Cine Cult: A Possessão do Mal

30/09/2015

A Possessão do Mal | Nota ★★★ (Bom) | Estreia em 1º de Outubro de 2015
Texto: Lucas Simões | Revisão: Kamila Wozniak

Pelo título já sabe, né? Preparem-se para muitos nada acontece, jumpscare. 


O filme conta a história de Michael King (Shane Johnson), um pai de família que tragicamente perde sua esposa Samantha (Cara Pifko) em um acidente de carro, deixando-o só para cuidar da filha pequena Ellie (Ella Anderson). Samantha era uma mulher temente a Deus e de mente aberta espiritualmente, acreditando em videntes e coisas do tipo. Michael começou a criar ódio por todo tipo de superstição/crença já que por uma indicação de uma vidente, Samantha mudou seus planos e isso “resultou” em seu acidente fatal. Em uma forma distorcida de processar a morte de sua esposa Michael decide tentar invocar um demônio para provar para si mesmo que tudo é baboseira e ele estava certo o tempo inteiro, ou seja, não existem deuses ou demônios. Nisso ele enche sua casa de câmeras e sai filmando tudo, documentando sua busca, e aí tem um cachorro também porque sempre tem um cachorro.

Michael acaba invocando um demônio específico que possui seu corpo e começa a controlar suas ações, e quanto mais ele tenta se livrar dele mais o demônio exerce sua influência sobre ele. O gênero mistura praticamente todas as construções clássicas, desde as mais modernas como as de Atividade Paranormal (2007), Bruxa de Blair (1999) e O Exorcista (1973). A construção dos acontecimentos lembrou um pouco o filme Amigo Oculto (2005). Sinceramente o filme, por não ter monstro, teoricamente não deveria ter jumpscare, e isso faria o filme um milhão de vezes mais interessante. Sem o recurso barato do jumpscare o diretor poderia focar 100% no suspense e na loucura de Michael e não desperdiçar momentos preciosos de nossas vidas onde poderíamos estar dormindo ou comendo pra tentar nos assustar de maneira porca.


Existem momentos onde o filme entrega de bandeja que é um low budget (filme de baixo custo, com recursos bastante toscos, mesmo funcionando para a cena), em especial uma cena de auto-mutilação. Apesar disso existe uma outra cena de auto-mutilação onde o ator merece créditos, ou a equipe inteira, pois ela parece totalmente real, e dá uma certa agonia. Esse filme também merece créditos por trazer o elemento mais clássico de filmes de terror: sangue! Tem muito sangue nesse filme, muito mesmo, e é maravilhoso. Terror é mais gostoso quando tem gore, quando tem sangue jorrando, e não esses filmes que se auto-entitulam terror de hoje em dia onde ninguém sangra nem nada. No quesito de roteiro o filme tem uma boa construção, amarra bem os pontos, explana bem porque de cada coisa, teve uma lapidação decente.

A interpretação dos atores também é boa, imersiva, real, forte. O que broxa no filme é que tem uma salada de recursos narrativos, desde os vlogs e imagens em visão noturna em found footage (filmagem caseira) a lá Bruxa de Blair ao BBB de coisa nenhuma de Atividade Paranormal até as possessões com direito a escaladas radicais de escada e de paredes a lá O Exorcista. Um filme que não assusta tanto quanto deveria mas que pelo menos não mancha o gênero como muitos filmecos por aí. Recomendado pra fãs do gênero.



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