, o contrário do que acontece como Patricia. Não sei se por eu ser mais velha, gostar mais de romances históricos... enfim, o fato é como Patricia eu não deixei de gostar de nenhum livro. Todas as leituras foram boas, todas as leituras me fizeram rir, todas as leituras me cativaram e me fizeram ler rápido. Ela não deixa a desejar em relação a nenhum autora hoje que as editoras estão estão lançando. Assim como os outros eu recomendo este e o fato mais interessante, ela escreve livros único e sempre consegue criar tramas e personagens diferentes. Não tem pontos repetitivos nos mais de seis livros desse gênero que ela escreveu.

www.seja-cult.comUm amor Escandaloso
Patricia Cabot
Editora Record: Twitter/Facebook

Um comentário:

  1. "ele pode ter o rosto menos bonito, mas o resto é igual" pior que isso se repete muito sempre
    Eu ri da filha rodada hahahhah
    E é verdade mesmo que nos romances históricos, pouco aparece essa questão da diferença de idade. Achei legal você dar ênfase nisso...
    Beijos
    Balaio de Babados

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