Cine Cult: Pequeno Dicionário Amoroso 2

09/09/2015

Pequeno Dicionário Amoroso 2 | Nota ★★ (Regular) | Estreia: 10 de Setembro de 2015
Texto: Lucas Simões | Revisão: Kamila Wozniak


Pelo elenco e pelo título já é possível deduzir que a estética de novela vai estar presente, mas é só quando a trilha sonora explode que se pode confirmar. Com uma trama episódica, que também lembra de certa forma uma novela, acompanhamos a protagonista Luíza (a sempre linda Andréa Beltrão) enquanto ela segue em uma jornada em busca do amor, esbarrando em alguns bobocas pelo caminho. Gabriel (Daniel Dantas), ou o “anjo” como descrito pela mãe de Luíza, Dona Sônia (Camilla Amado), é um homem simples e eterno garotão que busca ter o melhor de todos os relacionamentos mas não consegue lidar com o pior deles. Dona Sônia, inclusive, presta um ótimo papel de conselheira a Luíza e veste bem a túnica da mulher sábia, isso claro, quando não está fazendo diálogo de cartão postal. O Rio de Janeiro é lindo sim, mas tem outras cidades lindas.

Gabriel está enroscado em um relacionamento dos sonhos com Jaque (Fernanda Freitas, que dispensa comentários), e ela provavelmente gosta de Gabriel justamente por seu ar mais de garoto e sem muita seriedade, porém ele é homem e por consequência burro, façam as contas. Antes de iniciar seu envolvimento com Jaque, o que deve ter acontecido numa chuva de canivetes, Gabriel fora casado primeiro com a própria Luíza e eventualmente com Bel (Glória Pires, que é outra mulher linda) com a qual teve uma filha, Alice (Fernanda Vasconcelos, que vai te dar uma overdose de beleza). Bel entra como a mentora de Gabriel, que aqui é a contraparte de Luíza, protagonizando uma faceta masculina da busca pelo amor, mas Bel ao contrário de Dona Sônia é uma cartomante, ou seja, uma bela de uma malandra. Ela também é a mentora de Alice que sendo filha de Gabriel, faz contraparte com o filho de Luíza, e os dois nos mostram a busca pelo o amor enquanto jovem.


Alice é uma mulher sensual, desinibida, envolvente e pra cima porém é absolutamente controladora e a sua segurança amorosa está em controlar as situações. Não sabendo que controlar um sentimento é algo impossível ela embarca em uma relação que foge mais e mais de seu controle até o ponto em que ela perde o controle completamente e se torna impotente diante do resultado. Já o filho de Luíza embarca na conhecida busca pelo amor virtualmente, mas ao contrário de Alice ele mesmo com seus treze anos possui uma maturidade e uma resolução enquanto homem que lhe permitem ter empatia com as situações, e com as mulheres nelas envolvidas. O marido de Luíza, Alex (Marcello Airoldi), e um homem que surge na vida dela, Guto (Eduardo Moscovis), junto a Gabriel, farão uma grande confusão na cabeça de Luíza sobre onde esse amor tão necessário está.

O roteiro é forte e fraco ao mesmo tempo. Forte porque por ser episódico ele não precisa carregar a dramaticidade cena a cena como um roteiro normal faz, nas cenas a carga já está pronta e não precisa ser justificada pela cena anterior. Se o personagem está com raiva ele está com raiva e ponto final, ao invés de estar com raiva porque na cena anterior algo aconteceu e ele/ela ficou com raiva. E o roteiro é fraco porque por essa mesma construção ele parece ser preguiçoso, parece pouco pensado e as cenas parecem fáceis demais, algumas vezes meio soltas. Para comédia é um formato ideal mas para a parte do drama ele meio que quebra as próprias pernas, jogando a responsa do drama para os atores. Agora a parte que incomodou mais este crítico em particular foi justamente a parte do drama, e não por conta dos atores, porque todos eles seguram a onda muito bem.


O problema no drama está na trilha sonora, não porque ela é ruim, ela é na verdade extremamente bem executada, mas porque ela é grandiosa demais, alta demais, forte demais, pontuada demais, e transforma uma coisa que deveria ser um drama em um dramalhão. A trilha remove completamente a imersão no filme, a imersão na emoção que o ator traz, e te joga numa emoção de Hollywood, numa emoção plástica, fácil, meio que jogando no lixo a emoção que o ator veio construindo gesto por gesto e fala por fala. Talvez isso se dê pelo justo fato que não existe uma curva dramática no filme, ou seja, não existe uma trajetória emocional para o personagem, em cada cena o personagem já está, não veio. Assim o espectador cai de paraquedas naquela emoção, naquele momento do personagem, e a trilha viria pra “ajudar” a pontuar a intensidade da cena. Infelizmente a trilha falha nesse aspecto.

Visualmente o filme é muito bom, inclusive no quesito nudez feminina e sexo a coisa já está num padrão HBO, faltou só a criminalidade, o sangue jorrando e tiroteios mesmo. A nudez feminina no filme está bastante limpa de moralidade, essa que fica no máximo muito implícita na personagem de Alice que é uma mulher “livre”, sendo esse um possível eufemismo para o que alguns que assistam o filme chamem de “puta”. Isso claro não tem nada a ver já que a personagem Alice é nada mais que uma mulher que toma o controle da própria sexualidade, já que a própria personagem gira em torno de controle e da ilusão de controle. O filme possui uma visão muito madura dessa situação e por isso merece seu mérito.

Um prato cheio para mulheres que gostam de filmes sobre o amor e para homens que gostam de filmes com mulheres irresistíveis. Recomendado.



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