Resenha: Em Chamas

21/09/2015


Depois de ganhar os Jogos Vorazes, competição entre jovens transmitida ao vivo para todos os distritos de Panem, Katniss agora terá que enfrentar a represália da Capital e decidir que caminho tomar quando descobre que suas atitudes nos jogos incitaram rebeliões em alguns distritos. Os jogos completam 75 anos, momento de se realizar o terceiro Massacre Quaternário, uma edição da luta na arena com regras ainda mais duras que acontece a cada 25 anos. Katniss e Peeta, então, se veem diante de situação totalmente inesperada e, dessa vez, além de lutar por suas próprias vidas, terão que proteger seus amigos e familiares e, talvez, todo o povo de Panem.

Ambientado num futuro sombrio, a série é pioneira de uma tendência que vem ganhando força no mercado de bestsellers juvenis: a dos romances distópicos e pós-apocalípticos. As obras renderam à autora Suzanne Collins lugar na badalada lista de 100 personalidades mais influentes do ano da revista Time. Com narrativa ágil e ousada, os livros da trilogia foram traduzidos para 42 países e vêm atraindo leitores de diversas faixas etárias.

Inspirada pelo mito grego de Teseu e o Minotauro e bebendo nas melhores fontes da ficção científica, Suzanne Collins faz uma dura crítica à sociedade atual – ao sensacionalismo, ao desperdício e à violência – e prende a atenção do leitor da primeira à última página com um romance envolvente e perturbador.

Depois de ter vencido os Jogos Vorazes trapaceando a Capital, Katniss acreditava que as coisas tinham terminado e que uma retaliação aconteceria apenas mais para frente. Só que assim que a poeira assenta, o presidente Snow a encontra e confirma que ele sabe de tudo, de todos os passos dela, e mais, que ela terá que continuar com a encenação de um romance entre ela e o Peeta. O que ninguém esperava era que o Snow criaria outros jogos para os últimos vencedores participarem novamente. Katniss percebe que ele fará de tudo para acabar com ela e também acabar com o que ela representa, esperança. Katniss não sabe lidar com isso, com a esperança que depositam nela, mas está cada vez mais difícil para ela fugir de ser o tordo.

A Katniss continua narrando o livro e está sendo bem interessante acompanhar a transformação dela em tordo. Ela não acredita no que representa e tem medo em muitos momentos, o que eu acho que combina com a realidade. O herói tá sendo construido aos poucos, claro que ela nasceu com a força, mas não é de uma hora para outra que ela vai liderar a revolução. Achei que para a estória isso é coerente, a menina do pior distrito que é durona por fora, mas tem valores acima da média por dentro. Novos personagens aparecem aqui, os vencedores dos jogos passados, e é engraçado que não dá pra gente se apegar muito a ninguém, fora os principais. Isso não é spoiler porque se a proposta do livro é sempre um vencer, outros precisam morrer para isso.

Katniss Everdeen, a garota em chamas, você acendeu uma fagulha que, se não for contida, pode crescer e se transformar num inferno que destruirá Panem.


Por ser uma distopia, e diferente do primeiro, Em Chamas é permeado pelo sentimento de revolta. Eu digo que é diferente do primeiro, porque a Katniss reluta durante boa parte dos dois livros, mas da metade para o final desse ela já percebe que não tem como a revolta ser barrada. É engraçado eu ler essa trilogia logo depois do país começar a questionar as coisas, querer mudanças, algo melhor para a população. Essa sensação de indignação que tem no livro é muito o que eu sinto, e provavelmente você que tá lendo, todos os dias. A gente acha que a distopia é diferente da nossa realidade quando não é. A diferença é que a violência não é tão escrachada como nos livros, só que se você pensar que a violência não é só ação, mas também o sentimento de falta de dignidade, humanidade e por aí vai, é o que a gente vive.

Eu leio as distopias com a sensação de verossimilhança. Esperando que algo seja uma fagulha e uma revolução aconteça, e por isso eu acabo tendo uma preferência especial pelo gênero. Em Chamas acaba tendo muita ação também, como o primeiro livro, e muitas cenas de estratégias. Em Jogos Vorazes eles não sabiam muito o que esperar e nos jogos de agora eles sabem, então se aliam aos outros competidores pensando com mais calma e decidindo de um jeito mais coerente. O romance aqui não tem destaque e acho que será assim até a conclusão. A autora deixou claro no primeiro, e continuou assim aqui, que o romance é algo complementar e que não terá proporções grandes. A Katniss continua indecisa entre o Peeta e Gale e eu sinceramente não sei o que esperar da escolha dela.

As pessoas querem lutar. Você não vê? Está acontecendo! Está finalmente acontecendo!


Antes de fazer esta resenha eu dei uma olhada na de Jogos Vorazes e falei algo sobre o final daquele livro que não combinou muito com esse. Quando terminei de ler Em Chamas percebi que este livro tem um final que precisa muito mais de uma continuação do que o anterior. É como se Jogos Vorazes fosse um livro único, com um bom final. O gancho do anterior é um aviso do presidente Snow, mas o final desse é algo concreto, algo que requer mesmo que a estória seja finalizada. Não diria que é um cliffhanger, mas chega perto disso. Ele sugere que a revolução acontecerá mesmo no último livro, que ela não pode mais ser adiada como se tentou fazer em Em Chamas. Ou a Katniss luta ou o Snow vence e tudo em Panem permanece como é agora.

Esse foi um bom livro ligação principalmente por causa do final e dos novos personagens, porque se você pensar na dinâmica do livro verá que é quase a mesma que o primeiro. Novos jogos estão acontecendo, mas ainda são jogos, as pessoas ainda precisam matar umas as outras e uma vencer. Só que os levantes nos distritos, a sensação de que alguma coisa vai acontecer, que as coisas podem mudar, está no livro todo e é isso que o torna tão bom. A medida que você vai lendo, vai se empolgando com o próximo passo, que seria a guerra. A escrita da Suzanne não caiu e não achei esse livro pior do que o outro e nem melhor, achei que a pegada continua a mesma. O que tem de diferente é o sentimento de que depois de Em Chamas tudo vai se resolver, para o bem ou para o mal.

Tínhamos que salvá-la porque você é o tordo, Katniss. Enquanto você viver, a revolução vive.

www.seja-cult.com Em Chamas - Jogos Vorazes - Livro 2
Suzanne Collins
Editora Rocco: Twitter/Facebook

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